MOGI DAS CRUZES: Justiça nega pedido de bloqueio de bens de Junji Abe; deputado rebate denúncias de irregularidades

 

Junji Abe, deputado rebate denúncias de irregularidades (foto: Alexsandro Loyola)

A Justiça de Mogi das Cruzes (SP) indeferiu, no último dia 14, o pedido feito pelo Ministério Público de Mogi das Cruzes de bloqueio de bens do deputado federal Junji Abe (PSD-SP), das empresas Mito Transporte e Turismo e Júlio Simões Transportes e Serviços, além de mais oito pessoas, entre eles o ex-secretário municipal Nobuo Aoki Xiol, atual secretário municipal de Transportes de Mogi.

O valor, que soma mais de R$ 2,5 bilhões, teria como objetivo garantir o ressarcimento aos cofres públicos municipais de prejuízos causados por licitação fraudulenta, em caso de condenação futura.

Segundo o Diário de Suzano, a ação foi proposta pelo promotor de Justiça Renato Kim Barbosa no dia 23 de setembro e teve início após a instauração de dois inquéritos civis, posteriormente reunidos em um só, de 2007 e 2009, para apuração de atos de improbidade pelo então prefeito Junji Abe, referentes ao transporte coletivo em Mogi das Cruzes. De acordo com o MP, Junji Abe teria pedido R$ 3 milhões para garantir o contrato de duas empresas por 30 anos.

Na decisão, o juiz Bruno Machado Miano, destaca a necessidade de chamar todos os envolvidos “até porque o bloqueio de uma soma tão elevada seria precipitada”. Para o juiz, a quantia de R$ 2,5 bilhões “significa o prejuízo de dois orçamentos e meio de toda Mogi das Cruzes, o que parece irreal”.

Procurado pela reportagem do Jornal Nippak na tarde de hoje (sexta-feira), em seu escritório político que mantém no bairro a Liberdade, Junji Abe rebateu as denúncias com tranqüilidade. “Ainda não recebi nenhuma notificação. Se for citado, vou contratar um advogado e me defender”, disse o parlamentar, afirmando que processará os autores da denúncia por “calúnia e difamação”.

Segundo Junji Abe, a história teve início com seu antecessor na Prefeitura de Mogi das Cruzes, Waldemar Costa Filho, que já havia colocado em curso a troca do sistema de permissão para concessão no transporte público. “A Eroles [Transportes Eroles, que resultou na Mito Transporte e Turismo] operava em Mogi há cerca de 70 anos e o comando da empresa já estava na terceira geração, com os netos. “Por total falta de dedicação dos netos, a empresa perdeu sua capacidade e entrou em parafusos. Tanto é verdade que não puderam participar da concorrência e tiveram que constituir uma outra empresa”, conta Junji Abe.

A licitação, afirma o deputado, reuniu “mais de 40 empresas”, sendo que saíram vencedoras a Mito e a Júlio Simões. De acordo com o contrato, conta, cada uma tinha obrigação de possuir 90 ônibus. “Acontece que os bancos começaram a confiscar os veículos da Mito, que mais tarde apresentou um plano de recuperação passando a administração para a Visul, de Suzano. Depois de três meses operando, a Visul teve suas férias bloqueadas pela Justiça em função de reclamações trabalhistas, pois, além de ter parte de sua frota confiscada pelos bancos, também estavam com salários dos funcionários atrasados”.

“A rescisão do contrato da Mito já estava em curso, mas como estavam no fim do meu mandato e fiquei sem possibilidade de rescindi-lo, pedi para meu sucessor, [Marco Aurélio] Bertaiolli, para que o fizesse”, disse Junji, justificando que, dos 90 ônibus, “restaram apenas seis”.

 

Desgaste – “Agora, querem responsabilizar a Prefeitura pela quebra da empresa como forma de dar uma satisfação para os pais e avós”, rebate Junji, afirmando que a suposta conversa que José Carlos Pavanelli Eroles e Antônio Alexandre Eroles, sócios da empresa, alegam ter gravado em que o ex-prefeito menciona o acordo, teria sido “arquitetada”. “Aliás, essa questão já estava resolvida, mas há uns três meses eles decidiram entrar com uma ação de indenização pela rescisão contratual. As pessoas e empresas não podem se julgar no direito de culparem quem quer que seja”, defende-se o deputado, acrescentando que “para os meus adversários políticos isso é um prato saboroso”. “No atual cenário em que nos encontramos, em que a imagem dos políticos está desgastada, isso traz um desgaste. Mas estou tranqüilo e pronto para me defender”, ponderou Junji Abe.

 

(Aldo Shiguti)

Redação

Redação

nippak@nippak.com.br
Redação

Últimos posts por Redação (exibir todos)

Related Post

LITERATURA/PR: Câmara sedia coquetel de lançamento... Na noite desta segunda-feira (19), o empresário Julio Ando realizou o lançamento oficial de seu livro "Dicas Campanha Municipal: Vereador e Prefeito" ...
POLÍTICA: Nishimori assume presidência do PR no Pa... O deputado federal Luiz Nishimori (PR-PR), que assumiu a presidência estadual do partido no início deste mês, disse que pretende  continuar o trabalho...
POLÍTICA: JOOJI HATO É REELEITO VICE-PRESIDENTE DA... O deputado Jooji Hato. Foto: divulgação O deputado estadual Jooji Hato (PMDB) foi eleito o 4º vice-presidente da Assembleia Legislativa do Estado ...
Japão/Fukushima: Governo diz que ainda não é momen... O governo do Japão recomenda o adiamento do retorno das pessoas para as cidades que ficam nos arredores da Usina Nuclear de Fukushima Daiichi, no Nord...

Faça seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *