OPINIÃO: O pescador de águas turvas

 

Kiyoshi Harada*

Como sói acontecer em tudo na vida, na literatura, também, há escritores e escritores.

Há escritor que consegue abordar um determinado tema de forma sintética, com lapidar clareza e singular objetividade para a imediata compreensão do leitor. Escritor desse naipe transmite ensinamentos e conhecimentos novos ao leitor e propicia uma alegria imensa a sua alma cansada, pressionada pela agitação e concorrência acirrada neste mundo globalizado de hoje. Seu texto, além de enriquecer a formação profissional do leitor, aguça e agrada seus sentidos. À medida que vai lendo o texto o leitor sente uma sensação de que está contemplando uma natureza bela e harmoniosa, uma verdejante floresta po­voada de belos pássaros can­tando. Seu olfato passa a sentir o olor de uma flor per­fumada. Enfim, ganha conhecimentos novos e saúde, sobretudo, a mental.

Normalmente esses tex­tos são escritos por pessoa equilibrada, disciplinada, cul­ta e inteligente que sabe dis­tinguir o certo do errado e, por isso, tem sempre uma posição definida acerca das matérias que aborda com singeleza, clareza e objetividade.

Entretanto, há outra clas­se de escritor. Aquele escritor que habitualmente pro­duz um texto rabilongo e sem nexo. Não tem pé nem cabeça, como se diz na gíria. Geralmente, são textos que não têm começo, meio e fim. Ao contrário, são textos recheados de idéias dúbias, confusas, caóticos e contraditórias que mais confundem o leitor do que o esclarecem. O pobre leitor que se deparar com um texto insano da espécie e teimar em proceder a sua leitura até o fim, na vã esperança de encontrar algo de útil nas entrelinhas, além de desaprender ficará deveras estressado. Textos desse jaez, além de nada contribuir para enriquecer os conhecimentos do leitor causam-lhe uma tremenda depressão mental, afetando os seus sentidos. O leitor, à medida que vai tentando entender o confuso texto, passa a ter a sensação de que está diante de uma floresta negra e atroz, pronta para engolir quem dela se aproximar. Ao invés de doces melodias de pássaros cantando tem-se a amarga sensação de estar ouvindo um grunhido, como se algo estivesse sendo mordido ou engolido e o seu olfato passa a sentir o cheiro fétido de pássaros putrefatos.

Enfim, o leitor perde tempo e saúde, sobretudo, a mental.

Quase sempre, textos com os malefícios retroapontados são escritos por pessoa que não tem o dom da sabedoria, ao contrário, nunca sabe discernir o certo do errado, incapaz de fazer uma avaliação crítica dos fatos que o cercam. Por isso, ele nunca tem uma posição definida acerca dos acontecimentos político-sociais. Seus tex­tos refletem necessariamente esse posicionamento dúbio, con­fuso, caótico e amorfo de seu autor.

É o tipo do escritor que pode ser considerado como o pescador de águas turvas de que falava o Presidente Geisel. Uma pessoa sem posição definida que age sempre de forma radical: desfere uma paulada na esquerda e acerta uma cacetada na direita. Não raras vezes, dá uma palmada à frente e desfere um golpe com o calcanhar para atingir quem estiver por trás. Difícil quem estiver por perto escapar ileso. Daí o nosso conselho: fuja do pescador de águas turvas como o diabo foge da cruz.

 

 

Kiyoshi Harada, advogado, professor e jurista com 26 obras publicadas, dentre as quais, Direito financeiro e tributário, na 21ª edição. Acadêmico da Academia Paulista de Letras Jurídicas – APLJ – da Academia Brasileira de Direito Tributário – ABDT – e da Academia Paulista de Direito – APD.

 

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