POLÍTICA: Agenda econômica, remédios mais baratos e visto para yonseis estão entre as prioridades de Ihoshi

O ano mal começou, mas a comunidade nipo-brasileira já tem motivos para comemorar. Às vésperas de completar 110 Anos da Imigração Japonesa no Brasil – que deve trazer novamente ao país representantes da família imperial em 2018 – a comunidade nikkei acaba de ganhar um reforço de peso com a volta do deputado federal Walter Ihoshi (PSD-SP) à Câmara dos Deputados. Ihoshi, que desta vez, ficará até o final do mandato, em 2018, reconquistou o direito à titularidade como deputado federal pelo Estado de São Paulo com a eleição do também deputado federal Edinho Araújo (PMDB-SP) à Prefeitura de São José do Rio Preto. A posse de ambos aconteceu em 1º de janeiro de 2017. No caso do parlamentar nikkei, para dar continuidade ao seu terceiro mandato, iniciado entre fevereiro e setembro de 2015, quando ocupou a vaga do mesmo Edinho Araújo, então ministro da Secretaria Nacional dos Portos no governo Dilma Rousseff (PT).

 

Ihoshi, que assumiu seu terceiro mandato: “O importante é dar continuidade aos projetos já iniciados”. Foto: divulgação

 

Eleito com 88.070 votos e com trabalhos não só para a comunidade nikkei mas também com projetos direcionados para Marília e região, Ihoshi já elegeu suas prioridades até 2018. “Hoje, a grande agenda do Brasil é, sem dúvida, a econômica. Ou seja, a nossa grande missão será ajudar a tirar o país da recessão. Tudo que estiver ao nosso alcance para simplificar e desburocratizar a vida de quem produz nós vamos fazer do ponto de vista do Legislativo”, disse Ihoshi, acrescentando que 2016 “foi um dos piores anos que o Brasil já teve nas últimas décadas”.

 

Lava Jato – “A recessão deverá persisitir ao longo de 2017, porém, de forma um pouco mais atenuada, mas acredito que uma retomada gradual da economia só acontecerá entre o final de 2017 e início de 2018. Serão dois anos para que o Brasil volte a crescer como antes”, conta o parlamentar, destacando que a crise não afetou somente o bolso dos brasileiros como também causou estragos na política e nas instituições.

Segundo ele, quando o Congresso Nacional retomar as atividades após o recesso, em fevereiro, “ainda sentiremos respingos dessa crise”. “Os trabalhos da Lava Jato ainda devem ter grande repercussão. Não sabemos como esse processo vai terminar, só esperamos que essas investigações sejam concluídas e terminem o mais rápido possível porque, apesar de a operação estar sendo conduzida de forma correta, causa uma sangria muito grande na economia. Espero que os trabalhos do Congresso, como a votação das grandes reformas, não sejam contaminadas pela Lava Jato”, diz Ihoshi, afirmando que “muitos políticos já foram citados na operação e ainda deverão ser investigados”.

 

Serenidade – Para o deputado, o Congresso terá que votar, aprovar e ajudar o Executivo “sobretudo nas medidas econômicas”. “Hoje, a grande crise que as pessoas sentem é a falta de emprego e a falta de perspectivas. Uma crise que também atinge as pequenas cidades, que sentem dificuldades para manter os serviços essenciais à população com a queda da arrecadação e com a queda da atividade econômica”, explica o parlamentar.

“Nossa tarefa será votar os grandes projetos que vão ajudar a impulsionar a economia e também as reformas estruturais, uma nova reforma política e a reforma da Previdência, que, sem dúvida, será alvo de muito debate no Congresso”, conta Ihoshi, afirmando que “o momento é de ter serenidade e de estar atento às ruas”. “É momento de estarmos junto às comunidades e das pessoas que nós representamos para juntos tentarmos fazer o melhor”, justifica.

Paralelamente, Walter Ihoshi também deve dar continuidade aos seus projetos que já estavam em curso, como a proposta de lutar pela redução dos impostos sobre os remédios no país através da Frente Parlamentar Para a Desoneração dos Medicamentos – Frente instalada pelo próprio deputado – além de outros projetos que ele pretende apresentar ainda no início deste ano, como o que diz respeito à redução de custos sobre operações cambiais.

 

Visto para yonseis e 110 anos – Também consta de sua agenda os preparativos para os 110 Anos da Imigração Japonesa no Brasil, que serão comemorados em 2018 – provavelmente com a vinda de algum representante da família imperial. “Como representante também da comunidade nipo-brasileira, nós quremos ajudar, participar e coordenar os trabalhos que já foram iniciados”, destacou, observando que, do âmbito das relações bilateriais, deve retomar a discussão sobre a concessão de visto de longa permanência para a quarta geração de descendentes de japoneses, os chamados yonseis.

Um dos principais apoiadores do movimento articulado pelas cinco principais entidades nipo-brasileiras – Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social), Kenren (Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil), Enkyo (Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo), Aliança Cultural Brasil-Japão e Câmara de Comércio e Indústria Japonesa do Brasil, além do Ciate (Centro de Informação e Apoio ao Trabalhador no Exterior) – Ihoshi já levou o assunto às autoridades japonesas durante a visita que fez ao país nipônico no final do ano passado, quando integrou a comitiva oficial do presidente Michel Temer (PMDB).

“É um diálogo que já foi aberto e que, apesar de difícil tramitação junto ao governo japonês, pretendemos dar celeridade tendo como meta os 110 anos da imigração japonesa”, diz Ihoshi, que também elegeu como meta, ainda no campo das relações bilateriais, colocar o Brasil e o Japão como “grandes parceiros estratégicos”.

“Na verdade, do ponto de vista das negociações bilaterais, o Brasil perdeu muito tempo em relação a outros países, como o Chile, por exemplo, que já assinou um acordo de livre comércio com o Japão. O Brasil também tem todas as condições para se tornar um parceiro do Japão, aliás, o Japão espera esse gesto do Brasil”, conta Ihoshi, destacando que também apoia a política adotada pelo presidente Temer.

 

Ponte para o futuro – “O presidente Michel Temer está no caminho certo para colocar o Brasil no rumo. Ele tem feito o possível para construir o que considero uma ponte para o futuro. O presidente tem trabalhado muito no campo econômico. É verdade que não estamos tendo o resultado em curto prazo que gostaríamos mas o caminho apontado está correto. O Congresso aprovou a PEC do teto dos gastos que ajudará a trazer resultados a médio e longo prazo. Temos ainda grandes reformas estruturais para serem aprovadas, como a que simplifica a legislação trabalhista. Enfim, estão sendo tomadas uma série de medidas que vão ajudar o país a resgatar a confiança dos investidores brasileiros e estrangeiros e, sobretudo, a incentivar e recuperar a confiança da população”, diz Ihoshi, garantindo que “ao longo de sua carreira, o presidente Michel Temer construiu uma base bastante sólida”.

“Apesar do tumulto dos últimos tempos em função da Lava Jato e de outras situações que muitas vezes interferem, o presidente Michel Temer tem tido uma atuação correta e buscado priorizar suas ações. Para isso conta com o respaldo do Congresso Nacional, coisa que o governo anterior não tinha. Espero que ele fique até o final do seu mandato e possa trazer tranquilidade para o país”, concluiu o parlamentar, que reiterou seu apoio ao presidente para que Temer “aprove os projetos importantes que o país necessita”.

 

ALDO SHIGUTI

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Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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    1. por que censuraram meu post?

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