PARÁ: No Japão, Jatene firma contrato de empréstimo de R$ 320 mi e mostra oportunidades de negócios

 

O governo do Pará fechou um ciclo que levou duas décadas para ser concretizado, o projeto de implantação do Bus Rapid Transit (BRT), que integra o novo traçado de vias de trânsito em Belém e mais quatro municípios da Região Metropolitana. O governador Simão Jatene assinou no último dia 4,em Tóquio (Japão), o contrato de empréstimo, no valor de R$ 320 milhões, com a Jica (Agência Internacional do Japão), na sede da empresa, que foi representada no ato pelo vice-presidente sênior, Hideaki Domichi.

 

Simão Jatene assinou contrato de R$ 320 milhões com a Jica para a implantação do Bus Rapid Transit (Foto: Divulgação)

 

Hideaki Domichi enfatizou a alegria de concluir o projeto, “que faz parte do plano do Pará há mais de 20 anos”. Ele fez uma retrospectiva dos problemas do trânsito em Belém, levantados nestes anos de negociação para deslanchar o projeto, o qual considerou, assim como o governador, um marco histórico na nova fase da mobilidade urbana na capital do Estado.

O vice-presidente da Jica lembrou as relações históricas entre o Japão e o Brasil, destacando a grande importância do Pará, onde planeja investir em novos projetos. “No Pará há a terceira maior colônia japonesa do Brasil, atrás apenas de São Paulo e do Paraná, e fico muito feliz em participar dessa cooperação técnica. Espero que as relações entre Brasil e Japão, Jica e Brasil e Jica e Pará continuem”, afirmou Hideaki Domichi.

Simão Jatene disse que a assinatura do contrato representa a concretização de um “sonho antigo”. “Tenho confiança de que tudo irá funcionar”. O governador destacou os resultados positivos que virão com a implantação do BRT, sistema que beneficiará especialmente a camada mais pobre da população, que enfrenta todos os dias as dificuldades impostas pelo transporte público em Belém e municípios vizinhos.

 

Impacto positivo – Em seguida, o governador agradeceu a todos os técnicos que participaram do projeto, e reafirmou que as dificuldades até agora só foram superadas graças à “cooperação entre a equipe da Jica e o povo do Pará”. Jatene ressaltou o impacto positivo que se instala com o projeto, não apenas na ordenação do trânsito, como também na questão ambiental, pois a circulação de meios de transporte como o BRT tem um papel importante no combate ao efeito estufa.

A Jica, durante o planejamento do novo modelo de transporte urbano, simulou o funcionamento desse sistema de transporte, e os pré-estudos demonstraram a diminuição significativa da emissão de gases poluentes na atmosfera. “Eu trago aqui o agradecimento do povo do Pará”, finalizou o governador.

Hideaki Domichi também agradeceu mais uma vez a parceria com o Pará, e disse que em seus 40 anos dedicados aos negócios estrangeiros nunca teve oportunidade de conhecer o Brasil, e que no ano passado veio ao país apenas para tentar um encontro com a presidente Dilma Roussef, pois queria tratar sobre o projeto do governo para implantar o trem de alta velocidade, conhecido como trem-bala, no trecho entre as cidades de São Paulo e Campinas. Ele informou que tem interesse em participar da licitação para execução do projeto, que será lançada em outubro.

 

Pró-Savana – O executivo afirmou que o Brasil é um mercado promissor para negócios e, segundo ele, “em termos de economia o Brasil vai ultrapassar o Japão em 2050”. “Nós queremos construir uma base global, que inclui o Brasil”, declarou Domichi, exemplificando os investimentos que a Jica está fazendo em Moçambique (África), com o projeto “Pró-Savana”, voltado ao desenvolvimento agrícola naquele país. “O Brasil tem um alto potencial agrícola, e temos interesse em implementar ações nesse setor”, garantiu.

Simão Jatene disse compartilhar da visão do executivo da Jica, ressaltando que o Brasil vive um momento especial, marcado por dois fatores: a estabilização da moeda e a consolidação democrática. Segundo o governador, hoje, para o Brasil, a questão do estado supera as questões partidárias, e reforçou a crescente compreensão do país de que é preciso combater a pobreza e a desigualdade.

 

Cidades e soluções – O embaixador brasileiro no Japão, Marcos Galvão, presente ao ato de assinatura do acordo de empréstimo para construção do BRT, expressou o reconhecimento do Brasil a esse tipo de cooperação, pois, afirmou ele, entre os países emergentes é o que possui a maior taxa de urbanização, muitas vezes num crescimento maior do que o esperado ou do que seria razoável. O embaixador ressaltou “a importância humana desse projeto. A Jica tem feito história no Brasil, e agora cria um elo humano entre o Pará e o Japão”. Sobre a alta taxa de urbanização, o diplomata analisou que essa realidade “gera enormes desafios, como o da mobilidade, mas isso, por outro lado, desperta o sentimento de que as soluções para os problemas brasileiros podem estar fora das cidades, em projetos agroflorestais, como em Tomé-Açu (município do nordeste do Pará, onde há uma expressiva comunidade de japoneses e descendentes)”.

(da Agência de Notícias do Pará)

 

 

Governador discute com empresa japonesa investimentos no Pará

 

Durante sua estadia no Japão, o governador do Pará, Simão Jatene, participou de um encontro no último dia 3 com o empresário Masami Ijima, presidente da Mitsui Corporation e do Comitê de Cooperação Econômica Brasil-Japão. Na ocasião, eles discutiram possíveis parcerias para desenvolver projetos em setores de interesse comum. A Mitsui é uma das acionistas da Vale, no Pará, desde 2003, e tem negócios em outros quatro Estados brasileiros há mais de 70 anos.

 

Takao Omae, Marcos Galvão, Simão Jatene e Masame Ijima (foto: divulgação)

 

Segundo Masami Ijima, a expectativa da empresa é “contribuir para o crescimento do Brasil”. Ele fez a apresentação dos investimentos da empresa, como o projeto Amazonas, de alumínio, no qual atua há 25 anos, e mostrou o desempenho como principal acionista da Nipon/ Amazon Alumínio, com participação de 15% de capital, além de 7% da Albrás e 2% da Alunorte. O executivo japonês falou ainda das dificuldades de arcar com os custos de energia da primeira e dos custos com matéria-prima em relação à segunda empresa, para a qual pediu redução de impostos.

Ao pedir apoio do Pará à Vale, o presidente da Mitsui fez a exposição de projetos implantados no Brasil, como o MultiGreen, responsável pela produção de 200 mil toneladas de soja; investimentos em 120 mil hectares de fazendas agrícolas na Bahia; e a produção de dois milhões de toneladas no comércio de grãos no território brasileiro. A empresa ainda está estruturando mais projetos no Pará, como o Terminal Hidroviário no Outeiro, que ainda depende de licença ambiental para fazer a dragagem e criar uma infraestrutura logística.

Masami Ijima destacou ainda o projeto de recuperação florestal ribeirinha desenvolvido com a população Nikkei de Tomé-Açu, no nordeste paraense, e disse que esteve no Brasil, em agosto deste ano, quando encontrou-se com a presidente Dilma Roussef, que havia assegurado pela investimentos R$ 130 bilhões que poderiam ser usados em parcerias público-privadas. Para ele, o tema deve ser discutido com o Pará.

 

Desafios – Simão Jatene lembrou que a questão da energia é um assunto sensível, já em discussão com os ministérios das Minas e Energia e da Indústria e Comércio, “pois o Brasil precisa de energia para crescer”. O governador, que não esconde a preocupação com a tributação do óleo, afirmou que “tudo voltará a ser como antes”. Para isso, informou, já assinou o decreto retornando ao método anterior de ajuda às empresas.

(da Agência de Notícias do Pará)

 

 

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