PRÓ-SAVANA: Brasil, Japão e Moçambique discutem cessão das terras

Em missão oficial à Moçambique, a comitiva brasileira liderada deputado federal Luiz Nishimori (PSDB-PR), participou, no último dia 16, do seminário sobre o Programa de Cooperação Triangular para o Desenvolvimento Agrícola das Savanas Tropicais e Moçambique (Pro-Savana), que engloba Moçambique, Brasil e Japão, teve início no último dia 16, em Maputo, capital de Moçambique .

Formada por 14 pessoas – entre políticos e empresários ligados ao setor agrícola, cooperativas e associações de produtores de soja de Mato Grosso –, a missão brasileira participou ainda de um encontro com autoridades moçambicanas chefiado pelo Secretário Permanente do Minagri – Moçambique, Daniel Clemente, que fez um discurso destacando a importância da reunião, na qual diversas autoridades apresentaram uma situação atual da agricultura em Moçambique e as perspectivas futuras.

Chefiada pelo diretor geral do Departamento da África da Jica (Japan International Cooperation Agency), Eiji Inui, a missão japonesa é composta por 17 pessoas, principalmente técnicos da Jica e outros órgãos do governo japonês.

Segundo o diretor do Jornal Nippak, Oswaldo Takaki, que integra a comitiva brasileira, a principal preocupação dos empresários brasileiros é com relação à titularidade das terras já que elas pertencem em sua totalidade ao governo.

De acordo com Takaki, nesse momento a cessão das terras seria feito em formato de comodato pelo prazo de 50 anos, prorrogável mais 50 anos. Já na área de crédito, as autoridades moçambicanas admitem que as taxas de juros são elevadas e não existe crédito oficial, sendo os principais provedores de crédito os bancos particulares.

“Na área de infraestrutura, hoje, o país é autosuficiente em energia elétrica, mas que existe carência na distribuição desta rede. Com o apoio do governo japonês está sendo finalizado o projeto de uma estrada asfaltada ligando as províncias de Lichinga e Nampula, que atualmente possui uma ferrovia utilizada pela Vale do Rio Doce utilizado no transporte de carvão mineral”, informou Takaki.

Coletiva contou com as presenças de Inui (Japão), Clemente (Moçambique) e Nishimori (Brasil) (foto: Jornal Nippak)

Encerrando as discussões, os chefes da missões deram uma entrevista coletiva à televisão e jornais locais. Indagado por um repórter local como o Brasil poderia ajudar o seu país, Luiz Nishimori disse que hoje o Brasil tem uma experiência no Cerrado brasileiro, semelhante a Savana local e que ao longo destes anos o Brasil se tornou uma potência mundial na produção de soja, quase superando a exportação americana, isto tudo graças ao cerrado.

O deputado citou que vem de uma região – o Paraná – onde a sua estrutura fundiária é formado por pequenas propriedades e com o resultado do agronegócio, o estado se tornou uma referência na produção agropecuária. Nishimori disse que espera que com a agricultura e o empenho dos três países possam transformar a agricultura moçambicana.

A agenda da missão brasileira em Moçambique prevê visitas à regiões de Nampula e Lichinga, além de propriedades rurais – onde a Embrapa já vem desenvolvendo pesquisas no cultivo da soja – e o porto de Nacala, principal porto de exportação e importação da região norte que constitui o Corredor do programa Pro-Savana.

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