POLÍTICA: Deputados nikkeis veem país dividido e pedem união

Em seu primeiro discurso após ser reeleita, a presidente Dilma Rousseff (PT) disse que entendeu o recado das urnas sobre a necessidade de mudanças. Reeleita com 51,64% dos votos válidos (54.501.118) contra 48,36% (51.041.155) do candidato do PSDB, Aécio Neves, Dilma disse que “algumas palavras e temas dominaram essa campanha”. “A palavra mais repetida, mais falada, foi mudança. O tema mais amplamente convocado foi reforma. Sei que estou sendo reconduzida para ser a presidenta que irá fazer as grandes mudanças que a sociedade precisa”, disse Dilma, que também negou que o país esteja dividido e pediu paz entre todos. “Conclamo, sem exceção, todas as brasileiras e brasileiros a nos unirmos em favor de nossa pátria, de nosso país, do nosso povo. Não creio que essas eleições tenham dividido o país. Entendo que elas tenham mobilizado ideias e emoções, às vezes contraditórias, mas movidas por um sentimento comum: a busca por um futuro melhor para o Brasil”, disse a presidente, que terá como principal desafio recuperar a confiança dos investidores na economia.

 

Reeleita, Dilma Rousseff disse que sabe que está sendo reconduzida para fazer "grandes mudanças" (foto: Agência Brasil / Fabio Rodrigues Pozzebom)

Reeleita, Dilma Rousseff disse que sabe que está sendo reconduzida para fazer “grandes mudanças” (foto: Agência Brasil / Fabio Rodrigues Pozzebom)

 

 

Para Keiko, equilíbrio deu uma "amaciada no ego" da presidente (foto: divulgação)

Para Keiko, equilíbrio deu uma “amaciada no ego” da presidente (foto: divulgação)

 

Se depender dos deputados federais nikkeis eleitos no último dia 5, Dilma deve ter um canal de diálogo na Câmara dos Deputados para promover as tão almejadas mudanças, mas terá também muitas cobranças. O PSB, que no primeiro turno apostou em Marina Silva – depois da morte trágica de Eduardo Campos – e no segundo apoiou o candidato tucano, prefere aguardar para então se posicionar sobre o novo governo que, para a deputada federal Keiko Ota, “terá que andar para frente e governar para o povo”.

“Foi uma das eleições mais democráticas que já presenciei e o fato de ela ter vencido com uma diferença mínima de votos foi importante para nós brasileiros, pois é como se a Dilma tivesse tomado um choque, que certamente fará com que ela reflita sobre a necessidade de fazer um governo diferenciado”, justifica a deputada, destacando que a presidente terá que conquistar a confiança dos eleitores que votaram em Aécio.

“Os eleitores de Aécio querem mudanças e também querem entender porque estão acontecendo certas coisas em seu governo. A Dilma terá que fazer uma gestão firme, forte, mais fraterna e mais solidária. E ela deixou bem claro que quer essas mudanças”, disse Keiko Ota, para quem o resultado da eleição serviu também para dar uma “amaciada no ego” da presidente Dilma.

 

Para Nishimori, é preciso esquecer as mágoas e caminhar pra frente (foto: divulgação)

Para Nishimori, é preciso esquecer as mágoas e caminhar pra frente (foto: divulgação)

 

União – O deputado federal Luiz Nishimori (PR-PR) também destacou que o momento é de união. “O Brasil mais uma vez deu uma lição de democracia, onde todos podem opinar. Foi uma eleição bastante disputada, como nunca vimos antes, mas agora é preciso esquecer as rusgas do passado e caminhar para frente. Cada um tem suas responsabilidades e precisamos começar a trabalhar as questões dos projetos para que o país possa retomar seu crescimento”, disse Nishimori, lembrando que apoiou o candidato Aécio Neves no Estado do Paraná, mas que no cenário nacional o PR faz parte da coligação Com a Força do Povo, integrada por PT, PMDB, PDT, PCdoB, PSD, PRB, PP e Pros. “Não terei nenhuma dificuldade em apoiar o governo”, conta.

 

 

Mudanças – Para Nishimori, que em novembro deve estar embarcando para o Japão com uma delegação formada por empresários japoneses, praticamente “metade do país” mostrou que está insatisfeita com o atual governo e exige mudanças. “O resultado serve de alerta e pede uma reflexão para que ela melhore a administração”, disse Nishimori, afirmando que “passadas as turbulências, temos que ter união”.

“O papel da oposição sempre será importante, pois é fundamental que haja cobranças. Mas agora precisamos esquecer certas mágoas para que o país possa andar. A Dilma certamente viu o que está errado e tentará corrigir para que possamos construir um país melhor”, disse Nishimori, acrescentando que os principais desafios do novo governo serão promover as reformas necessárias e resgatar a confiança na economia.

“Também sou a favor da reforma política. Sou a favor do voto distrital misto, sou a favor do fim das coligações proporcionais para que se diminua o número de partidos, precisamos discutir o financiamento das campanhas e planejar um calendário único, com eleições de vereador a presidente de uma só vez”, explicou o parlamentar paranaense, destacando que “também é preciso dar um basta nessa onda de corrupção”.

 

 

Ihoshi: "Preocupa como a reforma política será encaminhada" (foto: Jiro Mochizuki)

Ihoshi: “Preocupa como a reforma política será encaminhada” (foto: Jiro Mochizuki)

 

Decepção – Para o deputado federal Walter Ihoshi (PSD-SP), apesar do clima de “decepção” por parte dos eleitores de Aécio Neves, o país precisa “voltar a sua vida normal”. “Foi uma vitória bastante apertada, o que demonstra que houve uma divisão. Ficou claro que houve um enfrentamento de duas forças, uma que queria a continuidade – representada pelo atual governo – e outra que exige mudanças”, disse Ihoshi, lembrando que, diferentemente do primeiro turno das eleições, quando constatou um clima de distanciamento, “no segundo turno houve uma maior participação e mobilização”. “No final, essa nova classe média acabou decidindo e optou pela continuidade. Foi um voto de segurança materializado pelas conquistas obtidas”, destacou.

Eleito para seu terceiro mandato na Câmara dos Deputados, Walter Ihoshi explica que a presidente reeleita precisa encaminhar as mudanças prometidas “no primeiro dia de seu novo governo”.

 

Discussão – “Tenho esperança que sua nova equipe, com novos integrantes, possa dar transparência e segurança aos agentes econômicos porque o país precisa continuar avançando”, disse Ihoshi. “O mais importante é fazer com que o país volte a atrair investidores”, assegura o deputado, explicando que é “preocupante” a forma como a presidente pretende encaminhar a reforma política, considerada por Dilma como a “primeira e mais importante” delas “A forma como será adotado o encaminhamento, através de plebiscito, é que preocupa. Precisamos promover uma ampla discussão no Congresso”, disse Ihoshi, lembrando que a partir de 1º de janeiro de 2015, o PSD, que nessa eleição apoiou a candidatura de Dilma Rousseff, deixará de desempenhar um papel independente na atual Câmara dos Deputados para integrar o governo.

 

(Aldo Shiguti)

 

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