POLÍTICA: Para William Woo, ‘o que se vê hoje é um país dividido’

O processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) deflagrado no último dia 2 pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), acatando pedido formulado pelos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Júnior, “dividiu o país”. Pelo menos na opinião dos deputados federais William Woo (PV-SP) e Luiz Nishimori (PR-PR). “A história mostra que os ex-presidentes no Brasil ou de outros países que deixaram o cargo, deixaram o país sem um conflito social, sem a divisão da sociedade pois havia um apelo popular muito grande para que isso acontecesse. Neste momento a gente não sente isso perante a sociedade brasileira, ou seja, não é claro, pelo menos até agora, um total apoio ao impeachment ou repúdio para que a presidente Dilma permaneça no poder”, explicou Woo.

Segundo ele, apesar de a situação atual de Dilma corroborar para uma unificação contrária ao seu governo, “o que se vê, hoje, é um país dividido”. “Existe uma grande oportunidade para que ocorra uma mudança de governo, mas para isso o vice tem que assumir o seu papel. Se o vice quer ser o presidente do país, ele tem que ir à tribuna e falar que quer ser o presidente do país. Tem que falar quais são suas propostas e quais são os partidos que vai trazer consigo caso ocorra o impeachment”, destaca Woo, acrescentando que “não dá para aceitar que o vice assuma porque ele ganhou o voto no Congresso”.

 

Sem recesso, Congresso deve concluir trabalhos em janeiro; com recesso, somente em fevereiro (Foto: Ananda Borges /Câmara dos Deputados)

Sem recesso, Congresso deve concluir trabalhos em janeiro; com recesso, somente em fevereiro (Foto: Ananda Borges /Câmara dos Deputados)

 

Reação – “Não estamos numa nova eleição. Agora se trata de tirar a presidente para que o vice assuma. Então, vamos esperar os fatos nos próximos dias para saber como a sociedade reagirá, como a comunidade internacional reagirá, como os empresários reagirão e, principalmente, como o vice Michel Temer reagirá a esta oportunidade de ele virar presidente do Brasil nos próximos três anos e o que ele vai prometer para todos nós, congressistas e para o povo brasileiro”, ponderou o parlamentar.

“Com toda certeza o voto não está baseado no processo de impeachment. O voto, neste caso, é totalmente político. Temos que ver qual a nossa decisão. O Michel Temer tem capacidade para ser um bom presidente para o Brasil?”, indaga Woo, que é a favor que o Congresso entre em recesso “para que tenhamos tempo para absorver essa situação”.

“O impeachment foi um processo repentino e tomar uma decisão às vésperas das festas de fim de ano não é bom para ninguém. No período de recesso há mais tempo para que as entidades organizadas do país, seja a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), seja a CNI (Confederação Nacional das Indústrias), seja os sindicatos dos trabalhadores, seja os partidos políiticos também se manifestem para que a gente sinta, através da sociedade, o que é melhor para o nosso país”, justificou Woo, explicando que o atual governo “perdeu credibilidade, com muitas denúncias de corrupção e ao vencer a eleição baseada numa farsa contada no orçamento com muitas dívidas.”.

 

Crise – “Todo país é favorável a uma mudança. Só que o que a gente tem que avaliar neste momento é se queremos que o vice assuma. Um vice que foi eleito da mesma forma, com as mesmas promessas de campanha eleitoral”, disse Woo, acrescentando que “o governo lançou vários bons programas somente com o intuito de ganhar votos junto à sociedade só que, no entanto, sem um fluxo de caixa”.

Segundo ele, “uma prova disso é o Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego), um curso técnico muito importante mas que o governo já está há mais de cinco meses sem pagar suas contas”. “Sem um planejamento digno, o atual governo trouxe o Brasil de volta aos tempos que não esperávamos, com o retorno da inflação e uma grande crise”, destacou Woo

 

Voz da rua – Para Nishimori, “ouvir a voz da rua” será de fundamental importância para qualquer tomada de decisão. “Acho que o movimento nas ruas está muito quieto e nós, parlamentares, somos os representantes do povo”, disse Nishimori, afirmando que também é favorável ao recesso. Segundo ele, a “pressa” do governo em acelerar a votação no Congresso sob a alegação de que “o país está parado, não é válida”.

“A crise já estava instalada. Mas bastou o anúncio da abertura do processo de impeachment para que o dólar caísse e as ações subissem”, disparou o deputado, acrescentando que apoia a instalação de uma comissão especial para analisar o pedido de impeachment. “Precisamos resolver essa situação, se ela fica ou se ela sai, o mais rápido possível”, explicou Nishimori, para quem as pedaladas fiscais são, sim, motivos suficientes para o impeachment da presidente. “Se alguma coisa não bem, é preciso mudar”, garantiu Nishimori.

 

Liminar – Na terça-feira (8), o ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal), suspendeu a tramitação do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff até a próxima quarta-feira (16), quando o plenário da corte deverá julgar pedido liminar do PCdoB sobre a constitucionalidade da Lei 1.079/50, quer regulamentou as normas de processo e julgamento do impeachment.

A decisão impede a Câmara dos Deputados de instalar a comissão especial do impeachment até a decisão do Supremo sobre a validade da lei. Uma das questões levantadas pelo ministro – e que serão analisadas pelo plenário do STF – foi a votação realizada nesta terça-feira que elegeu a chapa formada por partidos de oposição e por dissidentes da base governista para compor a comissão especial que vai analisar o pedido de impeachment.

(Aldo Shiguti, com informações do Portal da Câmara dos Deputados)

 

ALDO SHIGUTI

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