MANIFESTAÇÃO NA PAULISTA: Nikkeis se juntam a manifestantes e pedem o fim da corrupção

A timidez, uma das “marcas registradas”  mais conhecidas dos japoneses – além, é claro do legado de trabalho, honestidade e educação deixado pelos pioneiros – desde que o Kasato Maru atracou no porto de Santos, em 1908, não impediu que os nikkeis se misturassem em meio à multidão no último dia 13, na avenida Paulista, para pedir o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), o fim da corrupção e a prisão do ex-presidente Lula, como exibiam as faixas e cartazes. Devidamente “uniformizados” – o traje “oficial” era a camisa amarela, de preferência com a bandeira do Brasil  nas costas – os nikkeis ajudaram a engrossar o coro dos brasileiros indignados com a situação do país naquela que é considerada pelos institutos de pesquisas como a maior manifestação já realizada no país.

 

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Manifestação de 13 de março na avenida Paulista foi considerada a maior já realizada no país. Foto: Aldo Shiguti.

 

Aos poucos, porém, conforme constatou a reportagem do Jornal Nippak,.o acanhamento foi sendo deixado de lado e alguns até se arriscaram a cantar o hino nacional próximos a dois dos caminhões ao longo da avenida enquanto um ou outro entoava os gritos de ordem como “minha bandeira jamais será vermelha” e “Fora, PT” numa clara demonstração que a crise não escolhe sexo, raça e muito menos condição social.

 

Edh Mieko Taniguchi coma sobrinha, a advogada Fernanda Taniguchi

Edh Mieko Taniguchi com a sobrinha, a advogada Fernanda Taniguchi: pelo fim da corrupção. Foto: Aldo Shiguti.

 

Tinha manifestantes de primeira viagem e “veteranos”. A advogada Fernanda Taniguchi, de 33 anos, disse que estava na Paulista “para manifestar minha revolta contra a corrupção que o país está atravessando”. “Temos que incentivar os protestos, pois a Justiça finalmente está tentando fazer a sua parte e nós temos que fazer a nossa”, disse Fernanda para quem a voz da rua pode interferir no processo de impeachment da presidente.

“O poder emana do povo, está na Constituição. O povo está cada vez mais forte”, explicou a advogada, que também não se mostra muito otimista caso o vice, Michel Temer (PMDB), venha a assumir a Presidência. “Não acredito que ele vá resolver alguma coisa, mas o primeiro passo é tirar a Dilma de lá”, sentenciou.

Opinião semelhante de sua tia, Edh Mieko Taniguchi, de 56 anos. “Temos que mostrar forças, se ficarmos quietos e nos acomodarmos nada vai mudar. Temos que tirar a Dilma e para isso precisamos nos mobilizar. A mudança tem que começar de algum lugar, então, que seja pela saída da Dilma”, disse Edh Mieko, afirmando que “o povo tem que sair às ruas e mostrar que não estão acomodados, que eles [políticos] não vão mais roubar a gente de graça”.

 

O casal Osmar Yassuo e Emilene Yoshimura

O casal Osmar Yassuo e Emilene Yoshimura. Foto: Aldo Shiguti.

 

Debutantes e veteranos – O Jornal Nippak também constatou que muitos nikkeis estavam “estreando” em manifestações. Como o casal de aposentados Ossamu e Neusa Akemi Hakamada, de 66 e 63 anos, respectivamente, que participavam pela primeira de um protesto. “Viemos aqui para tirar a Dilma e acabar com o PT, um partido que não pode existir no Brasil”, explicou Ossamu.

 

Ossamu Hakamada e Neusa Akemi Hakamada

O casal de aposentados Ossamu e Neusa Akemi Hakamada. Foto: Aldo Shiguti.

 

O “veterano” Osmar Yassuo Yoshimura pensa da mesma forma. “Temos que tirar a Dilma e por o Lula na cadeia”, disse o engenheiro civil, que esteve presente em todas as manifestações contra o atua governo. “Esta, sem dúvida, é a que tem mais gente”, destacou Osmar, que estava protestando em companhia da esposa, Emilene Yoshimura.

Assim como a advogada Fernanda Taniguchi, o engenheiro também não vê seu eventual sucessor com bons olhos. “Temos que colocar uma pessoa mais digna e honesta. Se for o Temer, nós tiramos também”, decretou.

 

Paulo Maruta e Mario Kuriqui com amigos de Arujá

Paulo Maruta (1º à esq) e Mario Kuriqui (2º) com amigos de Arujá. Foto: Aldo Shiguti.

 

Com um grupos de amigos de Arujá (SP) e usando a máscara do “Japonês da Federal” – um hit também no carnaval paulistano – o empresário Paulo Maruta  foi enfático. “Temos que tirar o PT e o PMDB, se não minha empresa não aguenta”, disse ele, afirmando que “estou protestando porque não aguento mais tanta corrupção”.

 

“Japonês da Federal” – Para o engenheiro Mario Kuriqui, as mudanças, caso ocorram, só devem surtir efeitos a longo prazo. “Estou reivindicando um Brasil um pouquinho melhor para os nossos filhos. Mas essas mudanças só virão se todos se conscientizarem que é preciso um esforço integrado. Por isso, todos nós temos que participar”, destacou Mario.

 

O consultor de vendas Marcos Tomio estava a procura de Lula

O consultor de vendas Marcos Tomio estava “à procura de Lula”. Foto: Aldo Shiguti.

 

A reportagem do Jornal Nippak também presenciou o “Japonês da Federal”, que foi à Paulista pelo consultor de vendas Marcos Tomio. Antes que pudesse conceder uma entrevista, porém,  sósia saiu correndo na multidão. “Estou procurando o Lula para prender”, avisou.

Ironicamente, nesta semana, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou parcialmente o recurso de Newton Ishii e manteve a sentença da Justiça Federal do Paraná que em 2009 o condenou por “corrupção e descaminho”.

 

ALDO SHIGUTI

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Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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