MEMAI: KOTOBA | A ROSA DE FUKUSHIMA

 

Um pequeno monumento para os foragidos de Fukushima em Namie. Foto: Damir Sagolj/Reuters

 

 

A cada dia são detectados novos casos de câncer de tireóide em crianças moradoras de Fukushima. Se a quantidade de  casos está  acima da média, é difícil comprovar. As notícias do  vazamento da água radioativa no Pacífico, em setembro e o anúncio  de que a descontaminação nuclear da região levará 4o anos desenham um cenário pessimista. Técnicos estimam que, em 40 anos, o governo japonês gastará dezenas de bilhões de dólares  para descontaminar a região.  Por precaução, todas as usinas nucleares japonesas foram desativadas, após o acidente.

Com  todos os riscos,   os governos de todos os países do mundo insistem que a energia nuclear é a mais apropriada para substituir os combustíveis fósseis. Isso levando em conta os custos econômicos, não os sociais. Mas por outro lado, a  manutenção do aparato  significa a possibilidade de deter a tecnologia da bomba atômica.

O Japão sobreviveu a duas bombas atômicas. Com o vazamento da radiotividade nas águas do Pacifico, a  sombra do cataclisma nuclear paira não apenas sobre o arquipélago como também sobre o planeta. O tsunami de 11 de março seria  o início do apocalipse ?  O cenário apocalíptico, em vez de trazer pânico e alarmismo, deveria causar uma reflexão em torno dos riscos da energia nuclear.

Se os combustíveis fósseis são um perigo para a saúde e para o meio ambiente devido à liberação de carbono na atmosfera, a energia nuclear traz uma parcela considerável de riscos. Restam o carvão, as hidroelétricas, e as alternativas limpas: o biodiesel, a energia solar e a  eólica.  Curiosamente, das energias  não poluentes  nem um governo  quer ouvir falar. Não é um cataclisma nuclear que pode exterminar a vida no planeta Terra e sim a miopia de oligopólios interessados em defender  seus interesses econômicos.

Porém, não resta muito tempo para nutrir o egoísmo corporativo. Fukushima aciona a bomba relógio para pensar nos interesses coletivos.

Marilia Kubota

 

 

Fonte: 

 

 

Marilia Kubota

é editora do JORNAL MEMAI, mestranda em estudos literários (UFPR) e organizadora do livro “Retratos Japoneses no Brasil” (2010), e integrante de 7 antologias de poesia e prosa.

 

Redação

Redação

nippak@nippak.com.br
Redação

Últimos posts por Redação (exibir todos)

Related Post

JORGE J. OKUBARO: Os primeiros 15 de muitos anos Por Jorge J. Okubaro*   A avidez com que nossos pais se lançavam à leitura do jornal que acabara de ser entregue pelo distribuidor ou pelo ...
JORGE NAGAO: Aurora, Emi, Izildo, Oséas e Ubaldo   A,E,I,O e U estudavam no mesmo colégio, na mesma série, na mesma classe, e eram da mesma patota. A e E eram meninas normais, sonhadoras,...
ERIKA TAMURA: 4 ANOS DO TSUNAMI NO JAPÃO Há 4 anos atrás, o Japão passava por um fatídico terremoto seguido de tsunami, um tsunami devastador para o norte do país. E eu estava lá. Onde eu ...
JOJOSCOPE: Shintori: a morte da Fênix da Gastronôm... Herdando do antigo Suntory a suntuosidade de um templo da alta gastronomia, o Shintori se despede da cena gastronômica de São Paulo. Foi durante décad...

Faça seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *