NIPPAK PESCA: As três ondas de extinção provocadas pelo homem

E você ainda acreditando no bom selvagem em harmonia com a natureza

 

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Por Marcelo Szpilman *

 

 

A visão romântica sobre o convívio harmônico dos nossos ancestrais com a natureza não passa de uma grande balela. Nós, Homo sapiens, que surgimos como espécie há 200 mil anos na África Oriental, nunca teríamos conquistado a supremacia no planeta sendo “bons” selvagens.

Desde os primórdios, a luta pela sobrevivência e a dura competição de nossos ancestrais pelos recursos escassos que a natureza provia foram uma constante sempre acompanhada pelo risco de morte, seja por fome e frio, por doenças contagiosas, submetidos aos inúmeros perigos naturais ou simplesmente devorados por feras.

Evoluímos a passos mais largos nos últimos 100 mil anos, basicamente por mudanças de comportamento, enfrentando o ambiente adverso como pequenos bandos disputando arduamente os recursos naturais com pelo menos seis diferentes espécies do gênero humano (Homo) e com outros bandos semelhantes de nossa própria espécie.

Nesse ínterim, centenas de espécies que evoluíram lentamente, inclusive tendo sobrevivido às severas mudanças climáticas globais, passaram a se deparar com uma espécie evoluindo rapidamente para se tornar a mais mortífera de todas. Ao longo desse processo, passamos a extinguir diversas espécies de animais, inclusive todos os nossos competidores primatas do gênero Homo o mais famoso deles, há 30 mil anos, foi o Homo neanderthalensis, melhor conhecido como Homem-de-Neandertal.

Ao ler o best-seller Sapiens: uma breve história da humanidade, do brilhante escritor israelense Yuval Noah Harari, que recomendo a todos, me deparei com um texto extraordinário que expressa boa parte do meu pensamento e de meus artigos já divulgados sobre o tema. Permito-me, assim, usar algumas de suas colocações originais para complementar esse artigo, como a divisão das extinções provocadas pelo homem em três ondas.

 

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1ª Onda de Extinção – Fauna Terrestre

A partir da Revolução Cognitiva do Homo sapiens (70 mil anos atrás), quando surgiram novas formas de pensar e de se comunicar e o homem começou a formar estruturas sociais mais elaboradas, sobreveio a Primeira Onda de Extinção provocada pela disseminação dos caçadores-coletores. O planeta de então abrigava cerca de 200 gêneros de grandes mamíferos terrestres (pesando mais de 50 quilos). Passados pouco menos de 60 mil anos, metade já havia desaparecido. Ou seja, muito antes do homem inventar a roda, centenas de espécies já estavam sendo extintas pela ação do “bom” selvagem.

 

 

2ª Onda de Extinção – Fauna e Flora Terrestres

A partir da Revolução Agrícola (12 mil anos atrás), quando o homem começou a manipular e produzir plantas e animais, a disseminação dos agricultores provocou a Segunda Onda de Extinção. Além disso, também há cerca de 12 mil anos, época de povoamento das Américas, o Homo sapiens encontrou mamutes, mastodontes, camelos, tigres-dentes-de-sabre, leões-gigantes, preguiças-gigantes e dezenas de espécies de grande porte. Não demorou mais do que dois mil anos para todas essas espécies desaparecerem pela ação do homem. Nesse curto intervalo de tempo, dos 47 gêneros de grandes mamíferos da América do Norte, 34 foram extintos. Na América do Sul foi ainda pior: 50 dos 60 gêneros da megafauna desapareceram.

Infelizmente, a natureza não teve tempo para se adaptar à rápida ascensão do Homo sapiens. Nos últimos 100 mil anos, o homem passou de presa mediana a predador topo da cadeia alimentar. Outros predadores topo, como os grandes felinos, evoluíram para tal posição muito lentamente ao longo de milhões de anos de evolução. Isso permitiu que houvesse uma adaptação equilibrada e gradativa na natureza, impedindo que tigres e leões causassem predação em excesso. À medida que os felinos se tornavam maiores e mais agressivos, os antílopes e gazelas se ajustavam correndo mais. No caso do predador homem, as demais espécies não tiveram esse tempo para se ajustar e foram extintas.

Para quem não acredita na inconteste contribuição direta do “bom” selvagem, e prefere culpar as mudanças climáticas, nas várias ilhas do Caribe, incluindo Cuba, muitos desses animais só começaram a desaparecer sete mil anos depois de seus congêneres continentais, coincidentemente na mesma época em que os primeiros humanos conseguiram povoar essas ilhas.

 

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3ª Onda de Extinção – Fauna Marinha

A partir da Revolução Científica (500 anos atrás) teve início a Terceira Onda de Extinção, provocada pela extraordinária expansão das atividades científicas, comerciais e industriais da humanidade __ especialmente nos dois últimos séculos. Além da deletéria ação sobre fauna e flora terrestres, que continua até os dias atuais, a Terceira Onda de Extinção atingiu e continua atingindo com grande intensidade a fauna marinha. Apesar da caça à baleia datar de oito mil anos atrás, foi a partir do século XVIII que ela foi-se tornando mais ampla e mais efetiva e diversas espécies quase desapareceram dos oceanos. A “bola da vez” são os tubarões e os peixes comerciais. Nos últimos 40 anos, em função da sufocante ação conjunta da pesca excessiva e da pesca predatória, muitas espécies foram levadas ao processo de acentuado declínio. Mais uma vez, incapazes de se ajustar ao maior e mais perigoso predador do planeta, as populações de tubarões e peixes comerciais estão sendo gradativamente esgotadas.

Recente relatório do WWF alertou que as populações de animais marinhos caíram pela metade (algumas espécies tiveram declínio de quase 75%) desde os anos 1970 em função da pesca predatória, da poluição e do aquecimento global. “A ação do homem está na origem desta tendência: da pesca predatória e das indústrias extrativistas às mudanças no litoral e a poluição, passando pelas emissões de gases de efeito estufa responsáveis pela acidificação oceânica e do aquecimento dos mares. No espaço de apenas uma geração, as atividades humanas degradaram gravemente os oceanos capturando os peixes num ritmo superior ao de sua reprodução e destruindo os berçários”.

Finalizo o artigo copiando ipsis litteris um parágrafo do livro citado: “Talvez se mais pessoas estivessem cientes da Primeira e da Segunda Onda de Extinção, seriam menos indiferentes à Terceira Onda, da qual fazem parte. Se soubéssemos quantas espécies já erradicamos, poderíamos ser mais motivados a proteger as que ainda sobrevivem. Isso é especialmente relevante para os grandes animais dos oceanos. Ao contrário de seus equivalentes terrestres, os grandes animais marinhos sofreram relativamente pouco com a Revolução Cognitiva e a Revolução Agrícola. Mas hoje muitos deles estão prestes a se extinguirem em consequência da poluição industrial e do uso excessivo dos recursos oceânicos por parte dos humanos. Se as coisas prosseguirem no ritmo atual, é provável que baleias, tubarões, atuns e golfinhos sigam os diprotodontes, as preguiças-gigantes e os mamutes rumo ao desaparecimento.”

 

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Coloração: Dorso azul-escuro a marrom-escuro, flancos branco amarelados e ventre branco-prateado. Apresenta cerca de 15 séries verticais de pequenas manchas azuladas no dorso e flancos. A membrana da primeira dorsal é azul-escura, sem manchas. Nadadeiras marrom-escurecidas.

Características: Corpo alongado e pouco comprimido lateralmente. Focinho (maxila superior) prolongado em formato de um agulhão (seção transversal arredondada). Dorsal dupla e separadas. Anal dupla e bem separadas. O ânus está imediatamente à frente da origem da primeira anal. Peitoral falcada. Pélvica curta, menor do que a peitoral, e possuindo 1 espinho e 2 raios. Pedúnculo caudal com duas fortes quilhas dérmicas. Caudal bem desenvolvida e furcada, levemente lunada. As medidas acima se referem às fêmeas, pois os machos são bem menores e raramente ultrapassam 150 kg.

Ocorrência: Nas águas tropicais, subtropicais e temperadas do Atlântico. No Brasil, ocorrem do Norte ao Sudeste. Altamente migratórios, sua ocorrência em determinadas áreas, em certas épocas do ano, é considerada quase certa. Existem evidências de que a coloração da água afete sua ocorrência, pois mostra preferência pelas águas azuis. Podem chegar a 5m e pesar 820kg. O recorde brasileiro na pesca foi um espécime de 636kg.

Habitat: Pelágicos oceânicos, vivem desde a superfície até as águas profundas, mas normalmente preferem as camadas de água mais quentes acima das termoclinas.

Hábitos: São encontrados solitários nadando a meia-água a grandes velocidades. Utilizam longo agulhão para defesa e ataque a suas presas, principalmente peixes pelágicos, crustáceos e lulas.

Captura: Sua carne, considerada excelente e com grande valor comercial, é comercializada fresca ou congelada, porém dificilmente é encontrada nas peixarias. Os japoneses consideram-na uma das melhores carnes para o preparo do sushi e do sashimi. São capturados no corrico e espinhel. É o peixe mais valorizado e estimado pelos pescadores oceânicos. Quando fisgado, luta brava e furiosamente “correndo” para grandes profundidades durante um bom tempo, para depois emergirem poderosamente dando grandes saltos, contorcendo-se ou até mesmo nadando com praticamente todo o corpo fora da água. Vigorosos e incansáveis dão enorme trabalho para serem finalmente embarcados.

Outros nomes vulgares: Marlim azul do Atlântico, espadim-azul (Portugal).

 

 

MARCELO SZPILMAN

MARCELO SZPILMAN

*Marcelo Szpilman, biólogo marinho formado pela UFRJ, com Pós-graduação Executiva em Meio Ambiente (MBE) pela COPPE/UFRJ, é autor dos livros Guia Aqualung de Peixes (1991) e de sua versão ampliada em inglês Aqualung Guide to Fishes (1992), Seres Marinhos Perigosos (1998), Peixes Marinhos do Brasil (2000) e Tubarões no Brasil (2004). Indicado à personalidade 2015 na categoria Sociedade/Sustentabilidade do Prêmio Faz Diferença do Globo, atualmente, é diretor-presidente do Aquário Marinho do Rio de Janeiro, diretor-executivo do Instituto Ecológico Aqualung, diretor do Projeto Tubarões no Brasil, membro do Conselho da Cidade do Rio de Janeiro (área de Meio Ambiente e Sustentabilidade) e colunista do site Green Nation.
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    Texto:Mauro Yoshiaki Novalo
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