POLÍTICA: Deputados nikkeis falam sobre o país e comentam doações

Diante do cenário de incertezas e que agora tem como alvo o presidente da República, Michel Temer, o Congresso precisa ter tranquilidade e  agir comserenidade. Pelo menos é o que pensam os deputados federais Keiko Ota (PSB-SP)), Luiz Nishimori (PR-PR) e Walter Ihoshi (PSD-SP) ouvidos pela reportagem do Jornal Nippak. Para eles, enquanto o governo se apressa para votar as matérias de seu interesse, as repercussões das denúncias após a delação da JBS deixaram o presidente em uma situação bastante desconfortável.

 

Deputados nikkeis falam sobre situação do país e comentam doações. Foto: Marcelo Camargo – Agência Brasil.

 

“Como ele [Temer] já disse que não vai renunciar ao cargo, tirá-lo a força também não vai adiantar. Então, o melhor que temos a fazer é aguardar o julgamento da chapa Dilma-Temer, que terá início no dia 6 de junho para ver no que vai dar”, disse Luiz Nishimori, que lamentou a situação. “É uma pena porque economicamente o país estava decolando. Precisamos separar as coisas e na área ecônomica ele estava indo bem. Quanto a isso não podemos tirar o mérito”, explicou Nishimori, destacando, principalmente, “os avanços nas reformas da Previdência e trabalhista”.

 

Luiz Nishimori: “O país estava indo bem”

 

Saída honrosa – Apesar do seu partido, o PR, continuar na base do governo, Nishimori afirma que “se tiver algo errado, é preciso ser apurado”. Para ele, porém, o “ideal” seria “uma saída honrosa” já que a abertura de um novo processo de impeachment “seria muito desgastante”. “Temos que pensar no país, acima de tudo, naquilo que for melhor para o momento”, observou Nishimori.

Keiko Ota, cujo partido decidiu, “por unanimidade, apoiar a renúncia do presidente Michel Temer, como forma de acelerar a solução da crise de governabilidade instalada no país”, disse que “a gente também sente muito toda essa situação”. “A sensação que tínhamos era de que a economia estava dando sinais de recuperação. [a delação da JBS] Foi um balde de água fria”, lamentou a deputada, lembrando que, na avaliação da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), o Dia das Mães este ano foi um dos melhores dos últimos tempos.

“Mas estou aqui pela justiça, precisamos ser imparciais e o país tem que ser passado a limpo. O desvio de conduta é incoerente com o século 21. É preciso apurar a verdade, doa a quem doer”, disse Keiko, acrescentando que “temos cerca de 2 milhões de desempregados somente no Estado de São Paulo”.

 

Walter Ihoshi: “Vamos trabalhar para o país”

 

Reformas – Para Walter Ihoshi, a governabilidade de Temer já está comprometida. “O governo terá grandes problemas daqui para frente para votar as matérias de seu interesse”, destacou Ihoshi, afirmando que o governo já estava numa situação difícil para conseguir aprovar os projetos. Apesar disso, Ihoshi afirmou que os 38 deputados que compõem a bancada do PSD na Câmara estiveram reunidos nesta terça-feira e decidiram continuar com o governo.

“Vamos continuar apoiando as reformas, tão necessárias para fazer o país andar. Chegamos a conclusão que o melhor neste momento é continuar trabalhando em prol do pais”, explicou o parlamentar, destacando que “vamos continuar trabalhando pelas reformas e aguardar o desenrolar das próximas semanas, quando o TSE [Tribunal Superior Eleitoral] deverá julgar a chapa Dilma-Temer”. “A palavra de ordem é defender os interesses da população”, disse Ihoshi, lembrando que “até o vazamento do áudio o clima estava favorável na área econômica”. “Resta saber como o mercado vai reagir. Mas, mais do que nunca precisamos ter serenidade”, conta.

 

Keiko Ota: “É preciso apurar a verdade”

Doações – No entanto, a delação premiada dos donos da JBS repercutiu também tanto no Senado como na Câmara dos Deputados. De acordo com o portal Congresso em Foco “um em cada três integrantes do atual Congresso recebeu dinheiro do grupo JBS na eleição de 2014, segundo planilha entregue pelos delatores à Procuradoria-Geral da República e ao Supremo Tribunal Federal (STF)”.

Entre os 167 deputados federais de 19 partidos – e 28 senadores – que teriam sido beneficiados estão os deputados nikkeis Keiko Ota (R$ 136 mil), Walter Ihoshi (R$ 250 mil) e Luiz Nishimori (R$ 400 mil).

Ao Jornal Nippak, Luiz Nishimori disse que “não conheço ninguém da JBS”. “Nem tenho nenhum contato com ninguém de lá e não recebi diretamente da empresa. O que recebi, através do Diretório Nacional do PR, foi tudo registrado, contabilizado e aprovado pelo TRE. Tudo foi feito legalmente até porque em 2014 a legislação permitia a doação tanto de pessoas físicas como pessoas jurídicas”, explicou Nishimori ao Nippak nesta terça-feira.

Nesta quarta-feira (24), em entrevista ao Nippak, Keiko Ota disse que “nunca houve doação direto da empresa”. “Recebi através do partido e a doação está registrada e foi aprovada pela justiça eleitoral, justificou Keiko, acrescentando que “naquela época não havia delação premiada”.

“Estou tranquila e faço questão de esclarecer tudo porque meu mandato é transparente. Tudo que recebi foi declarado”, afirmou Keiko.

Walter Ihoshi, por meio de sua assessoria, divulgou uma nota na qual informa que “o deputado  federal Walter  Ihoshi  recebeu, por  intermédio de seu partido político, doações  para  as  eleições  de  2014,  cuja  origem  depois  foi  identificada  sendo  da empresa de proteína animal, JBS SA.”. Prossegue a nota: “Referida  doação  foi  feita  pelo  partido  político,  sendo  tão  somente  respeitada  as normas e legislações vigentes à época, no sentido de trazer maior transparência à origem  dos  recursos,  não  havendo  qualquer  relação  direta  entre  a empresa doadora e o deputado. O deputado defende ampla e profunda investigação no que tange às ilicitudes que referida empresa tornou pública, com a responsabilização dos eventuais envolvidos em quaisquer ilícitos que venham a ser comprovados”.

 

ALDO SHIGUTI

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Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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