MUNDIAL DE CLUBES: Fiel domina maior ‘gueto’ brasileiro no Japão e festeja jogo em estádio vizinho em Toyota

Bruno Freitas 
Do UOL, em Toyota (Japão)

 

Por onde quer que você transite em Homi Danchi, o idioma que escuta é o português. O comércio local é especializado em produtos como feijão e guaraná, e o visitante ocasional vê o desfile em série de agasalhos do Corinthians, um após o outro. Apesar das aparências, estamos no Japão e esta é uma breve descrição do maior reduto brasileiro no país, a poucos quilômetros do estádio que receberá a estreia da equipe de Tite no Mundial de Clubes na quarta-feira.

O conjunto habitacional popular na cidade de Toyota conta atualmente com 3,5 mil brasileiros entre os seus oito mil moradores. Mas o total já foi maior, em marés econômicas mais favoráveis no Japão. Estima-se que há alguns anos mais de 5 mil residentes vinham do Brasil. Independentemente do número decrescente, em tempos de presença do Corinthians no Mundial, não se fala outra coisa na comunidade de estrangeiros do local do que a possibilidade de ver Sheik, Paulinho e cia.

 

 

“Já tivemos mais brasileiros, antes da crise, cerca de 4 mil e duzentos, num conjunto habitacional de oito mil. Mas muita gente voltou. É a maior concentração de brasileiros do Japão”, diz o corintiano Sergio Matsuda, que preside uma associação de brasileiros no local. “Muitos corintianos daqui vão para o jogo”, acrescenta.

A poucos dias da estreia do Corinthians no Japão, Matsuda circula no “Rômi” [como o conjunto habitacional é carinhosamente tratado pelos brasileiros] com seu agasalho da Gaviões da Fiel. O complexo abriga diversos integrantes da organizada, como os genros do presidente da associação. Por isso, torcedores que vêm de São Paulo para ver o Mundial encontrarão abrigo temporário com os colegas de Toyota.

Das varandas de alguns apartamentos é possível observar o Toyota Stadium, palco da estreia corintiana no Mundial [distância percorrida de carro em 15 minutos]. A proximidade física do time do coração ainda espanta “fiéis” fanáticos, como Diogo Turci Soler, que na Libertadores costumava organizar barulhentas sessões de torcida na madrugada.

“A gente via os jogos da Libertadores, uns 15 apertados no mesmo apartamento, era a maior festa na madrugada”, conta o corintiano de 33 anos, vinte deles no Japão.

Diogo trabalha em uma fábrica que produz acessórios para grandes montadoras japonesas. Através de um amigo que trabalha na Toyota conseguiu comprar um lote de 50 ingressos com desconto para a estreia do Corinthians e revendeu entre os colegas de Homi Danchi.

O comércio localizado bem no núcleo do conjunto habitacional conta com um cabeleireiro em estilo brasileiro, além de um restaurante no estilo rodízio gaúcho. No supermercado local, mais referências da terra de origem, como feijão, pão francês e, em tempos de Natal, panetones.

Numa das lojas brasileiros, que comercializa artigos diversos, duas camisas do Corinthians enfeitam a vitrine central. Um palmeirense passa pelo local com uma sacola de compras e é satirizado pelos amigos de preto e branco.

Construído em 1975, o Homi Danchi é um conjunto dividido por duas administrações, com 25 prédios geridos por um órgão do governo japonês e mais 42 edifícios de propriedade particular.

Os alugueis nos apartamentos particulares giram em torno de 55 mil ienes por mês (cerca de R$ 1650), enquanto que as unidades de posse do governo custam 6,5 mil ienes (pouco menos de R$ 200), cedidas a famílias de baixa renda, que comprovam necessidade de ajuda para crianças de menores de idade.

 

Fonte: Site UOL

 

 

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