NIPPAK PESCA: Somos Naturalmente Solidários com Outros?

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Por Marcelo Szpilman*

É possível que você fique desapontado com a resposta à pergunta acima formulada, mas nós seres humanos nunca fomos “naturalmente” solidários com outros, especialmente quando não fazem parte do nosso grupo ou tribo. Apesar de ser um choque para muitos, a solidariedade (natural) é um comportamento de adaptação social com o pragmático objetivo de ajuda mútua para defesa (e sobrevivência) dos membros de um grupo às ameaças externas, sejam elas forças da Natureza, predadores selvagens ou outros grupos disputando o mesmo espaço e as mesmas fontes de alimentação.

Entre os mamíferos, no mundo animal, esse comportamento não é diferente. Sejam leões, lobos, elefantes ou chimpanzés, só há solidariedade e compartilhamento entre os membros de um mesmo grupo, de afinidades ou interesses. O combate, muitas vezes mortal, ocorre entre grupos de uma mesma espécie, competindo pela dominância de território e primazia dos recursos, ou entre membros de um mesmo grupo, competindo pela liderança.

Nós, Homo sapiens, evoluímos enfrentando o ambiente adverso não somente como indivíduos, mas, principalmente, como grupos de famílias ou pequenos bandos disputando os recursos com outros bandos semelhantes de nossa própria espécie. Nessa luta permanente, além da defesa e sobrevivência dos adultos, o cuidado com a prole foi um dos fatores que mais contribuíram para o advento da solidariedade entre os membros de um mesmo grupo. Explica-se: o sucesso do grupo passou a depender essencialmente da sobrevivência e crescimento da prole, que, por sua vez, sofria forte influência da qualidade e intensidade de cuidados dados pelos pais e da solidariedade e compartilhamento dos outros membros do bando.

Ainda que os bandos mais bem sucedidos apresentassem crescimento populacional, como grupos em constante disputa com uma infinidade de outros bandos e ameaças, a sensação relativa de pertencer a uma minoria sempre foi comum a todos. Por consequência, as minorias passaram a se solidarizar entre si como meio de coesão e defesa recíproca.

Não é por outra razão que a solidariedade foi incutida na alma judaica há pelo menos três mil anos. É possível que ela tenha se iniciado com as 12 tribos na Terra Prometida, que lutavam contra seus muitos inimigos, e se solidificado em função das grandes perseguições iniciadas 500 anos antes de Cristo e continuadas ao longo dos séculos de diáspora.

 

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Na idade média, berço do obscurantismo, os ruivos (especialmente as mulheres) eram associados à bruxaria e as crianças ruivas e sardentas costumavam ser relacionadas às forças malignas e bárbaras. Vem dessa época o sentimento de solidariedade entre os ruivos. Até hoje trocam sorrisos quando se cruzam na rua.

Um exemplo mais contemporâneo vem da minha vivência com as motocicletas. Fui iniciado no mundo das duas rodas por meu pai na década de 1970, época em que era muito comum o cumprimento com a cabeça quando dois motociclistas se cruzavam ou paravam no sinal. Como éramos uma tribo de poucos membros, incompreendidos e fechados pelos seres de quatro rodas, havia um forte sentimento de solidariedade entre aqueles que gostavam da sensação de liberdade e vento no rosto. Mas não precisamos ir muito longe para ver esse mesmo sentimento entre taxistas e motoboys, basta que um deles se envolva em um acidente de transito para que muitos parem para se solidarizar e, entre brasileiros quando se encontram enfrentando algum perrengue em terras estrangeiras.

Assim, se realmente “continuamos sendo tribais” faça parte da tribo que trabalha a favor da sustentabilidade e uso consciente dos recursos naturais. Seja solidário, associe-se, contribua, apoie e participe de ações, entidades e projetos atuantes e respeitados por seu verdadeiro trabalho em favor da Natureza.

 

 

Agulha-preta  (Farnangaio)

Hermiramphus brasiliensis

 

 

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Coloração: Dorso azul esverdeado escuro, flancos prateados e ventre claro. Nadadeiras dorsal e caudal mais escuras do que as demais. Lobo superior da caudal, parte da dorsal e ponta da mandíbula alaranjados no peixe vivo. Bico da mandíbula enegrecido. Apresentam uma faixa escura no flanco superior, da base da peitoral à base da caudal.

Características: Corpo alongado e fino. A mandíbula é bastante desenvolvida, com formato de bico (agulha). Dorsal e anal situadas bem posteriormente, perto da caudal que é furcada e possui o lobo inferior mais desenvolvido. A linha lateral está situada junto ao ventre. Possui comprimento médio de 35 cm e peso de 100 gramas.

Ocorrência: Nas águas tropicais e sub-tropicais de todo o Atlântico. No Brasil, são menos comuns no Sul.

Habitat: Pelágicos costeiros e oceânicos, vivem e nadam ativamente próximo da superfície.

Hábitos: Formam grandes cardumes. Com freqüência, nadam com mais da metade do corpo para fora da água e sustentam um nado rápido apenas com o lobo inferior caudal. Alimenta-se principalmente de pequenos peixes e algas marinhas.

 

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Captura: São muito utilizados como alimento em determinadas regiões, como na região do Caribe. No Nordeste do Brasil, o agulha preta é pescado com uma rede de cerco chamada rede de agulha.

O formato de sua mandíbula representa um risco para o homem em duas situações. Na pesca comercial artesanal realizada à noite, os pescadores saem com seus barcos (usualmente jangadas) e ao chegarem ao local da pescaria acendem seus lampiões e lanternas. Em pouco tempo começam a surgir os agulhas que, atraídos pela luz artificial, praticamente se entregam aos pescadores ao pular para cima do barco.

No mergulho noturno, onde é imprescindível o uso de uma lanterna submarina, esses peixes, atraídos pela luz, podem nadar em rota de colisão com o mergulhador que está segurando a lanterna.

Nas duas situações, quem estiver na frente da trajetória do peixe poderá ser atingido em qualquer parte do corpo, inclusive na cabeça, e sofrer sérias lesões perfurantes. A pesca oceânica utiliza o agulha como isca para seus peixes, principalmente marlins e sailfishes.

Outros nomes vulgares: Agulha, agulha-crioula (BA), agulhinha, farnangaio e farnangalho (RJ), ballyhoo (EUA).

 

MARCELO SZPILMAN

MARCELO SZPILMAN

*Marcelo Szpilman, biólogo marinho formado pela UFRJ, com Pós-graduação Executiva em Meio Ambiente (MBE) pela COPPE/UFRJ, é autor dos livros Guia Aqualung de Peixes (1991) e de sua versão ampliada em inglês Aqualung Guide to Fishes (1992), Seres Marinhos Perigosos (1998), Peixes Marinhos do Brasil (2000) e Tubarões no Brasil (2004). Indicado à personalidade 2015 na categoria Sociedade/Sustentabilidade do Prêmio Faz Diferença do Globo, atualmente, é diretor-presidente do Aquário Marinho do Rio de Janeiro, diretor-executivo do Instituto Ecológico Aqualung, diretor do Projeto Tubarões no Brasil, membro do Conselho da Cidade do Rio de Janeiro (área de Meio Ambiente e Sustentabilidade) e colunista do site Green Nation.
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    Há mais de uma década surgiu a ideia de produzir uma cachaça artesanal na região de morraria no Pantanal mato-grossense com características próprias dessa peculiar natureza centro-oestina do Brasil. No início as dificuldades foram muitas, principalmente porque o clima de Mato Grosso é bastante diferente do Estado de Minas Gerais, o que foi preciso algum tempo para revelar o ponto exato de fermentação da cana. Todo o processo de produção, alambicagem, é feita com mão de obra familiar, assim nada é desperdiçado. Elaborado dentro de uma comunidade quilombola, o produto tem selo de registro do P.A.B (Programa SERRA-PANTANEIRAde Artesanato Brasileiro). Serra Pantaneira é uma cachaça selecionada feita em quantidades anuais limitadas e sem fermentação química a fim de manter as tradições históricas da região. Para não alterar o sabor da cachaça, a destilação é processada em alambiques de cobre e não se faz uso da técnica de queimada para colheita de cana. Todo corte é feito de maneira manual. Após o processo de alambicagem, ocorre a separação para qual espécie de madeira a cachaça irá descansar, bálsamo ou amburana. Informações: Murilo Giovaneli (11)98246 0246 e Mateus Stecca (11)98154 5086 site www.serrapantaneira.com.br email: contato@serra pantaneira.com.br Instagram serra_pantaneira

     

     

     


     

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    Texto:Mauro Yoshiaki Novalo
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