MEMAI: LITERATURA – QUANDO O IMPERADOR ERA DIVINO

QUANDO O IMPERADOR ERA DIVINO site-240x360O livro narra uma história de ruptura em uma família nipo-americana formada por um executivo bem sucedido, uma dona de casa típica da classe média americana e um casal de crianças que frequentam a escola como todos da sua idade. Moram em Berkeley, na Califórnia, levam uma vida confortável. Numa noite, a casa arrumada para o Natal, agentes do FBI batem à porta e levam o pai sem que ao menos pudesse se vestir. Sem nenhuma acusação formal ou explicação, colocam-no de chinelos e de roupão num carro preto. É dezembro de 1941, poucos dias depois do ataque do Japão à base americana de Pearl Harbor, no Havaí.

Passados dois meses em que recebem poucas notícias do pai em cartas censuradas, a mãe e as crianças são obrigadas a deixar sua casa, assim como milhares de outras famílias. Do primeiro aviso da “Ordem de evacuação”, tiveram menos de dez dias para se preparar. Em fevereiro de 1942, o presidente dos Estados Unidos, Franklin Roosevelt, assinou a Ordem Executiva 9066, que estabeleceu áreas militares cercadas no interior do país para onde foram enviados aproximadamente 120.000 japoneses ou pessoas de ascendência nipônica, boa parte já cidadãos americanos. Eram os inimigos.
A arrumação da casa para o período que passariam longe – embalar os móveis, soltar o passarinho, enterrar a prataria, e outras providências mais dolorosas –, a viagem de trem para o desconhecido, o acampamento temporário numa pista para cavalos, os mais de três anos no campo de prisioneiros em Utah, no meio do deserto, a volta para uma casa depredada e saqueada depois de terminada a guerra, a ansiedade de reencontrar aquele pai.

A voz do narrador é essencial na prosa límpida e elegante de Julie Otsuka. Aqui, cada capítulo é narrado da perspectiva de um personagem. A mãe, os filhos, um coletivo de vozes que encara seus acusadores. Em comum, a sensação do tempo próprio em suspenso, mas o tempo do outro passando em pequenas modificações. Os filhos que crescem, a mãe que enruga, o pai congelado numa imagem que se esvanece no correr dos meses. Em dado momento o irmão pergunta as horas para a irmã, no Campo de Utah. O relógio mostrava seis horas em ponto havia semanas. Ela havia parado de dar corda no dia em que eles desceram do trem.

 

Sobre a autora:

Julie_OtsukaJulie Otsuka nasceu em 1962 na Califórnia. Estudou artes na Universidade de Yale e dedicou-se à pintura durante alguns anos. Aos 30, optou pela literatura. Seu romance de estreia, Quando o imperador era divino, saiu em 2002 e recebeu os prêmios Asian American Literary e Alex da Associação Americana de Bibliotecas. Em 2004, foi contemplada pela prestigiosa bolsa da Fundação Guggenheim.

O Buda no sótão, seu segundo romance, recebeu diversos prêmios, dentre os quais o PEN/Faulkner de Literatura de 2012, além de ser finalista no National Book Award. Foi traduzido para dezenove idiomas e selecionado como livro notável pelo jornal The New York Times.O livro narra uma história de ruptura em uma família nipo-americana formada por um executivo bem sucedido, uma dona de casa típica da classe média americana e um casal de crianças que frequentam a escola como todos da sua idade. Moram em Berkeley, na Califórnia, levam uma vida confortável. Numa noite, a casa arrumada para o Natal, agentes do FBI batem à porta e levam o pai sem que ao menos pudesse se vestir. Sem nenhuma acusação formal ou explicação, colocam-no de chinelos e de roupão num carro preto. É dezembro de 1941, poucos dias depois do ataque do Japão à base americana de Pearl Harbor, no Havaí.

Passados dois meses em que recebem poucas notícias do pai em cartas censuradas, a mãe e as crianças são obrigadas a deixar sua casa, assim como milhares de outras famílias. Do primeiro aviso da “Ordem de evacuação”, tiveram menos de dez dias para se preparar. Em fevereiro de 1942, o presidente dos Estados Unidos, Franklin Roosevelt, assinou a Ordem Executiva 9066, que estabeleceu áreas militares cercadas no interior do país para onde foram enviados aproximadamente 120.000 japoneses ou pessoas de ascendência nipônica, boa parte já cidadãos americanos. Eram os inimigos.
A arrumação da casa para o período que passariam longe – embalar os móveis, soltar o passarinho, enterrar a prataria, e outras providências mais dolorosas –, a viagem de trem para o desconhecido, o acampamento temporário numa pista para cavalos, os mais de três anos no campo de prisioneiros em Utah, no meio do deserto, a volta para uma casa depredada e saqueada depois de terminada a guerra, a ansiedade de reencontrar aquele pai.

A voz do narrador é essencial na prosa límpida e elegante de Julie Otsuka. Aqui, cada capítulo é narrado da perspectiva de um personagem. A mãe, os filhos, um coletivo de vozes que encara seus acusadores. Em comum, a sensação do tempo próprio em suspenso, mas o tempo do outro passando em pequenas modificações. Os filhos que crescem, a mãe que enruga, o pai congelado numa imagem que se esvanece no correr dos meses. Em dado momento o irmão pergunta as horas para a irmã, no Campo de Utah. O relógio mostrava seis horas em ponto havia semanas. Ela havia parado de dar corda no dia em que eles desceram do trem.

 

Fonte: 

 

 

MARILIA KUBOTA

MARILIA KUBOTA

é editora do JORNAL MEMAI, mestranda em estudos literários (UFPR) e organizadora do livro “Retratos Japoneses no Brasil” (2010), e integrante de 7 antologias de poesia e prosa.
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