MEMAI: MANABU MABE EM COLEÇÃO DA FOLHA

 

Capa da edição Manabu Mabe da Coleção Folha . Imagem: divulgação.

O pintor Manabu Mabe é o tema da edição 13 da Coleção Folha Grande Pintores, lançada essa semana em todas as bancas do Brasil.  O estudo crítico sobre a vida e obra do imigrante japonês que se tornou pintor é assinado por  Michiko Okano, professora de História da Arte da Ásia na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Manabu Mabe (1924-1997) foi um dos pioneiros do abstracionismo no Brasil. Chegou ao país em 1934 e, como todo dekassegui no início da imigração japonesa, trabalhou na lavoura. O talento de Mabe foi logo reconhecido, graças a premiações na V Bienal Internacional de São Paulo, em 1959 e n XXX Bienal de Veneza, em 1960.

A pesquisadora e crítica  Michiko Okano, especialista em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, revela um olhar que amplia a  visão histórica e artística sobre a vida e a obra de Mabe, mas também sobre o processo de aculturamento brasileiro do pintor.  Desde a chegada ao Brasil,  Mabe se deslumbra com a natureza e a cultura local. O exotismo da fauna e flora tropical passaria a habitar a mente do pintor, que se conservou a essência da gestualidade da pintura japonesa foi atraído pelas cores brasileiras.

No início, Mabe foi autodidata. O  primeiro professor de pintura conheceu apenas aos 22 anos: Teisuke Kumasaka. Depois dele, conheceu os pintores dos grupos Seibi e Quinze, que reuniam artistas da comunidade nipo-brasileira. A partir de 1953 começa a colecionar prêmios importantes, como o da II Bienal Internacional de São Paulo, em 1959  e o da Bienal de Veneza, em 1960.

Diz o texto da contracapa: “… em diálogo com a arte nipônica, as pinturas do artista promovem a síntese entre a sofisticação da escrita oriental – por meio da simplificação das formas e pela gestualidade – e um aprimorado uso de cores”.  O texto de Michiko vai indicando como ocorre essa síntese.  O pintor tem obras “japonesas” como Vibração Momentânea (1953)  e Vitorioso (1958), que trazem  influência da técnica da caligrafia japonesa, e também outras, mais ocidentais, como Colheita de Café (1956) e Estudo N0. 1 (1956), influenciadas pelo cubismo e pelos temas de Portinari. Com o tempo, emerge o  “mabismo”, o abstracionismo praticado pelo pintor, que é a sua marca registrada , ou seja, o uso de formas densas e combinação de cores arrojada.

Mabe criou não apenas um estilo próprio, mas uma mitologia pessoal. Bonachão (os amigos diziam que, já famoso, e recebia os hóspedes dentro da banheira),  naturalizou-se brasileiro em 1960.  Voltou à terra natal apenas em 1969. Então, já não era um japonês, não só por ter adotado a cidadania brasileira. Tinha um tom de pele mais escuro, via, falava , sentia e se expressava de modo diferente do japonês.  Apesar do traço e da origem japonesa, o artista apaixonado pela terra hospedeira, é mais um nome  circunscrito na  cultura híbrida que se formou entre o Japão e o Brasil.

 

 

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One Comment

  1. Por favor corrigir a data da 1.ª visita do Imperador do Japão, ao Brasil:
    – Foi no ano de 1967, na época Akihito era o príncipe herdeiro (ver o n.º 13, da
    Coleção Grandes Pintores Brasileiros, página 24, o ano foi escrito erroneamente como 1957).
    – A visita ocoreu em Brasília, o meu pai estava presente, e por ser colecionador
    de todas as coleções sobre pintura, ele me pediu para fazer este comentário.
    Leitor: Antônio Henrique Perrone (74 anos).
    Obrigada.
    Carla Luciana de Azevedo Perrone

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