MUNDO VIRTUAL: Como sou visto no mundo virtual?

Acredito que nos dias atuais devemos refletir cada vez mais sobre o modo como somos vistos no mundo virtual, já que intencionalmente ou por displicência, expomos e revelamos inúmeros detalhes de nossa vida privada, ligados a nossas preferências pessoais e profissionais, hábitos, valores e relacionamentos.

É certo que a construção de uma boa reputação no mundo virtual implica em revelarmos a terceiros algumas particularidades nossas, permitindo que eles nos conheçam, a fim de obtermos respeito, admiração ou mesmo notoriedade.

Mas a reflexão que considero importante está em não revelar indiscriminadamente os detalhes de nossa vida particular, de nossos hábitos e valores, a terceiros, muitas vezes estranhos e mal intencionados, que possam fazer mau uso destas informações e nos causar prejuízo na construção de uma boa reputação.

Do mesmo modo que temos acesso instantâneo a informações sobre outras pessoas, até mesmo em tempo real, também os bandidos e pessoas inescrupulosas podem ter este mesmo conhecimento a nosso respeito, e por isto corremos o risco de que nossas informações possam ser deturpadas ou usadas para nos prejudicar.

Apesar de a Constituição Federal e a lei do Marco Civil (lei 12.965/14) assegurarem direitos como privacidade, intimidade, honra e imagem, surge o problema quando a própria pessoa torna público o que era para ser privado, ou não seleciona o que vai ser reservado e nem as pessoas que irão ter acesso às informações que ela esteja revelando.

Penso que o “direito à informação” tem duas nuances, que envolvem o “direito de ser informado”, ou seja, de buscar o conhecimento sobre algo ou alguém que me interesse naquele momento, e também envolvem o “direito de informar”, ou seja, de revelar fatos e circunstâncias da vida pessoal a terceiros, visando a construção de uma boa reputação perante a opinião pública.

Em veículos de comunicação como um site jornalístico, um blog ou uma rede social, somos nós quem escolhemos aquilo que desejamos revelar a terceiros, e precisamos tomar cuidado com o que vamos informar ou postar, já que estes dados se tornarão públicos a um universo de pessoas, e servirão como base para que elas formem opinião a nosso respeito, que pode ser positiva ou negativa, e que pode  agradar ou não.

Predomina no Judiciário o entendimento de que tais veículos de comunicação representam apenas os meios físicos para levar a informação e o conhecimento de uma pessoa para outra, propiciando o espaço onde os direitos à liberdade de expressão, manifestação do pensamento e informação alcancem uma maior amplitude.

Sendo eles apenas as ferramentas de comunicação para permitir que as informações e opiniões prestadas por uma determinada pessoa alcancem um número ilimitado e talvez até incalculável de interlocutores, os usuários são responsáveis, de maneira principal e direta, pelas consequências daquilo que voluntariamente divulgarem.

É claro que podem ser cometidos excessos com as informações pessoais que alguém divulgue em qualquer destes meios de comunicação, e através de fotos, fatos ou notícias, esta pessoa seja criticada ou ofendida: em tais casos o Judiciário tem posicionamento de que a liberdade de expressão ou de manifestação do pensamento não pode dar margem a excessos, críticas agressivas ou xingamentos, e que o ofensor tem o dever de reparar os danos causados.

Entretanto, a reflexão que faço aqui envolve o uso regular das informações pessoais que divulgamos através de qualquer dos meios digitais de comunicação, onde quem lê forma opinião a nosso respeito, e muitas vezes manifesta esta opinião publicamente sem nos ofender ou agredir.

Nossas postagens e publicações, ou as informações pessoais a nosso  respeito, servem para que outros tenham uma imagem sobre nós, permitindo a eles expressar opinião que pode vir contra aquilo que esperamos: em outras palavras, nossa reputação no mundo virtual decorre diretamente da maneira como nos comportamos, daquilo que revelamos ou publicamos, do modo como manifestamos nossas opiniões, das fotos divulgamos, e de outras informações mais que voluntariamente compartilhamos.

Nossa reputação está diretamente ligada à nossa “imagem”, não como retrato ou representação fotográfica, mas sim à visibilidade, ao conceito e aos atributos que se refletem na forma como somos identificados e reconhecidos; acredito que nós somos os primeiros responsáveis por construir uma boa reputação no mundo virtual, e que para sermos vistos de maneira positiva, é necessária uma prévia filtragem daquilo que iremos postar, publicar ou revelar.

Por fim, encerro dizendo que as informações que voluntariamente tornamos públicas para o mundo virtual irão fazer parte de um acervo e permitirão à opinião pública construir um conceito sobre nós; por isto, quando fazemos a prévia seleção delas, antes de publicar ou revelar, estamos exercendo o controle deste conteúdo, garantindo que mesmo sem o seu uso ofensivo, ele sejam usado para nos tornar bem vistos no mundo virtual.

 

EUCLIDES PEREIRA PARDIGNO

EUCLIDES PEREIRA PARDIGNO

Euclides Pereira Padigno é advogado.

E-mail:euclides@pardigno.com
EUCLIDES PEREIRA PARDIGNO

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