PASSE JR: JR EAST JAPAN RESPONDE AO NIKKEY SHIMBUN

A notícia publicada no Nikkey Shimbun no dia 24 de novembro, de que “só japoneses residentes no exterior não poderão utilizar o Japan Rail Pass (Passe JR) a partir de abril deste ano”, causou grande repercussão na comunidade nikkei. Tanto que o Kenren (Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil) anunciou que enviou petição a JR e demais órgãos do governo japonês. E finalmente, o escritório central da Empresa Ferroviária de Transporte Público Japão Leste S.A. (JR East Japan) entrou em contato com a redação do Nikkey Shimbun esclarecendo os motivos da exclusão.

 

Passe JR, que “japoneses residentes no exterior” não poderão mais utilizar a partir deste ano. Foto: divulgação

 

De início, o JR East Japan estabelece, sobre essa “Revisão da Permissão de Uso do Passe JR”, a premissa de que “o Passe JR é emitido para viajantes estrangeiros que visitam o Japão como turistas”. A empresa alega que, “as circunstâncias se alteraram em anos recentes devido ao surto de viajantes estrangeiros em visita ao Japão” e que “não há padronização internacional de documentação quando se trata de comprovação de status como a da residência permanente, e além disso, as condições exigidas para a obtenção dessa documentação diferem conforme o país”. Ou seja, “essa situação dá causa a reclamações quanto ao reconhecimento ou não da existência (em alguns países) do regime de residência permanente.”

Foram muitas as reações. Durante a reunião dos representantes do Kenren realizada em 24 e novembro, Hiroshi Kawazoe, presidente da Associação da Província de Nagasaki sugeriu que a entidade submetesse petição aos órgãos envolvidos.

“Costumamos visitar o Japão em função das atividades do Kenjin-kai e do Kenren. Algumas vezes, precisamos viajar entre Tóquio e nossas províncias, indo e vindo por diversas vezes. Assim, o cancelamento da permissão de uso do Passe JR nos traz enorme prejuízo. Até pediria que a permissão fosse concedida, quem sabe, a residentes no exterior por mais de 30 ~ 40 anos “, diz ele, acrescentando que “o Kenren precisa apresentar petição à Associação Nacional Japonesa de Governadores de Províncias e ao Ministério de Transportes Japonês. Chegou a hora de a Federação se mexer representando a comunidade japonesa”.

Atendendo ao pedido, o presidente do Kenren, Yasuo Yamada, enviou petição ao Ministério de Transportes e ao Departamento de Turismo do Governo Japonês, inclusive à JR East Japan.

Muitos nikkeis e japoneses residentes no Brasil deverão visitar o Japão durante as Olimpíadas de Tóquio. Estima-se que, apenas o Kenren deva adquirir entre 300 a 400 ingressos para serem distribuídos com pagamento entre os Kenjin-kais associados.

Segundo Yamada, “todos vão ao Japão para realizar turismo, alguns até para visitar a terra natal”. “Se numa mesma família, os pais tiverem nacionalidade japonesa e os filhos não, pais e filhos serão tratados de forma diferenciada. Algumas pessoas nem poderão realizar turismo interno nas Olimpíadas. Provavelmente, muitos desistirão de testemunhar esse momento glorioso do Japão”, explica Yamada.

Kikuo Suzuki, de 76 anos, natural de Chiba,  lamentou a revisão. “Costumo utilizar o Passe quando volto à minha terra natal e aproveito para desfrutar as delícias da minha pátria. Eu me submeti à política nacional japonesa da época e emigrei para o Brasil. Tive uma vida cheia de sofrimento. Queria assim ser recebido no Japão com um feliz   retorno”.

 

Repercussão –  A página de assinaturas colhidas pela “Associação de Japoneses Residentes no Exterior Preocupados com o Passe JR” tinha, em 1 de dezembro, 5 mil assinaturas. A ideia é obter 7500 assinaturas, segundo o jornal Asahi Shinbun de 30 de novembro, que traz também mais críticas dos usuários à revisão da permissão de uso. Consta que algumas pessoas receberam tratamento indelicado nos guichês, na validação do passe, porque “os japoneses residentes no exterior são caso a parte”.

É de se perguntar se o espírito do “omotenashi” (acolhimento), do qual tanto se orgulham os japoneses perante o mundo não seria extensivo a compatriotas.

Pelo jeito,  até parece que o JR quer dizer, com suas explicações, que: (1) – Os japoneses residentes no exterior, tolerados excepcionalmente até hoje, serão excluídos porque houve um “ surto de viajantes estrangeiros em visita ao Japão”; (2) – Se “a concessão de residência permanente varia conforme o país e não é clara”, a responsabilidade por isso cabe aos japoneses residentes no exterior, e todos eles pagarão com a exclusão coletiva da permissão de uso do Passe JR.

 

Bunkyo – Em entrevista ao Jornal Nippak (leia à pag 3 desta edição), a presidente do Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social), Harumi Goya disse que a entidade está “providenciando o envio de solicitação à direção da JR Group (Japan Railway) para que reconsidere a proibição aos japoneses residentes permanentes no exterior de utilizar o Japan Rail Pass (que dá direito a viagens no trem-bala por determinado período mediante pagamento de taxa fixa), a partir do próximo mês de março.

 

(Traduzido do Nikkey Shimbun, com informações do Nippak)

 

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One Comment

  1. simples, se naturalizem brasileiros

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