PERFIL: Yoshiko Asanuma Misawa é uma das nikkeis pioneiras na medicina da USP

Em tempos que a mulher era concebida para prendas doméstica, casar e constituir uma família, a japonesa Yoshiko Asanuma Misawa, deu um salto à frente do seu tempo, e projetou primeiro a sua carreira profissional. Nascida na cidade de Numazu, cidade da província de Shizuoka – Japão, chegou ao Brasil em 1927, aos cinco anos de idade foi morar em Araçatuba na Fazenda 47(não soube informar o nome completo da fazenda). Uma mulher de poucas palavras e muita ação, a doutora Yoshiko superou muitos obstáculos, com sabedoria oriental se formou na Escola Normal quando ainda morava em Araçatuba. Veio para a capital paulista para realizar o sonho de ser médica, prestou vestibular e formou-se na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), sendo uma das nikkeis pioneiras em medicina da universidade. Casou-se e tiveram dois filhos, um é medico e o outro engenheiro. Também escreveu e lançou o livro “Histórias de uma vida”.

 

Yoshiko Asanuma Misawa é uma das nikkeis pioneiras na medicina da USP (foto: Luci Judice Yizima)

 

A doutora Yoshiko relata sobre sua educação e a sua estada na capital foi de muito sacrifício, procurou emprego até como doméstica. “É característico da cultura japonesa e a exigência extrema na educação dos filhos. Com meus os pais não foi diferente, tinha que estudar muito enquanto meus colegas brasileiros brincavam. Por isso sou uma pessoa disciplinada e metódica”, explica. “Meu pai e minha mãe vieram para o Brasil com nove filhos, a convite do meu tio que já estava em uma Fazenda 47, em Araçatuba. Quando vim para a capital estudar medicina minha mãe apoiou, meu pai ficou preocupado, pois era uma época muito crítica para os estrangeiros, principalmente para os japoneses com a situação Shindo Renmei”, comenta.  “Quando cheguei a capital paulista não havia emprego para estrangeiro, então fui para a Avenida Paulista, lá havia uma vaga de empregada doméstica, a senhora que me entrevistou disse que não poderia me empregar, pois era uma moça de fino trato”, recorda.

“No início da minha carreira profissional, lembro-me de situações constrangedoras, a mais crítica foi a de um casal, onde o marido queria que eu fizesse aborto na esposa e apontou uma arma. O desespero do cidadão era tanto, tive muita sabedoria e presença de espírito para convencê-lo a abaixar a arma e desistir da ideia fixa do aborto”, revela. “Por ser ginecologista, muitas mulheres me consultavam, pediam conselhos e sempre falei sobre a importância da mulher profissional, almejando e batalhando como eu, para serem independentes. Como as mulheres estão abraçando a carreira profissional devem continuar no seu objetivo, conciliando com a vida familiar, a educação dos filhos, mas mantendo-se produtiva e independente, sem perder a referência já que Deus fez a mulher para ser o baluarte da família”, conclui doutora Yoshiko.

 

Rotina – A aposentada, apesar de 90 anos idade cumpre e mantém uma rotina dinâmica, dentro das suas limitações, é claro. Acorda cedo, sai da Mooca onde mora e vai para a Liberdade de metrô para a Mahikari três vezes por semana. Por mais de meio século dedicou sua vida à medicina, trabalhou em grandes hospitais como Hospital das Clínicas, seu grande berço de aprendizado, Perola Byton, e teve atividades em seu consultório particular. No final da década de 1980 foi à primeira mulher a ingressar no Distrito 4420 do Rotary Club de São Paulo – Ipiranga onde participa de atividades até hoje.

 

(Luci Júdice Yizima)

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One Comment

  1. Arlete Barrio Hernandez says:

    Além da competência profissional, Drª Yoshiko Asanuma é uma pessoa muito sensível aos problemas dos seus pacientes fazendo não apenas a orientação médica à doença mas também tratando o psicológico dos pacientes de onde vinham muitas causas das enfermidades. Lembro-me das vezes que acompanhei minha mãe Nair Morra Barrio que foi paciente da Drª Asanuma por décadas e de minhas consultas também. Médica inigualável. Obrigada pelo seu trabalho, pela sua atenção e por seu carinho, Dª Yoshiko Asanuma.

    Arlete Barrio Hernandez 03/03/2016

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