OS TRÊS SOBREVIVENTES DE HIROSHIMA: Espetáculo é selecionado para o Festival Internacional de Curitiba e mira Guinness Book

A peça “Os Três Sobreviventes de Hiroshima” foi selecionado para a 27ª edição do Festival Internacional de Teatro de Curitiba, o maior festival de teatro do país e o 4º maior do mundo. O evento, que começa no dia 28 de março e prossegue até 9 de abril na capital paranaense, terá cerca de 40 atrações na Mostra Oficial e mais de 300 montagens do Fringe – conceito importado de Edimburgo, na Escócia, e incorporado ao Festival em 1998 e cuja proposta é oferecer um espaço aberto, democrático e sem curadoria.

 

Espetáculo com sobreviventes de Hiroshima será apresentado no Festival de Curitiba. Foto: Jose Rubens Moldero

 

Dirigido por Rogério Nagai, “Os Três Sobreviventes de Hiroshima” conta no elenco com os  sobreviventes/atores Takashi Morita, Junko Watanabe e Kunihiko Bonkohara e será apresentado em Curitiba dentro da programação Fringe nos dias 7, às 20h30, e 8 de abril, às 10h30. Após as apresentações, o público poderá participar de um debate com o diretor.

Segundo Rogério Nagai, será a primeira vez no mundo que o Festival Internacional de Curitiba, que está em sua 26ª edição, receberá sobreviventes da bomba atômica de Hiroshima “compartilhando suas experiências através desse espetáculo”.

“Este ano, o festival não receberá nenhum grupo do Japão e, de certa forma, será uma representação do país de origem também”, destaca Nagai, explicando que os organizadores do evento estão considerando o espetáculo a “cereja do bolo” do festival. “Será um duplo presente para eles, não só com a presença como também com a apresentação”, conta Nagai, que retonará ao palco do festival depois de 16 anos.

“A primeira vez que estive no Festival Internacional de Teatro de Curitiba, em 2001, foi como amador por um grupo de Santos, onde iniciei minha trajetória”, lembra o diretor, que formou-se pelo Teatro Escola Macunaíma em 2003 e protagonizou o quadro “1 dos 3” do Fantástico pela Rede Globo, além de colecionar participações nas novelas “Amigas e Rivais”, do SBT, e “Morde e Assopra” da Globo.

 

Takashi Morita, que completou 93 anos, com Rogério (ao fundo). Foto: Lenise Pinheiro

 

Vaquinha – O “único” incoveniente, explica Nagai, é a falta de patrocínio. Para levantar os recursos necessários para a viagem do elenco, o grupo está com uma campanha de crowdfunding – ou “vaquinha online” –  para viabilizar a viagem à Curitiba. As contribuições, a partir de R$ 20,00, podem ser feitas até o próximo disa 18 pelo link www.catarse.me/OsTresSobreviventesdeHiroshima.

 

Em São Paulo – Antes de levar o espetáculo para Curitiba, os paulistanos poderão ver – ou rever – “Os Três Sobreviventes de Hiroshima” nos dias 18 e 25 deste mês, no Centro Universitário FEI – campus São Paulo, no bairro da Liberdade, sempre às 16 horas, com entrada franca.

Idealizado por Rogério Nagai em 2012, como uma das pesquisas contempladas do Grupo Núcleo Hana de Criação e Pesquisa Teatral – formado “100% por atores nikkeis” – pela Lei de Fomento ao Teatro da cidade de São Paulo, o espetáculo foi apresentado pela primeira vez ao público em 2013.

“Retomamos o projeto no ano passado tornando-o mais teatral do que documental, como foi a primeira montagem”, conta Nagai, lembrando que, no ano passado a peça esteve em cartaz em fevereiro e em agosto. Desde a estreia, a peça já foi vista por quase 2 mil pessoas em locais como Espaço Cultural Cachuera, Centro Cultural Hiroshima do Brasil, Oficina Cultural Oswald de Andrade, Centro Universitário FEI – Campus São Paulo e Fábrica de Cultura da Vila Nova Cachoeirinha, todos com apresentações gratuitas – uma exigência dos sobreviventes/atores.

“Foi um sucesso de público e crítica”, destaca o diretor, explicando que o espetáculo é resultado de um ano de pesquisa e foi desenvolvida a partir da coleta e organização dos relatos dos sobreviventes trabalhando com o conceito de Biodrama – parente do teatro-documentário e rememora a experiência não só do exato momento, como dos dias após a explosão, bem como a imigração para um país totalmente desconhecido dos sobreviventes – o Brasil.

 

Os sobreviventes Junko Watanabe. Foto: Jose Rubens Moldero.

 

Holocausto – “O projeto tem por objetivo colocar em cena experiências e histórias dos sobreviventes de grandes tragédias e genocídios para que nunca mais se repita, propagando a paz e valorizando a vida. O projeto teve início com o espetáculo Os Três Sobreviventes de Hiroshima e atualmente estamos em pesquisa com sobreviventes do Holocausto do qual será a nossa próxima montagem dentro do mesmo projeto. Apesar do espetáculo ser histórico e compartilhar as experiências da boca dos próprios sobreviventes em cena, nós seres humanos ainda não aprendemos com nossos próprios erros. Existem no mundo em torno de 16.000 ogivas  nucleares e com apenas 250 já é suficiente para acabar com toda e qualquer forma de vida na Terra segundo especialistas” comenta Rogério Nagai.

 

Guinness – Segundo ele, em pesquisas recentes não foram encontradas apresentações teatrais nesse formato,  com os sobreviventes em cena compartilhando suas experiências no momento do genocídio, “portanto, o que torna a apresentação única e inédita no mundo todo, sendo que estamos em processo de encaminhar um pedido ao Guinness Book para registro desse fato, tanto em número de apresentações, maior quantidade de sobreviventes em cena, além do intérprete mais velho em cena  –Takashi Morita, que completou 93 anos no último dia 2.

 

Kunihiko Bonkohara em cena: espetáculo mais teatral. Foto: Simone Ezaki

 

Mangá – No dia 25/03, das 14h às 15h os autores do livro “Mangás, Animes e a Psicologia”, organizado pela professora Ivelise Fortim, da PUC-SP participarão de um debate sobre o tema do livro, e continuarão no local para autógrafos até o início do espetáculo.

 

ALDO SHIGUTI

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Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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    Espetáculo: “Os Três Sobreviventes de Hiroshima” – Únicas apresentações em SP

    Roteiro e direção: Rogério Nagai

    Elenco: Takashi Morita (sobrevivente), Junko Watanabe (sobrevivente), Kunihiko Bonkohara (sobrevivente) e Rogério Nagai (diretor).

    Duração: 60 minutos

    Recomendação: à partir dos 12 anos.

    Gênero: Teatro-Documentário

    Quando: Dias 18 e 25 de março (sábado às 16h). No dia 25, haverá o lançamento do livro e debate: “Mangás, Animes e a Psicologia”, das 14h às 15h

    Onde: Centro Universitário FEI (Campus São Paulo)

    Rua Tamandaré, 688 – Auditório – Liberdade (próxima à estação São Joaquim do metrô)

    Tel. (11) 3207-6800

     

    Entrada franca

    Capacidade 280 lugares. Bilheteria abre 1h antes do início do espetáculo.

    Possui acessibilidade.

    Não tem estacionamento no local.

    Sem cafeteria.

     

    Apoio Institucional: Centro Universitário FEI e Associação Hibakusha Brasil pela Paz.

    Apoio Cultural: Nicom, Lorenzetti, Porto Ferreira, Mercearia Sukiyaki, Combinatta decorações, Vizu sublimation e Rita Brafer.

     

     

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