Para o Coronel Nomura, a palavra ‘sustentabilidade’ é a palavra da moda.

“Sustentabilidade e Meio Ambiente tem deixado de ser mero discurso, para ser um pouquinho de ação”, diz Coronel Milton Sussumu Nomura

Como a maioria dos jovens paulistas que saem do interior e vem para a capital estudar, com ele não foi diferente. Saiu da cidade de Presidente Prudente aos 17 anos de Idade, entrou na Academia de Polícia do Barro Branco na década de 1980. Ingressou sua carreira militar por influência de amigos, começou a se interessar pela Polícia Militar Florestal, quando surgiu a oportunidade de voltar ao interior para atuar na Polícia Militar Florestal, atualmente denominada como Polícia Militar Ambiental. Graduado em Direito, Gestão Ambiental, mestre em Ciência Ambiental pela Universidade de São Paulo (USP) há dezoito meses está no comando de Gestão da Polícia Militar Ambiental do Estado de São Paulo.

Para o Coronel Nomura, a palavra ‘sustentabilidade’ é a palavra da moda. “Mais do que moda, hoje essa questão da sustentabilidade, o tema meio ambiente deixou já de algum tempo, passou por um processo gradativo, no sentido mais amplo, ele tem deixado de ser um mero discurso para ser um pouquinho de ação, isso é importante”, enfatiza. E completa, “há anos no serviço militar ambiental a gente assiste de tudo. O Estado de São Paulo está a caminhar muito fortemente aquilo que a gente chama de conformidade ambiental. A sociedade de uma forma geral, o setor agrícola, setor produtivo, setor industrial e o segmento de serviços hoje já incorporaram muito as práticas de sustentabilidade. Atualmente, a comunidade enxerga a questão ambiental de forma diferente, atribui um grau de importância muito maior, e consequentemente, ele está lutando e trabalhando no tratamento diferenciado nas questões ambientais”.

Segundo o coronel, o aspecto mais importante nas campanhas das empresas em prol da sustentabilidade do meio ambiente é a conscientização das pessoas. “Só terá efeito quando as pessoas se educarem. As empresas têm que investir muito nas pessoas, não se consegue construir ou implantar de uma forma impositiva, ela tem que ser consciente”, adverte.

O militar admite que há muitos problemas, mas garante que o Estado de São Paulo fechou 2011 de todos os registros, todas as verificações de denuncia e vistorias a campo que a Polícia Militar Ambiental executou, 90% atestaram regularidade ambiental. A expectativa para o ano de 2012 é que a instituição  chegue aos 5% a mais com o cumprimento das normas. “Nosso desafio é implementar essas normas, com os critérios que o novo Código Florestal está trazendo, temos que fazer valer a lei. Há temas polêmicos no Código Florestal como as áreas de preservação permanentes, talvez o tema mais polêmico na construção do novo código”, confessa.

Na entrevista ao jornal Nippak o Coronel Nomura destaca o papel da imprensa é fundamental. “Os meios de comunicação já levam essa imagem da Policia Militar muito fortemente de polícia ostensiva e policia preventiva de proximidade, esse é o treinamento dado aos nossos homens, essa é a orientação aos nossos policiais, eles estão treinados para interagir com o cidadão, com a comunidade. Até por que, quem sabe os problemas de um bairro, de uma vila são os próprios moradores, a própria comunidade. O policial demora um pouco para conhecer a região e seus habitantes”, comenta.

“Um fato curioso foi quando foi inserido o Policiamento Comunitário do Sistema Koban, uma referência do modelo da polícia japonesa, que mudou a postura da polícia paulista. O comportamento da comunidade, o olhar do cidadão que antes via em um policial militar como repressor, que antes tinha no policial como só um fiscalizador ambiental em sua propriedade. Hoje o cidadão ver o policial ambiental com outros olhos, não só como o de fiscalizar, mas como o de proteger e interagir em ações comunitárias também. Essa é a nova relação entre a comunidade e a policia ambiental”, explica.

Modelo Japonês – Desde 2008 o Brasil importou do Japão, o Projeto Implementação do Policiamento Comunitário do Sistema Koban coordenado pela Jica, mas só entrou em vigor em novembro de 2011. O objetivo do projeto é fortalecer e disseminar o Sistema Koban de Policiamento Comunitário no Estado de São Paulo, assim como já difundiu e compartilhou a experiência da PMESP para outras 12 unidades federativas brasileiras.

De acordo com o coordenador do projeto, Kimura Nobuyuki, um dos grandes impactos do projeto, pode-se citar o sistema Koban de policiamento comunitário. “Um dos fatores que contribuíram para a redução de 80% nos índices de criminalidade no Estado de São Paulo. Além disso, como um dos impactos não previstos do projeto, pode-se citar o desdobramento que se projeta de agora em diante, com a difusão e inclusão do sistema Koban a países da América Central, inicialmente para Costa Rica, El Salvador e Guatemala, onde haverá um encontro no final deste mês em São Paulo”, comenta.

Durante o processo de avaliação, foi possível constatar o excelente desenvolvimento do projeto em São Paulo, devido ao comprometimento do alto comando da PMESP e ao esforço, empenho e disposição dos policiais, que construíram uma relação de grande confiança com as comunidades locais onde se encontram as Bases. Desta forma, a JICA e suas contrapartes brasileiras se preparam para fazer com que o sistema Koban de policiamento comunitário seja também levado a outros países da América Latina.

Reportagem e Fotos: Luci Júdice Yizima

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