NIPPAK PESCA: Mosquito – Aedes aegypti

Este inseto pode causar muito estrago no Brasil e no Estado paulista, onde a dengue no ano passado foi considerado epidemia.

Mauro Novalo

 

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Gostaríamos de iniciar o ano falando de viagens, pescarias e, como planejar para aproveitar o período de férias. Mas por se tratar atualmente de um assunto extremamente importante vamos alertar novamente sobre o perigo que vai representar neste verão, o Aedes aegypti – transmissor da dengue, febre amarela, chikungunya e zika vírus.

Somando-se ao fato da grave crise de falta de água no Sudeste e, consequentemente o ato de estocar água da chuva em reservatórios não apropriados, preocupa demais a previsão que temos sobre a proliferação deste mosquito, por ter justamente o que ele precisa, ou seja, água para a eclosão dos ovos. Além disso, num passeio pelas ruas percebe-se facilmente, prováveis locais que podem servir como reservatórios nesta estação do ano, que tem previsão de chuva para maioria dos dias. Para complicar mais, tem muitos terrenos, prédios e propriedades fechados que junto com o lixo que se ve espalhado pela cidade, podem contribuir para esta situação se tornar mais crítica.

O Aedes aegypti é um mosquito urbano, que vive no interior das residências ou a poucos metros das casas. Isso porque as fêmeas, únicas transmissoras de doença, precisam do sangue humano para fabricar seus ovos.

Tanto o macho quanto a fêmea se alimentam de substâncias que contêm açúcar (néctar, seiva, entre outros), mas como o macho não produz ovos, não necessita de sangue. Embora possam ocasionalmente se alimentar com sangue antes da cópula, as fêmeas intensificam a voracidade após a fecundação, quando precisam ingerir sangue para realizar o desenvolvimento completo dos ovos e maturação nos ovários. Normalmente, três dias após a ingestão de sangue as fêmeas já estão aptas para a postura, passando então a procurar local para desovar.

 

 

Origem

O A. aegypti é originário do Egito. A dispersão pelo mundo ocorreu da África: da costa leste do continente para as Américas e da costa oeste para a Ásia.

 

Características

Este mosquito mede menos de um centímetro, tem aparência inofensiva, cor café ou preta e listras brancas no corpo e nas pernas. A atividade é maior durante o dia, nas primeiras horas da manhã e nas últimas da tarde, mas nas horas quentes pode atacar à sombra, dentro ou fora de casa.

O detalhe é que não se percebe a picada, pois durante o ataque não dói e nem coça.

 

 

Transmissão

Esta transmissão ocorre pelo ciclo homem-Aedes aegypti-homem. O mosquito fêmea pica a pessoa infectada e depois da ingestão de sangue infectado, tem um período de incubação. Após, o mosquito torna-se apto a transmitir o vírus e assim permanece durante toda a vida. Não há transmissão pelo contato de um doente ou suas secreções com uma pessoa sadia, nem fontes de água ou alimento.

 

 

Controle

O seu controle é difícil, por ser muito versátil na escolha dos criadouros onde deposita seus ovos – extremamente resistentes, podendo sobreviver vários meses, até um ano – esperando a chegada de água que propicia a incubação. Uma vez imersos, os ovos desenvolvem-se rapidamente em larvas, que dão origem às pupas, das quais surge o adulto.

O único modo possível de evitar a transmissão é a eliminação do mosquito transmissor. Ou seja, combater os focos de acúmulo de água, locais propícios para a criação do inseto.

Possíveis maneiras de enfrentar estão ainda na fase de testes ou pesquisa, destacando-se a modificação genética de mosquitos (para que produzam proteínas em excesso causando sua morte ou para que se tornem estéreis) liberados na natureza para tentar minimizar a proliferação. Outra pesquisa é da Fiocruz do Rio de Janeiro sobre larvicidas, onde armadilhas com esta pasta são dispostas próximas a criadouros de mosquitos. Ao entrarem em contato com a pasta, se tornam agentes levando a larvicida no corpo para outros recipientes.

Com exceção do estudo que envolve a Fiocruz do Rio de Janeiro, todas as pesquisas visam diminuir a população do inseto. Isso gera mais polêmica entre ativistas, que falam de possível entrada do Aedes albopictus, outra espécie do mosquito, e de mudanças no ecossistema. Os pesquisadores negam.

“A invasão de uma espécie sobre a outra é a mesma coisa que você falar que saiu a vacina de dengue e depois surgiu zika. Não é que surgiu um vírus pior, ele já existe lá. Não tem chance. O mosquito também não é alimento único de uma espécie de pássaro e é urbano, o ecossistema não seria afetado”, diz Margareth Capurro – pesquisadora da USP (Universidade de São Paulo)

No caso específico da dengue os Institutos de Pesquisas seguem num trabalho intensivo para fornecer o mais rápido possível, vacinas que neutralizem de maneira eficaz o vírus. Inclusive já se cogita a aquisição de uma produzida no exterior para distribuição no país.

 

 

Zika vírus

A novidade ruim para este ano é a inclusão da Zika vírus, e a preocupação de até o momento não se ter exame específico para saber se está ou não contagiado. Pela sua provável relação com a microcefalia existe uma preocupação maior com as mulheres grávidas.

A principal orientação do Ministério da Saúde para evitar o contágio é o uso do repelente industrial. O produto, no entanto, não é 100% eficaz. Para o Coordenador dos testes pela vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan, o professor de imunologia e alergia da Faculdade de Medicina da USP, Esper Kallas é taxativo: o repelente industrial é o meio de combate mais adequado ao mosquito, mas não faz ‘milagres’.

De acordo com o pesquisador, produtos anti-insetos como os repelentes de tomada também auxiliam, mas têm a mesma eficácia, por exemplo, de ações caseiras de efeito passageiro como velas ou essências de citronela. “São medidas que ajudam, mas não eliminam o risco da picada”.

O ideal é adotar um conjunto de medidas, iniciado pela erradicação de focos de criadouro do mosquito em sua casa. Roupas compridas, mosquiteiro em berços e tela nas janelas podem ajudar.

A Coordenadora da Sociedade Brasileira de Infectologia e professora da Unifesp, a infectologista Nancy Bellei aponta que nem todos os repelentes industriais espantam o mosquito Aedes Aegypti. “Os repelentes naturais agem por cerca de 20 minutos e evaporam; os repelentes industriais têm duração um pouco maior, mas apenas aqueles à base de icaridina ou picaridina funcionam realmente contra o Aedes”. Os demais repelentes industriais, explicou a infectologista, ou são facilmente absorvidos pelo organismo, ou têm concentrações muito baixas dos produtos ativos permitidos no Brasil.

A Anvisa (Agência Nacional de Saúde) registra repelentes com três princípios ativos diferentes, o DEET, o IR3535 e a Icaridina. A agência alerta que cada repelente tem duração e indicação diferente em relação ao número máximo de vezes que pode ser usado sem prejuízo, sobretudo no caso de grávidas e crianças.

Gestantes do primeiro ao terceiro mês de gravidez, por exemplo, podem usar com segurança repelentes à base de DEET – não recomendados, por outro lado, para uso em crianças menores de 2 anos.

Em crianças entre 2 e 12 anos, explica a agência, a concentração dever ser no máximo 10%, e a aplicação, ser restrita a três vezes ao dia. Concentrações da substância acima desse percentual são permitidas para maiores de 12 anos. Os produtos à base de DEET duram, em média, até quatro horas no corpo.

 

 

Dificuldade no combate

“É um mosquito oportunista, vai acompanhar o homem sempre. Quanto maior o número de criadouros e de pessoas para picar, mais ele vai viver”, diz a bióloga Denise Valle, pesquisadora da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

Para sua proliferação, basta ter água limpa parada, como a água da chuva acumulada dentro de vasilhas. “O Brasil tem áreas de grande densidade populacional onde há muito resíduo espalhado, muito lixo com garrafas pet, sacos plásticos, copos descartáveis”, explica Érico Arruda, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia.

 

 

Como eliminar o mosquito

A maior parte dos criadouros são encontrados em residências. Por isso, campanhas de conscientização da população já estão nas ruas e, agentes sanitários visitam imóveis para encontrar focos de larvas do inseto e exterminá-las com larvicidas e inseticidas mais potentes do que os vendidos no mercado.

Outra forma comum de combater o mosquito é dispersar uma nuvem de inseticida – técnica popularmente conhecida como “fumacê”. Essa maneira, no entanto, não é muito eficiente, pois o componente químico tem de entrar em um espiráculo localizado embaixo da asa. Portanto, o inseto precisa estar voando, algo difícil tratando-se de uma espécie que fica na maior parte do tempo em repouso.

 

 

Proteção

Locais com ar refrigerado afugentam os insetos. Ambientes fechados protegidos com telas nas janelas e portas, mosquiteiros nas camas, contribuem para diminuir o número das picadas. Roupas com mangas compridas e calça, preferencialmente nas cores claras, não usar cores chamativas. Pode-se aplicar o repelente nos mosquiteiros e nas roupas – aliás tem no mercado, vestuário com esta proteção – inclusive bonés ou chapéus com telas de proteção.

Se tiver jardim, mantenha a grama bem cortada e tenha plantas aromáticas, como alfazema e citronela. Lembre-se de deixar os vasos sem água acumulada, limpar as calhas, vedar as caixas de água e manter piscinas limpas e tratadas. Latas, garrafas, baldes e potes devem ser guardados com a boca para baixo. Pneus, em locais cobertos. Lonas, piscinas de criança, aquários e bacias devem ficar longe da chuva. Tampinhas de garrafas, canudos plásticos, latas de alumínio, tudo que possa acumular água deve ser recolhido. Plantas que acumulam água nas folhas devem ter apenas a terra regada. Entulhos ou sobras de obras devem ser cobertos e observar com atenção esta cobertura para também não servir como reservatório. O mínimo de água que acumule é o suficiente para a criação das larvas. Não esquecer o banheiro do fundo – pouco utilizado – jogar cloro ou água sanitária nos ralos além de deixar abaixado a tampa do vaso sanitário.

 

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Fontes: Estudo da Unidade de Alergia e Imunologia do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (Cr-HCFMUSP), Intituto Oswaldo Cruz, Secretaria do Estado da Saúde de São Paulo e Ministério da Saúde.


 

 

Proteja-se! No caso de apresentar os sintomas de qualquer um dos vírus, evite a auto medicação e procure imediatamente atendimento médico.

 

 

Apoio:

BY Aventura     www.byaventura.net.br

EBF Pesca    www.ebfpesca.com.br

Fishing Co    www.stanley.com.br

Karandá     www.karanda.com.br

Maré Iscas    www.mareiscas.com.br

Moro e Deconto   www.morodeconto.com.br

Mustad    www.mustad.com.br

União Pesca   www.uniaopesca.com.br

 

 

 

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