NIPPAK PESCA: Mais uma vitória para os tubarões em Recife

 

Ibama multa integrantes do Propesca por captura de tubarões

 

Por Marcelo Szpilman*

 

 

Além do Ministério Público Federal ter recomendado que o Propesca deixe de capturar tubarões em Recife, podendo ser responsabilizados penalmente por apologia ao crime (link abaixo), o Ibama constatou infração ambiental nas práticas do Propesca e dois de seus integrantes (um surfista aposentado e um engenheiro de pesca) foram multados por crime ambiental.

Essas vitórias são uma clara demonstração de que a movimentação e protesto da sociedade civil organizada e consciente fazem diferença e podem contribuir para que os órgãos públicos, como o MPF e o Ibama, tomem atitudes elogiáveis como essa para proteger animais ameaçados e extremamente importantes para o ecossistema marinho.

Também são bons exemplos coercivos para aqueles que acham que podem desrespeitar a legislação e o bom-senso comum.

 

Link da matéria sobre o Ibama:

http://g1.globo.com/pernambuco/noticia/2013/10/ibama-multa-integrantes-do-propesca-por-captura-de-tubaroes-no-recife.html

 

Link da matéria de 4/10 sobre o Ministério Público Federal:

http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/cidades/geral/noticia/2013/10/04/ministerio-publico-federal-pede-que-propesca-deixe-de-capturar-tubaroes-no-estado-100138.php

 

 

 

Podemos decidir quem deve ser salvo e quem pode ser extinto?

 

Vamos salvar as tartarugas, golfinhos e baleias? Salvemos também os magníficos tigres siberianos. E por que não os simpáticos ursos panda? Em algum momento você se preocupou em saber qual a importância desses animais para a Natureza? Claro que não, e isso absolutamente influenciaria sua decisão de salvá-los. Mas por que então esse mesmo comportamento não ocorre quando o clamor é dirigido a animais menos “simpáticos”, como morcegos e tubarões. Por que essa desigualdade de tratamento?

Somos a espécie que hoje domina o Planeta e temos o poder de fazer o bem ou o mal. Mas será que temos o direito de deixar que a empatia influencie nossa decisão sobre quem deve ser salvo e quem pode ser extinto?

Não cabe discutir ou comparar relevâncias para a Natureza, até porque todos os seres têm o direito à vida e à proteção, mas é importante salientar que, apesar de sua injustificada fama, os tubarões exercem um papel crucial na manutenção da saúde e do equilíbrio da vida nos oceanos.

Nos últimos 50 anos o ser humano vem provocando enorme impacto na vida marinha, com desequilíbrios populacionais e extinção de milhares de espécies. Nossa contumaz arrogância não nos permite perceber que a destruição das teias alimentares dos mares pode, além de liquidar ecossistemas marinhos, influenciar a qualidade do ar que respiramos, já que a maior parte do oxigênio do Planeta é produzido nos oceanos. E o pior de tudo isso é que sabemos exatamente o que estamos fazendo e continuamos a fazê-lo.

Mas não sejamos hipócritas. A Humanidade não teria chegado aonde a arrogância humana chegou e não se sustentaria nos níveis atuais sem a pesca industrial, sem as vastas áreas de agricultura, sem as grandes criações de animais para abate e sem os impactos gerados na produção de energia e bens de consumo. Nossos antepassados e nós mesmos temos nos beneficiado do bem-estar proporcionado pelo progresso. No entanto, quem vem pagando sozinha essa conta é a Natureza.

A falta de controle e uso insustentável dos recursos naturais nos níveis atuais nos forçará, mais cedo ou mais tarde, a dividir essa fatura.

Felizmente, ainda temos a capacidade e o poder de reverter o mal que estamos causando ao Planeta. Ainda temos a chance de tentar viver harmoniosamente com a Natureza.

É importante que se diga, no entanto, que a humanidade não fará nada nesse sentido. Quem faz são indivíduos ou grupos de indivíduos (ONG’s) que agem, lutam ou apóiam as causas ambientais. E não adianta também você pensar que os outros farão isso. Não há mais lugar para o “deixa que eu deixo”. É preciso que você também se envolva na proteção dos ecossistemas e dos seres marinhos. Sem distinção. Sem favoritismo. Sem preconceito.

Salvemos as baleias e tartarugas, mas salvemos também os tubarões da matança cruel. Somente na próxima hora, 15 mil tubarões serão mortos nos mares do Planeta. Boa parte para obtenção de suas barbatanas, em uma ação predatória progressiva, silenciosa e insustentável que ameaça a sobrevivência dos tubarões e a vida no Planeta.

 

 

Baleias amigas

Um estudo divulgado na revista “Behavioral Ecology and Sociobiology” demonstra que as baleias jubarte formam laços de amizade duradouros. Usando técnicas de identificação fotográfica para localizar cada indivíduo todos os anos, os pesquisadores conseguiram averiguar que fêmeas desta espécie reencontram-se anualmente para comer e nadar juntas no golfo de São Lourenço, na costa do Canadá.

Baleias com dentes, como as baleias cachalote, associam-se umas com as outras. Mas acreditava-se que baleias maiores, que filtram sua comida, como as jubartes, eram menos sociáveis. As amizades mais longas registradas duraram seis anos e sempre foram observadas entre fêmeas de idades parecidas e nunca entre machos e fêmeas. A descoberta também levanta a possibilidade de que a pesca comercial de baleias pode ter dispersado grupos sociais dos animais.

 

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Projeto Tubarões no Brasil       –       Instituto Ecológico Aqualung                                                                           Rua do Russel, 300 / 401, Glória, Rio de Janeiro, RJ. 22210-010  Tels: (21) 2558-3428                                    email:  instaqua@uol.com.br             site: http://www.institutoaqualung.com.br

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*Marcelo Szpilman, biólogo marinho formado pela UFRJ, com Pós-graduação Executiva em Meio Ambiente (MBE) pela COPPE/UFRJ, é autor dos livros Guia Aqualung de Peixes (1991) e de sua versão ampliada em inglês Aqualung Guide to Fishes (1992), Seres Marinhos Perigosos (1998), Peixes Marinhos do Brasil (2000) e Tubarões no Brasil (2004). Atualmente, é diretor do Instituto Ecológico Aqualung, diretor do Projeto Tubarões no Brasil, membro do Conselho da Cidade do Rio de Janeiro (área de Meio Ambiente e Sustentabilidade), membro e diretor do Sub Comitê do Sistema Lagunar da Lagoa Rodrigo de Freitas e colunista da Rádio SulAmérica Paradiso FM 95,7 com o boletim ECO PARADISO, em duas edições diárias sobre meio ambiente e sustentabilidade.

 

 

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