NIPPAK PESCA: Incidentes com tubarões

O que se pode fazer?

Por Marcelo Szpilman *

 

 

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O ataque de tubarão sempre leva o tema às manchetes dos jornais, programas jornalísticos e suscita os mais variados comentários e discussões acerca do que se pode e o que se deve fazer, como o fechamento das praias e proibição do banho de mar, a colocação de redes ou telas de proteção e a captura de tubarões com fins de monitoramento e pesquisa.

Apesar de estarmos carecas de saber que foi o próprio homem quem provocou tudo isso (quando falamos de Brasil, mais especificamente de Recife) ao remodelar o litoral de Suape ao seu bel prazer no início da década de 1990, e que teremos que conviver com suas consequências __ e a maior interação entre homem e tubarão, prevalecente fator causador dos incidentes, é a principal delas __, medidas precisam ser tomadas a fim de minimizar incidentes e mortes. Sobre isso não há dúvida. Mas fazer o que?

 

Educação, esclarecimento e prevenção da população – O trabalho realizado pelo Governo de Pernambuco, através do Cemit (Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões), desde 2004, com a implantação de campanhas de esclarecimento, distribuição de folderes educativos e a colocação de placas de alerta e prevenção nas praias, foi muito bem executado e surtiu o efeito esperado __ orientou surfistas e banhistas para evitar locais e horários de maior risco real e diminuiu efetivamente o número de incidentes com tubarões.

Entretanto, por mais que se esclareça e alerte, as pessoas (em especial os adolescentes) têm uma natural tendência a achar que com elas nada acontecerá. Para esses casos, não há medida mais eficaz do que estar preparado para dar o atendimento imediato e correto à vítima resgatada.

 

Qualidade e eficiência do primeiro-socorro à vítima – Os bombeiros guarda-vidas brasileiros estão entre os melhores no resgate e atendimento aos afogados. Fato inquestionável. E seus pares pernambucanos são, além disso, verdadeiros heróis ao se colocarem, sem hesitação, em risco pessoal para resgatar a vítima de ataque que está prestes a se afogar.

Afirmo, categoricamente, que é muito raro um tubarão atacar o ser humano com fins de alimentação. Mais de 90% dos ataques no mundo todo, inclusive em Recife, ocorrem por erro de identificação visual. Uma única mordida investigatória. Assim, caso a vítima não seja resgatada a tempo, a morte se dará por afogamento secundário advindo do choque hipovolêmico provocado pela hemorragia.

Então, se o resgate é apropriado, o que falta? Faltam equipamentos adequados (e treinamento especializado) para executar um eficiente primeiro-socorro e uma rápida remoção, fundamentais em muitos casos para definir se a vítima sobreviverá após ser resgatada (tirada da água).

Essa, entre outras razões, explica por que o índice de fatalidade dos ataques de tubarões em Recife é o mais alto do mundo; 40%, enquanto a média internacional é 13%. Mesmo na África do Sul, a chamada “Costa dos Tubarões”, onde o grande tubarão branco está entre as espécies envolvidas nos incidentes, a taxa de fatalidade é de apenas 12%.

Tomemos o exemplo do estado da Flórida que, apesar de ter quase dez vezes mais incidentes com tubarões do que o estado de Pernambuco, apresenta somente 1% de fatalidade. É isso mesmo. Não escrevi errado. SOMENTE 1% de fatalidade. Lá, os guarda-vidas são constantemente treinados para aplicar de forma correta e eficiente os primeiros-socorros nas vítimas de ataque de tubarão. E, para isso, tem à disposição uma caixa com os mais modernos insumos e equipamentos médicos. Enquanto dão o primeiro atendimento já na areia, imediatamente após o resgate, para conter a hemorragia e estabilizar as funções básicas, um helicóptero pousa ao lado e leva a vítima rapidamente para o hospital mais próximo.

 

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Fechamento das praias e proibição do banho de mar – Todos sabem, há muitos anos, que não há risco de incidentes com tubarões nas áreas protegidas pelos arrecifes naturais (e são muitos). E sabem também que existem épocas do ano e horas do dia em que o banho de mar e as práticas esportivas devem ser evitadas nas áreas desprotegidas por representar maior risco de incidente. Além disso, há dezenas de placas de alerta nas praias sinalizando as áreas de maior perigo.

O número de mortes por atropelamento em Recife (como em todas as grandes cidades) é infinitamente maior. Mas ninguém, em sã consciência, decide fechar as ruas e proibir os pedestres de atravessá-las. Cabe ao estado, tanto no caso dos atropelamentos quanto na questão dos tubarões (como já vem fazendo), promover campanhas de educação, esclarecimento e alerta para que os cidadãos e turistas tenham consciência, discernimento e responsabilidade em seus atos.

 

Colocação de redes ou telas de proteção – Implantar essa medida de proteção tem o seguinte significado: para termos o livre arbítrio de não respeitar as regras e avisos acima descritos sacrificaremos milhares de animais marinhos inocentes todos os anos.

Redes ou telas de proteção, como demonstram experiências em outros países, prendem e matam peixes, tartarugas, golfinhos e outros tubarões que nada tem a ver com os incidentes provocados pelos tubarões das espécies cabeça-chata ou tubarão-tigre.

Fora o enorme custo ambiental, as redes ou telas de proteção exigirão altos custos de vistoria e manutenção que, se não forem bem feitos, poderão provocar a inusitada situação de ter um tubarão entrando na área protegida, através de prováveis buracos, e ali permanecer provocando incidentes.

 

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Captura de tubarões com fins de monitoramento e pesquisa – A captura de tubarões com objetivo real e efetivo de monitoramento e pesquisa sempre foi e continua sendo realizada no mundo todo.

Essa prática é necessária e útil para os cientistas estudarem o comportamento e a movimentação das populações de tubarões. E obviamente, no caso de Recife, isso pode contribuir sobremaneira para prevenir e minimizar os riscos de incidentes.

No entanto, pescar tubarões com o simples objetivo de eliminar as espécies mais agressivas do litoral pernambucano, para com isso diminuir a frequência de incidentes, é um procedimento bastante controverso e vai contra todos os conceitos de sustentabilidade e preservação do meio ambiente.

É mais uma demonstração prepotente do ser humano em acreditar que pode desequilibrar a natureza e depois, com a pretensa tentativa de consertar o dano colateral provocado, sacrificar espécies “problemáticas” que apenas se comportam de acordo com seus instintos. Seria como admitir a eliminação de tigres e leões motivada simplesmente por eventuais ataques e mortes de invasores de seu ambiente natural.

Isto posto, e se me fosse possível definir ações para minimizar incidentes e mortes, definiria que o melhor caminho seria investir recursos consideráveis em duas áreas: 1 – Equipamentos e treinamento para os órgãos responsáveis atuarem de forma mais eficiente nos primeiro-socorros e na remoção; 2 – Pesquisas de longo prazo com o propósito de obter dados científicos seguros que permitam estabelecer intervenções mitigadoras sem grandes impactos no ambiente marinho local.

 

Proteger os tubarões é proteger a vida, é proteger a nós mesmos!


 

 

Vermelho – Lutjanus purpureus

 

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Coloração: Corpo vermelho-vivo na metade superior e vermelho-rosado na inferior. Podem apresentar uma pequena mancha escura na região superior da base peitoral. Os espécimes jovens (até 25 cm de comprimento) apresentam uma mancha escura ovalada abaixo dos primeiros raios da dorsal, que desaparece com o crescimento. Nadadeiras avermelhadas. Caudal com a margem enegrecida. Íris avermelhada.

Características: Corpo moderadamente alto e alongado. A cabeça é comparativamente pequena e seu perfil superior é arredondado. Apresentam uma placa de dentes no céu da boca com formato de “flecha”. Peitorais relativamente longas, alcançando o orifício anal. Nadadeira anal angulosa, com os raios médios mais desenvolvidos. Caudal lunada, com o lobo superior mais desenvolvido.

Ocorrência: Nas águas tropicais do Atlântico. No Brasil, ocorrem no Norte e Nordeste.

Habitat: Nectônicos demersais costeiros e oceânicos de águas relativamente profundas (de 30 a 160 metros), vivem sobre as áreas rochosas e/ou coralinas. Os espécimes jovens podem habitar as águas mais rasas.

Hábitos: São encontrados solitários ou em pequenas agregações quando adultos e em grandes cardumes quando jovens. Alimentam-se de peixes, crustáceos e moluscos.

Captura: Sua carne é considerada excelente e possui grande valor comercial, sendo freqüentemente encontrada fresca nos mercados. No entanto, o nome vulgar “vermelho” é utilizado indiscriminadamente pelas peixarias para denominar espécies desta e até de outras famílias. São capturados com vara de pesca, linha de fundo, espinhel, arrasto de fundo, rede de espera e uma linha de mão especial chamada “linha pargueira”, constituída de uma chumbada com cerca de 15 anzóis iscados com pedaços de sardinha. São apreciados pelos pescadores esportivos e submarinos.

Outros nomes vulgares: Acará-aia, acarapitanga, caranha, carapitanga, caraputanga, cherne-vermelho, dentão, pargo (NE), pargo-cachuco (PE), sacupema, vermelho-dentão, vermelho-do-fundo.

 

 

 

MARCELO SZPILMAN

MARCELO SZPILMAN

*Marcelo Szpilman, biólogo marinho formado pela UFRJ, com Pós-graduação Executiva em Meio Ambiente (MBE) pela COPPE/UFRJ, é autor dos livros Guia Aqualung de Peixes (1991) e de sua versão ampliada em inglês Aqualung Guide to Fishes (1992), Seres Marinhos Perigosos (1998), Peixes Marinhos do Brasil (2000) e Tubarões no Brasil (2004). Indicado à personalidade 2015 na categoria Sociedade/Sustentabilidade do Prêmio Faz Diferença do Globo, atualmente, é diretor-presidente do Aquário Marinho do Rio de Janeiro, diretor-executivo do Instituto Ecológico Aqualung, diretor do Projeto Tubarões no Brasil, membro do Conselho da Cidade do Rio de Janeiro (área de Meio Ambiente e Sustentabilidade) e colunista do site Green Nation.
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