POLÍTICA: Devolução de casarão leva dirigentes da Associação Japonesa de Santos à Brasília

Mobilização visa a entrada da votação do projeto de lei que autoriza o ato na pauta da Câmara dos Deputados.

Reunião contou com a presença do Embaixador do Japão no Brasil.

Sede da entidade foi confiscada há mais de 70 anos, por conta da Segunda Guerra Mundial.

 

 

Dirigentes da associação estiveram reunidos em Brasília com o embaixador e deputados nikkeis. Foto: Associação Japonesa de Santos

Dirigentes da associação estiveram reunidos em Brasília com o embaixador e deputados nikkeis. Foto: Associação Japonesa de Santos

 

Uma comitiva da Associação Japonesa de Santos esteve em Brasília nesta terça-feira (05), em novo esforço para a devolução definitiva do imóvel de sua sede, o casarão da rua Paraná, confiscada após a Segunda Guerra Mundial. A mobilização visa a entrada da votação do projeto de lei que autoriza o ato na pauta da Câmara dos Deputados.

A proposta, elaborada pelo então deputado Koyu Iha, tramita no Congresso Nacional desde 1994 e foi retomado por iniciativa do deputado federal João Paulo Papa (PSDB/SP). A comitiva esteve juntamente com o parlamentar em uma reunião com o primeiro secretário da Mesa Diretora da Câmara, o deputado federal Beto Mansur (PRB/SP).

O pedido de celeridade contou com o reforço do Embaixador do Japão no Brasil, Kunio Umeda, que também participou do encontro nas dependências da Câmara. O projeto de lei já passou pelo Senado Federal e, caso colocado em pauta e aprovado em plenário, o texto seguirá para sanção presidencial.

Os deputados federais Keiko Ota (PSB/SP) e Luiz Nishimori (PR/PR), também integrantes da comunidade nipo-brasileira, participaram da reunião em que foi enfatizada a importância deste projeto para a comunidade santista, bem como para os japoneses e seus descendentes.

Em maio, representantes da Associação se encontraram com o Cônsul Geral do Japão em São Paulo, em que discutiram a possibilidade de apreciação e aprovação do texto, demonstrando a importância do assunto. A comitiva deixou o encontro com a intenção dos parlamentares presentes na reunião em colocar o projeto de lei, que já tramita em regime de urgência, na ordem do dia para a apreciação do plenário da Câmara dos Deputados.

 

Dirigentes da Associação Japonesa de Santos estiveram reunidos com o embaixador e deputados. Foto: divulgação.

Dirigentes da Associação Japonesa de Santos estiveram reunidos com o embaixador e deputados. Foto: divulgação.

 

 

Breve histórico do imóvel

 

A Associação Japonesa de Santos é sucessora da antiga Sociedade Japonesa de Santos, cujos primeiros registros datam de 1929 em uma escola mantida para ajudar no ensino dos descendentes de imigrantes. A escola e a antiga entidade funcionavam em um casarão adquirido com o apoio do governo japonês na Rua Paraná, 129, no bairro Vila Mathias.

No início da década de 1940, a eclosão da Segunda Guerra Mundial e as medidas nacionalistas do Estado Novo fizeram com que a Sociedade Japonesa de Santos mudasse seu nome para Sociedade Instrutiva Vila Mathias, para evitar prejuízos ao processo educacional da escola da comunidade nipônica.

O Brasil ingressou na Segunda Guerra Mundial junto aos grupo de países Aliados, que eram adversários do bloco do Eixo, o qual o Japão fez parte. Um decreto federal obrigou os japoneses e outros imigrantes das nações do Eixo a deixar a cidade – considerada área de segurança nacional – em um período de 24 horas. As atividades culturais e educacionais da entidade foram suspensas.

Após o fim da guerra e com uma minúscula quantidade de imigrantes japoneses em Santos, um outro decreto federal dissolveu as sociedades civis de imigrantes dos países do Eixo e transferiu o patrimônio destas entidades ao Governo Federal. Com isso, a Sociedade Japonesa de Santos foi dissolvida, e o casarão onde funcionava a escola na Rua Paraná foi incorporado ao patrimônio do governo brasileiro.

Em 2006, a Secretaria de Patrimônio da União permitiu o uso do imóvel para as atividades da Associação Japonesa de Santos e, em 2008, o casarão foi reinaugurado com a presença do príncipe Naruhito, durante as comemorações do Centenário da Imigração Japonesa. Hoje, o espaço recebe eventos, cursos e atividades culturais, além de manter o ensino da língua japonesa em uma escola com mais de 100 alunos.

 

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