POLÍTICA: Nomura deixa liderança do governo na Câmara Municipal para se dedicar a ‘projetos políticos’

Reeleito nas eleições municipais em 2016 para seu sexto mandato na Câmara Muncipal de São Paulo com  41.954 votos, o vereador Aurélio Nomura (PSDB) confirmou à reportagem do Jornal Nippak que deixará a liderança do governo na Câmara Municipal de São Paulo para se dedicar a “projetos políticos”.  Por enquanto ele não confirma, mas a ideia é disputar uma vaga na Assembleia Legislativa. “Pela proximidade com o prefeito [João Doria], existe uma possibilidade de trabalharmos juntos. Acredito que a parceria que nós temos é extremamente sólida. Tenho um grande respeito por ele e a convicção que, onde quer que ele for, fará sem dúvida nenhuma um grande governo. E precisará de pessoas que o apoiem e aí me coloco à disposição dele para que a gente possa avançar conjuntamente, para que possamos modernizar e melhorar a qualidade de vida da população”, disse Nomura, que deixará sua função na próxima segunda-feira (19). Em seu lugar assume o vereador João Jorge, presidente municipal do PSDB. Para Nomura, o período que atuou como líder do governo de Doria foi bastante produtivo. Confira a entrevista concedida ao Jornal Nippak em seu gabinete, no último dia 8.

 

Aurélio Nomura confirma que deixa a liderança do governo por ‘projetos políticos’. Foto: Aldo Shiguti

 

ALDO SHIGUTI

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Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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    Jornal Nippak: Por que deixar a liderança do governo em um ano com discussões importantes como as desestatizações e a reforma previdenciária municipal?

    Aurélio Nomura: Bom, na realidade com relação às desestatizações acho que mais de 70% do processo do programa municipal nós já conseguimos aprovar. Faltaram ainda algumas questões, como, por exemplo, o PIU (Projeto de Intervenção Urbana) do Anhembi e de Interlagos e faltou também a complementação das concessões dos Mercadões. Temos também um avanço que tem que ser discutido com relação à questão do Fundo Municipal Imobiliário, que parou porque há necessidade de detalhamento de todos os terrenos que iriam para o fundo, mas de uma maneira geral o programa já foi praticamente concluído. Com relação à questão da previdência, essa matéria já vendo discutida desde o ano passado.

    Internamente, em nível de governo, chegamos a várias posições como no sentido de colocarmos dois projetos de lei utilizando um já em andamento, do ex-prefeito [Fernando] Haddad, que será readequado, e outro projeto criando uma previdência complementar para os funcionários. Já tivemos essa discussão em janeiro num seminário capitaneado pelo vereador Caio Miranda (PSB), que será o relator deste projeto. E temos outros projetos relevantes para serem votados como o da readequação do plano diretor estratégico da lei de uso e ocupação do solo. Acredito que basicamente esses são os projetos mais importantes do governo.

     

    Vereador Aurélio Nomura, que deve deixar a liderança do governo nos próximos dias:projeto político. Foto: Aldo Shiguti

     

    J.N.: Ou seja, o senhor deixa o cargo com os projetos já encaminhados…

    A.N.: Tenho um projeto político este ano que me impede de ter um aprofundamento como gostaria. Temos um ano de eleição pela frente e o governo pretende votar todos esses projetos no primeiro semestre. Portanto, vamos ter que correr bastante. Estamos em fevereiro e acredito que essas discussões jão vão começar em março. Então, teremos março, abril, maio e junho. Teremos quatro meses para aprovar esses projetos relevantes. É claro que vou estar à disposição do partido. Tanto que estou sendo cogitado para presidir a Comissão de Constituição e Justiça, que é a comissão mais importante da Casa justamente para ajudar a implementar essas discussões.

     

    J.N: Para o senhor, nesse período de um ano como líder do governo na Câmara Municipal, quais foram suas principais conquistas?

    A.N.: Olha, acho que conseguimos vários avanços. A gente começou com aquela questão da pichação. Se você for olhar para a cidade você vê que houve, realmente, uma diminuição muito grande com relação à questão das pichações. A cidade ficou mais limpa. Houve uma conscientização daquelas pessoas que entenderam que a pichação não representa arte nenhuma ao contrário das gravuras e de outras expressões artísticas. As pichações representam simplesmente um vandalismo. Isso foi implementado pelo governo e hoje o resultado solta aos olhos. É só olhar a cidade de São Paulo. Aquele volume de pichações quase não existe mais. Nós também trabalhamos com aquela questão do plano municipal de desestatização, votamos o projeto mãe onde se cria o conselho municipal, se cria as prioridades para investimentos na educação, na saúde, na mobilidade urbana, na habitação e na assistência social.

    Nós votamos a privatização do Pacaembu, nós votamos a concessão do Anhembi, tivemos aquela questão da concessão dos terminais de ônibus, tivemos a condição do bilhete único, votamos a PPI que num momento muito dificil foi extremamente importante, votamos concessões para implementação do Sesc Ipiranga e outro na zona Leste e de dois imóveis destinados à Universidade Federal. Enfim, tivemos uma ação extremamente grande. Conseguiimos autorização da Câmara de quase R$ 1,5 bilhão [na verdade, R$ 1,395 bilhão] para a Prefeitura aplicar em diversas áreas.

    Estive visitando o secretário Poit [Wilson Poit, secretário de Desestatização e Parcerias da Prefeitura de São Paulo] e ele mesmo fala que deixamos a Secretaria dele atolada de serviço. Estão trabalhando 24 horas para efetivamente colocar aqueles projetos que foram aprovados – em tramitação, em fase de licitação, concessão, parcerias… Enfim, já resolvemos uma grande parcela das propostas do prefeito de São Paulo que estavam atreladas a esses projetos. Conseguimos destravar várias ações como em relação a essa questão da PPI da Iluminação Pública.

    Acredito  que agora a coisa vai acontecer com mais facilidade, o que vai mudar a cara de São Paulo pois vamos trocar toda a iluminação por iluminação de led. Em relação à saúde, os dados informados pelo secretário nos dá uma condição de que não há mais necessidade de concessões, apesar que vamos ter outras três concessões, mas o número de pessoas e equipamentos é suficiente. Precisamos administrar um pouco mais. Havia necessidade de alguns recursos vindo do Banco Mundial para que nós pudéssemos fazer algumas readequações. Para se ter uma ideia, tem o raio-x no hospital mas com apenas dois operadores.

    Então o equipamento só funcionava durante o dia, ou seja, naqueles horários que eles estavam. Ou então, não tinha médico e não funcionava, o que deixava aquele equipamento inoperante por cinco ou seis dias. Há a necessidade de se fazer uma readequação e é isso que se buscou e está se buscando. E agora com a complementação de recursos, que já foram solicitados nós temos condições de implementar efetivamente essa racionalização que nós temos dentro da saúde. Em relação à educação nós conseguimos aprovar quase R$ 300 milhões para investimentos para complementação.

    É um dinheiro que será utilizado  para o término daquelas construções que se iniciaram com relação aos CEUs, EMEIs,e creches, além de reequiparar esses equipamentos. Ainda ficou sob minha responsabilidade, mesmo deixando a liderança de governo, a readequação do projeto das antes de celulares. O projeto e a lei das antenas estão defasados. A lei é de quase 15 anos atrás, quando os celulares pareciam um tijolão. E as antenas também eram desse porte, tinham no mínimo de 10 a 15 metros. Hoje elas não chegam a ter um metro. São pequenas e fáceis de serem instaladas mas não podem ser instaladas devido a lei. E a gente vê que em São Paulo existem muitos lugares onde a Internet ainda não chega e o telefone não funciona. Com essa condição de implantação, de troca e a possibilidade de ter um avanço tecnológico, a associação das empresas de telefonia asumiram um compromisso que no prazo máximo de um ano nós resolveríamos todos esses problemas que temos em relação à comunicação via Internet, via telefones celulares.

    Além disso, existe já acordada – só falta celebrar através da assinatura desse projeto que está em tramitação – uma condição de que essas empresas, através de um termo de ajuste com relação às multas que são colocadas, destinarão cerca de R$ 50 milhões para investimentos em equipamentos municipais. É muito claro, é só ver as Prefeituras Regionais, os postos de saúde, os hospitais e as escolas a falta e a necessidade que eles têm de uma readequação em seus equipamentos. Então, acho que a gente ganha e ganha muito, mas principalmente, a gente integra a sociedade principalmente naquelas áreas onde a Internet não chega. Dá um upgrade na cidade e ao mesmo tempo permite uma condição de integração.

     

    “Tenho um grande respeito e admiração pelo prefeito”, diz Nomura. Foto: Aldo Shiguti

     

    J.N.: Então, ser líder do governo dá muita visibilidade mas também exige muito jogo de cintura…

    A.N.: Para você ter ideia, a gente vai tratando de diversos assuntos ao mesmo tempo. Quando ele chega aqui na Casa, nós já tivemos várias reuniões discutindo com essas entidades. E a entidade espera uma aprovação desse projeto, a tramitação para implantar em todo Brasil, porque a partir do momento que for constatada e aprovada na cidade de São Paulo será referência no país interiro. Então toda essa rede será uma rede que irá integrar todos os rincões da cidade de São Paulo. Faz lembrar aquele pretenso terreno do Lula em que foi instalada uma antena gigantesca mas não pegava sinal de celular. Hoje temos uma facilidade de incorporar novas tecnologias independente de aprovação de leis, apenas com uma aquiescência da admistração pública. O que é um avanço.

     

    J.N.: Até por ser líder do governo, o senhor criou uma relação muito sólida com o prefeito João Doria, que está sendo cogitado para disputar a sucessão do Alckmin. Caso ele confirme sua intenção de se candidatar o senhor o acompanharia?

    A.N.: Nesse período tive uma proximidade muito grande e criei uma admiração muito grande pelo prefeito. Participei de inúmeras reuniões, inclusive daquelas reuniões com toso os secretários, de 6 a 7 horas, onde cada um expunha suas opiniões e eram cobrados. Acho que nós, efetivamente, precisamos de pessoas como ele. Há a necessidade da  modernização da máquina, nós precisamos de novas ações, uma nova visão e esse casamento, da visão empresarial com a governamental vem coroando o sucesso. Há a necessidade de nós diminuirmos o tamanho da máquina. Nós precisamos trabalhar com o essencial. O pais está passando por momentos extremamente difíceis, frutos dessa pressão que tinha de políticos para pegar cargos e aí usufruir desses cargos para vantagens indevidas. Há necessidade de nós recompormos essa questão e aí a diminuição da influência política é de fundamental importância. E tá aí a redução, pela dificuldade que nós temos, do governo ficar como órgão de induzir políticas públicas dentro dessas outras áreas. Isto é, trabalhar como um facilitador. Acredito que nós devemos ater na saúde, educação, moblidade, habitação, segurança pública de uma maneira mais ampla. Precismos  reduzir ainda mais as ações do governo para possiblitar o atendimento geral. Precisamos melhorar as qualidades das escolas, melhorar os salários dos professores e em escolas para que elas caminhem com a evolução. Infelizmente são poucas as escolas que têm condições de oferecer essa tecnologia, uma condição para os alunos de forma a resolver esses problemas.

     

    J.N.: Quanto ao vereador….

    A.N.: Nessa particpação que tive no governo, tivemos conversas principalmente com os prefeitos de cidades próximas, tivemos diversas discussões que envolvem não só a Prefeitura de São Paulo. Muitas vezes a questão envolve outras cidades e rm outras uma legislação federal ou estadual. O caso do Uber é um caso típico. O prefeito tentou, dentro de uma posição, adequar dentro da legislação existente, permitir a utilização do aplicativo desde que esses carros fossem registados no domicilio, aqui na cidade de São Paulo.

    A maioria, ou boa parte desses carros vem com chapa de Curitiba. Interessante que a própria policia fazendária, tempos atrás, começou e a chamar todos os moradores que tinham carros com chapas de outras cidades para se justificarem porque isso configurava um desvio de inadequação com relação à questão legal. Em São Paulo, nós precisamos implementar, o mais rapido posível, essa questão da Regiçao Metropolitana da cidade de São Paulo. São Paulo tem alguns trechos abandonados por conta disso. Não um casamento sequer a mobilidade urbana. Para poder fazer uma ponte é preciso fazer um convênio. Se você está integrado, o porque disso? Há necessidade de se ter um profundamento dessa discussão. Os órgãos federais não conversam com o município. O aeroporto de Congonhas, por exemplo, deveria ter uma licença ambiental e não tem. O aeroporto não só está dentro da cidade de São Paulo como tem uma interferência medonha, mas nós não podemos opinar. Há necessidade de discutirmos junto com o governo do Estado as ações que tem que ser feitas em parceria. É isso que não entendo. Tenho sentido que não se conversa. Prefeitura e União menos ainda. Então, há necessidade de buscarmos através de uma região metropolitana da cidade de São Paulo, exigir que as autoridades  venham discutir. Chamar os políticos que foram eleitos  pela cidade de São Paulo e pela região metropolitana, que venham aqui e que pareticipem da discussão, o que não vejo. Não vi nenhum debate no Congresso Nacional ou na Assembleia Legislativa falando a respeito da região metropolitana da cidade de São Paulo. Vejo pessoas participando de eventos. Vão para a inauguração, mas os problemas sérios que deveriam estar discutindo a nível estadual, federal e municipal e a nível interestadual, não vejo um deputado abrindo a boca. Há necessidade de termos essa parceria. E exigir, seja do prefeito, do governador ou do presidente da República, respeito e ação dentro dos problemas que nós temos aqui, como por exemplo, na região metropolitana da cidade de São Paulo.

     

    J.N.: Buscar novos desafios, é um caminho natural depois de ser eleito para seu sexto mandato com cerca de 42  mil votos, ter sido líder da bancada e agora líder do governo?

    A.N.: É verdade. Já cumpri o que nós tínhamos que fazer aqui na nossa cidade. Trabalhei no projeto que gostaria de trabalhar, com o Plano Diretor Estratégico. Conseguimos colocar muitas adquações e sugestões feitas por associações de moradores e técnicos especializados na área de urbanismo. Acredito que essa questão de planejamento já foi em tese resolvida como nós vamos ter uma readequação ainda esse ano. Mas acredito que há necessidade de buscarmos novos desafios com relação a uma ação política. E porquanto ainda estou avaliando. Estou sentindo que nós precismos nos aprofundar dentro de uma ação um pouco mais apliada.

     

    J.N.: Isso seria na esfera estadual, federal…

    A.N..: Olha, acredito até pela proximidade com o prefeito, existe uma possibilidade de trabalharmos juntos. Acredito que a parceria que nós temos é extremamente sólida. Tenho um grande respeito por ele e a convicção que onde quer que ele for, fará sem dúvida nenhuma um grande governo. E precisará de pessoas que o apoiem e aí me coloco à disposição dele para que agente possa avançar conjunatmente, para que possamos modernizar e melhorar a qualidade de vida da população.

     

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    One Comment

    1. Felicidades a Aurélio Nomura san em sua trajetória construtiva!!! Parabéns pelo dedicado trabalho nos 6 mandatos da Câmara Municipal de São Paulo!!!!
      Teruko Okagawa Monteiro

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