OKINAWA: Livro registra um século de presença okinawana no Brasil

A AOKB – Associação Okinawa Kenjin do Brasil, com a presença de personalidades e dirigentes da  comunidade nipo-brasileira, realizou na noite do dia 24, na sua sede social, na rua Tomaz de Lima, 72, no bairro da Liberdade, o lançamento do livro “(1Um) Século de História em Fotos – A Comunidade Okinawana no Brasil”.

 

Professor Akira Miyagi com dirigentes e associados da AEC Okinawa do Ipiranga (foto: divulgação)

Professor Akira Miyagi com dirigentes e associados da AEC Okinawa do Ipiranga (foto: divulgação)

 

Fruto de mais de cinco anos de trabalho de uma equipe de voluntários que visitou todos os pólos de imigração okinawana no país, o livro reúne 384 páginas com muitas fotos inéditas e um suplemento de 66 páginas com a lista dos imigrantes okinawanos que vieram no navio Kasato Maru, o primeiro a trazer imigrantes japoneses ao Brasil.

Na apresentação da obra, o professor Akira Miyagi, coordenador da comissão editorial, destacou os empenhos de Akeo Yogui, presidente do Conselho Deliberativo da Associação Okinawa Kenjin do Brasil, e do deputado estadual Hélio Nishimoto (PSDB), que desde o início sensibilizou-se com o projeto da publicação do livro no Brasil.

 

Registros inéditos – Na sequência, o professor agradeceu a todos os membros da comissão editorial, dirigentes e associados de todas as subsedes, a colaboração na cessão de material, bem como  na participação dos depoimentos, afirmando que foram decisivos na elaboração do trabalho. Detalhando sobre a obra, disse que ela está dividida em sete focos: do Kasato Maru ao dias atuais, e contou que a comissão editorial conseguiu resgatar inúmeros registros inéditos de documentos e fotos que familiares guardaram durante a II Guerra Mundial.

A publicação reúne cerca de 1.500 fotos de familiares do Kasato Maru, do acervo da biblioteca da AOKB e novas fotos descobertas pelos pesquisadores nos últimos cinco anos.

 

Pioneiros – Coube a Rubens Yonamine falar em nome dos descendentes vindos no navio Kasato Maru. No discurso, ele lembrou que metade do contingente de okinawanos que vieram no Kasato Maru, 162 pessoas, imigrou para a Argentina, para tentarem melhor sorte naquele país vizinho. Naquela época, a Argentina estava num período de forte recessão e as condições de trabalho eram muito piores que a do Brasil. Isso fez com que a maioria dos imigrantes retornasse.

“Apenas 58 pessoas lá se radicaram definitivamente”, disse. Os retornados dividiram-se em dois grupos: um que foi para Santos trabalhar na estiva: e outro que subiu o Rio da Prata atraído pelos altos salários pagos aos operários na construção da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, no Estado de Mato Grosso.

Para aqueles que retornaram para Santos, surgiu logo em seguida uma nova frente de trabalho: Eram iniciadas as obras da linha férrea Santos – Juquiá, nas quais todos se engajaram, atraindo outros patrícios, formando-se assim um importante eixo de ocupação ao longo daquela via férrea. .

Aqueles que foram trabalhar na construção da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil sofreram mais, pois tiveram que abrir clareiras pela mata virgem em áreas insalubres e pantanosas.

A grande maioria foi vitimada pela malária. Ao término da construção da via férrea, esses imigrantes acabaram se ficando no atual estado do Mato Grosso do Sul, concentrando-se principalmente na cidade de Campo Grande e seus arredores.

Em São Paulo, mais precisamente na capital, os okinawanos, produtores de hortaliças e legumes, fixaram-se na região de Campo Limpo e Cachoeira, na zona Norte. Era uma região propicia a essa atividade devido sua proximidade com o Mercado Central da Cantareira.

Foi nessa região que se radicou a senhora Ushi Taba, que se dedicou ao cultivo de hortaliças e tubérculos. Essa senhora, imigrante pioneira do Kasato Maru, foi a primeira japonesa a ter uma banca no Mercado Central. Com a entrada da senhora Ushi Taba no Mercado Central, os produtores nikkeis passaram a receber por suas mercadorias um preço justo, o que então não acontecia.

A ação da senhora Ushi Taba – remunerando os fornecedores pelo preço justo, ajudou a reduzir a altura do muro que os separava do restante da comunidade. Todos esses fatos estão registrados no livro que acaba de ser lançado.

 

Emoção – Atendendo a convite da Associação Okinawa Kenjin do Brasil, o engenheiro civil Mário Toshimatsu Miyasato, acompanhado da esposa Amélia, do presidente Seiko Komesu e de um animado grupo de amigos da Associação Esportiva, Cultural Okinawa, do Ipiranga, participou do lançamento do livro.

“Foi muito emocionante ver as fotos, principalmente a da Vila Batista, comunidade de Pedro de Toledo onde eu nasci e viveram meus pais e o meu avô Goro Miyasato”, conta ele.

Segundo Mário Miyasato, o seu pai Toshio imigrou-se na década de 40, pouco antes da 2ª Guerra Mundial. “Ele veio trabalhar na lavoura, no cultivo de legumes e bananas. Como a região ainda tinha muita mata virgem, o seu pai Toshio, com receio, deixou a sua irmã mais velha Haruko em Okinawa, sob os cuidados da avó. Ela só chegou ao Brasil duas décadas depois, já casada e com filhos”.

 

Resgate – Para Mário Miyasato, o livro é um resgate da história desses bravos imigrantes que saíram de um pais tão distante e após inúmeros obstáculos de idioma e de costumes, com muito trabalho, suor e lágrimas, conquistaram o seus espaço e hoje  convivem  totalmente integrados com todos os brasileiros. “Uma bela história que deve contada e repassada para as gerações mais novas”, completa ele.

De acordo com a Associação Okinawa Kenjin do Brasil, o objetivo é que todos os associados recebam o livro “1 Século de História em Fotos –  A Comunidade Okinawana no Brasil” .

Mais informações podem ser obtidas pelos tel. (11) 3106-8822, de segunda a sexta-feira, das 10 às 16 horas, ou pelo site: www.okinawa.org.br

 

 

 

 

Redação

Redação

nippak@nippak.com.br
Redação

Últimos posts por Redação (exibir todos)

Related Post

MEMAI: NOVA EXPOSIÇÃO DE HARUO OHARA NO IMS       Até 08 de setembro, o Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro abriga a exposição Haruo Ohara – Fotografias, com 1...
SOCIAL: 6º Chá Beneficente da Associação Pró-Excep... KODOMO-NO SONO – A Associação Pró-Excepcionais Kodomo-No-Sono realizou no dia 27 de abril, no Espaço Hakka de Eventos, no bairro da Liberdade, em São ...
MÚSICA: ‘Desconhecida’, Maiko Kozakura conquista p... E o público cantou junto com Maiko Kozakura. Em sua primeira – e única – apresentação no país, a cantora criou uma empatia tão grande com o público br...
INTERCÂMBIO: Desenhos de alunos da rede municipal ...   Desenhos produzidos por estudantes de 52 escolas da rede municipal de ensino de Curitiba farão parte da exposição Picture Diary of Environme...

Faça seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *