NIPPAK PESCA: Neste verão muito cuidado com águas-vivas e caravelas!

Este ano tem se visto muitos destes nas nossas praias, então sempre é bom saber como agir em caso de acidente.

 

Por Marcelo Szpilman *

 

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Águas-vivas e caravelas vagam pelos mares ao sabor das correntes e ocasionalmente podem provocar acidentes quando banhistas se aproximam e, inadvertidamente, chocam-se contra os tentáculos desses seres. No verão, época natural de reprodução de muitas espécies, formam-se grandes agregações onde machos e fêmeas se encontram. Ocasionalmente, uma corrente marinha pode levar esses animais a se aproximarem das praias e a maior interação com homem costuma provocar um correspondente aumento no número de acidentes.

 

Seguem seis recomendações básicas e úteis sobre como agir nestes casos:

1 – Saia da água e lave o local atingido com água SALGADA. Jamais use água doce.

2 – Não tente remover os tentáculos aderidos esfregando areia ou toalha.

3 – Banhe a região com vinagre por cerca de 10 minutos.

4 – Remova os restos de tentáculos aderidos com uma pinça.

5 – Lave mais uma vez com água do mar e reaplique o vinagre por mais 30 minutos.

6 – Dores e reações inflamatórias reagem bem aos analgésicos e corticoides, respectivamente.

 

 

 

resized_02_caravelaMecanismo Inoculador de Peçonha

Águas-vivas e caravelas são animais peçonhentos de corpo gelatinoso que utilizam os tentáculos orais para caçar suas presas habituais de larvas a adultos de crustáceos e peixes. Esses tentáculos possuem milhões de células denominadas nematocistos, contendo um fio tubular enrolado, que é projetado para fora, e um líquido peçonhento que pode, em função da espécie, provocar grande irritação, intensa sensação de queimadura e paralisia do sistema nervoso central. De quatro tipos, apenas dois deles são capazes de provocar lesões no homem.

O tipo penetrante dispara com incrível força de aceleração um microaguilhão que perfura a pele e inocula a peçonha. O tipo envolvente se enrola nos pelos da pele e, ao esfregarmos ou coçarmos, devido à ação da peçonha já inoculada pelo nematocisto penetrante, estouramos uma pequena bolsa e inoculamos ainda mais peçonha.

O sistema de descarga dos nematocistos é ativado através de reações involuntárias do animal, como os estímulos físicos (pressão ou esfregação) ou químicos (osmose provocada pela água doce). Por isso, as águas-vivas e caravelas são perigosas mesmo depois de mortas.

 

 

Primeiros Socorros

Há muita controvérsia, especulações e opiniões conflitantes com relação aos procedimentos nos primeiros socorros e no tratamento das lesões provocadas pelas águas-vivas e caravelas.  Ainda assim, deve-se atentar para os seguintes aspectos progressivos a serem considerados:

  1. O contato inicial com os tentáculos resulta primeiramente em uma modesta inoculação pelos nematocistos.
  2. Quanto mais tempo o tentáculo permanecer em contato com a pele, mais nematocistos poderão ser descarregados, já que as descargas são contínuas.
  3. Uma substancial quantidade de pedaços de tentáculo é arrancada do animal e gruda na vítima quando a mesma entra em pânico e se debate próximo ao animal.
  4. Os esforços subsequentes da vítima, ainda dentro da água, para desvencilhar-se dos pedaços de tentáculo aderidos, costumam resultar em um considerável aumento nas descargas dos nematocistos.

Trata-se de uma situação realmente difícil, onde a questão “deve-se ou não tentar remover os tentáculos ainda dentro da água?” é levantada com frequência. No entanto, observações e estudos dos acidentes têm resultado em recomendações com maiores possibilidades de sucesso. Assim, ao perceber a sensação de queimadura, a vítima deve esforçar-se ao máximo para manter-se calma e conseguir sair da água o mais rápido possível, devido ao risco de choque e afogamento, sem porém tentar remover com as próprias mãos os tentáculos aderidos. Somente após chegar a terra firme é que haverá a necessidade da remoção cuidadosa dos tentáculos aderidos à pele, sem esfregar a região atingida, o que só pioraria a situação.

 

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Com relação às substâncias efetivas e capazes de desativar as descargas dos nematocistos e/ou diminuir a ação da peçonha, há muitas opiniões conflitantes. Enquanto existem umas poucas com comprovada eficácia, algumas são totalmente inócuas e outras podem até mesmo aumentar a inoculação.

Soluções alcoólicas metiladas como perfumes, loções pós-barba ou mesmo bebidas alcoólicas não devem ser utilizadas, pois em alguns casos podem induzir mais descargas e/ou prolongar a agonia da vítima. Em contrapartida, o hidróxido de amônia diluído a 20%, o bicarbonato de sódio diluído a 50% e o soro do mamão papaia (antiga técnica usada pelos nativos havaianos) têm sido usados com variado grau de sucesso para reduzir a ação da peçonha e desativar os nematocistos dos tentáculos que ainda permanecem grudados no local lesionado. Existem relatos não científicos de que a urina também teria efeito sobre a peçonha. Como não há comprovação médica, seu uso é desaconselhável.

Apesar de ser efetivo para a desativação das descargas posteriores dos nematocistos de apenas algumas espécies, o vinagre (ácido acético de 4 a 6%) é largamente utilizado como inativador dos nematocistos, mas não tem qualquer ação sobre a dor (que costuma diminuir passados 20 a 30 minutos do acidente). O resfriamento do local da lesão, através da aplicação de bolsas de gelo logo após o acidente, pode reduzir sensivelmente a dor local.

Os primeiros socorros e o tratamento com comprovada segurança, e que devem ser seguidos, têm quatro objetivos principais:

  1. Minimizar o número de descargas dos nematocistos na pele.
  2. Diminuir os efeitos da peçonha inoculada.
  3. Aliviar a dor.
  4. Controlar sua repercussão sistêmica.

É importante observar e estar atento para a vítima que é resgatada da água com euforia e grande atividade física e que, de repente, torna-se calma e cooperativa. Esta mudança brusca de comportamento pode significar uma séria manifestação de disfunção do Sistema Nervoso Central (choque neurogênico) advinda do aumento nos níveis de intoxicação sistêmica. A necessidade de reanimação cardiopulmonar, nesses casos, pode ser iminente. A assistência ventilatória e outras medidas de suporte hemodinâmico utilizadas em terapia intensiva podem ser necessárias nos casos mais graves e complicados, que poderão também requerer o mesmo tratamento aplicado para as grandes queimaduras por fogo.

 

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Tratamento

A rotina de tratamento para uma vítima de acidente com águas-vivas e caravelas deve seguir os seguintes passos:

  1. A primeira medida é lavar abundantemente a região atingida com a própria água do mar para remover ao máximo os tentáculos aderidos à pele. Não utilize água doce, pois ela poderá estimular quimicamente (por osmose) os nematocistos que ainda não descarregaram sua peçonha.
  2. Não tente, de modo algum, remover os tentáculos aderidos com técnicas abrasivas, como esfregar toalha, areia ou algas na região atingida.
  3. Para prevenir novas inoculações ao desativar os nematocistos ainda íntegros e também neutralizar a ação da peçonha, banhe a região com ácido acético a 5% (vinagre) por cerca de 10 minutos (as soluções de sulfato de alumínio ou amônia, ambas diluídas a 20%, são alternativas para a falta do vinagre). É importante lembrar que o vinagre não possui nenhuma ação benéfica sobre a dor já instalada pela inoculação inicial.
  4. Remova suavemente os restos maiores dos tentáculos aderidos com a mão enluvada e com o auxílio de uma pinça. Para retirar os fragmentos menores e invisíveis tricotomize o local com um barbeador ou com uma lâmina afiada. Pode-se aplicar antes um pouco de espuma de barbear em spray, lembrando-se de não esfregar a região.
  5. Lave mais uma vez o local com água do mar e reaplique novos banhos de ácido acético a 5% (vinagre) por 30 minutos.
  6. Para remover os nematocistos remanescentes pode-se aplicar no local uma pasta de bicarbonato de sódio, talco simples e água do mar. Espere a pasta secar e a retire com o bordo de uma faca.
  7. A dor é, em geral, controlada através do tratamento da dermatite. Ainda assim, pode-se utilizar analgésicos simples (Novalgina ou Tylenol) nos casos brandos e a morfina quando a dor é mais intensa. Os anti-histamínicos e corticoides orais ou tópicos são úteis para o tratamento das reações inflamatórias do tipo alérgica consulte sempre um médico para orientação.
  8. Havendo reação alérgica/inflamatória, aplique uma camada fina de loção do corticoide betametazona (Betnovat) duas a três vezes ao dia. Nos casos mais graves, utilize anti-histamínicos ou corticoides orais consulte sempre um médico para orientação.
  9. Em caso de infecção secundária, será necessário o uso de antibióticos com amplo espectro, tópico (bacitracina ou neomicina) ou sistêmico (ampicilina + acido clavulânico), de acordo com a gravidade consulte sempre um médico para orientação.

Instituto Ecológico Aqualung – Rua do Russel  300/401-Glória/Rio de Janeiro/RJ  Tel: (21)2558-3428/3429 – 2556-5030 E-mail:instaqua@uol.com.br site: www.institutoaqualung.com.br

 

 

MARCELO SZPILMAN

MARCELO SZPILMAN

*Marcelo Szpilman, biólogo marinho formado pela UFRJ, com Pós-graduação Executiva em Meio Ambiente (MBE) pela COPPE/UFRJ, é autor dos livros Guia Aqualung de Peixes (1991) e de sua versão ampliada em inglês Aqualung Guide to Fishes (1992), Seres Marinhos Perigosos (1998), Peixes Marinhos do Brasil (2000) e Tubarões no Brasil (2004). Indicado à personalidade 2015 na categoria Sociedade/Sustentabilidade do Prêmio Faz Diferença do Globo, atualmente, é diretor-presidente do Aquário Marinho do Rio de Janeiro, diretor-executivo do Instituto Ecológico Aqualung, diretor do Projeto Tubarões no Brasil, membro do Conselho da Cidade do Rio de Janeiro (área de Meio Ambiente e Sustentabilidade) e colunista do site Green Nation.
MARCELO SZPILMAN

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