MEMAI: O JAPÃO É AQUI. OU NÃO?

 

Torii do Parque do Centenário da Imigração Japonesa, em Mogi das Cruzes.

 

Por Marília Kubota

 

Desde que os imigrantes japoneses chegaram ao Brasil, em 1908, multiplicam-se réplicas do Japão no Brasil. Toriis (o portal xintoísta),  templos budistas e pontes e esculturas com símbolos japoneses proliferam em lugares  públicos, como mostraesse artigo enfocando cidades do interior de São Paulo, onde se fixou  grande parte dos imigrantes.

slideshow é muito bem feito, com  imagens de Suzano, Mogi das Cruzes e Bastos, colhidas de vários blogues. Porém, mostra algumas incorreções nas informações .  Na primeira foto de  Suzano, por exemplo, o texto diz que no   Templo Budista Daigozan Jomyoji há uma estátua budista mas mostra uma lanterna de jardim japonês.

Em Mogi, há uma foto do  ponto final do Expresso Turístico Mogi das Cruzes (a partir da Estação da Luz), que faz a viagem pelos trilhos da antiga Estrada de Ferro Central do Brasil, construída ainda no tempo do Brasil Império. Essa foto, que aparentemente nada tem a ver com o tema “japonês”,  remete à importância que esse meio de transporte teve para os imigrantes. .  As linhas mogiana e sorocabana passavam por várias colônias japonesas no interior de São Paulo. O trem era tão importante que  é citado nos  haicais do poeta-lavrador  Nempuku Sato.

Ainda nas imagens de Mogi, o texto da fotos do  Parque Centenário da Imigração Japonesa diz que lá existem  dois toriis  e mostra a foto de uma ponte japonesa.  Otorii, na verdade, é o portal vermelho que aparece na primeira imagem do slideshow(foto acima). O outro torii não fica no parque. Estava instalado na estrada Mogi-Dutra e foi removido em março desse ano pela prefeitura local, por questões de segurança.

A referência mais interessante para os pesquisadores da história da comunidade nipo-brasileira talvez seja a citação do Museu Histórico Regional Saburo Yamanaka, fundado em 1975, em Bastos.  A cidade, junto com a pequena Tupã, foi palco do episódio mais sangrento da comunidade, a Shindo Renmei. Em Bastos, Ikuta Mizobe, o  primeiro makegumi (imigrante japonês que aceitava a derrota japonesa na Segunda Guerra) foi assassinado, no dia 7 de Março de 1946. Quem não conhece a cidade e se interessa pela comunidade nikkei fica curioso em conhecer esse museu.

Outra citação de uma comunidade já mítica  dentro da comunidade nikkei é Yuba, que fica na cidade de Mirandópolis, a 600 km da capital paulista. A comunidade agrícola foi uma utopia criada por Isami Yuba, em 1924, na Fazenda Aliança. Além de criar uma comunidade meio anarquista, que sobrevivesse de  agricultura,  Isami inspirou a coletividade a  cultivar o espírito artístico, construindo um teatro onde os jovens pudessem apresentar o que tivessem aprendido em aulas de balé e  música clássica – nem sempre japonesa. Também criou ateliês de cerâmica japonesa. O Balé Yuba se tornou famoso e já fez várias apresentações em eventos e festivais brasileiros, mostrando a diversidade cultural típica (e que foge do padrão folclórico)  de uma comunidade nikkei.

 

 

 

Fonte: 

 

 

 

Marilia Kubota é editora do JORNAL MEMAI, mestranda em estudos literários (UFPR) e organizadora do livro “Retratos Japoneses no Brasil” (2010), e integrante de 7 antologias de poesia e prosa.

 

 

 

Redação

Redação

nippak@nippak.com.br
Redação

Últimos posts por Redação (exibir todos)

Related Post

RETROSPECTIVA 2012 – Jornal Nippak Selecionou Foto... JANEIRO   10º Dan do gran mestre Yasunori Yonamine recebe Título de Cidadão Paulistano (foto: Luci Judice Yizima)     ...
BENEFICENTE: Acontece neste domingo a 36ª Festa da...   O Yassuragui Home unidade do Enkyo - Beneficência Nipo-brasileira de São Paulo em parceria a Casa de Repouso Akebono promovem no próximo dia...
HAICAI BRASILEIRO O Jornal Nippak publica aqui os haicais enviados pelos leitores. Haicai é um tipo de poema que se originou no Japão. Seu maior expoente é Matsuo Bashô...

Faça seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *