Renato Ishikawa quer resgatar a credibilidade do Hospital Santa Cruz

Em Assembléia Geral Ordinária realizada na noite desta segunda-feira (19), tomou posse a nova diretoria do Hospital Santa Cruz. Para o cargo de presidente, foi eleito Renato Ishikawa (ex-Nec do Brasil), em substituição a Renato Nakaya, que assume como primeiro vice-presidente. O chef Jun Sakamoto foi eleito segundo vice-presidente. Outra mudança significativa ocorreu na presidência do Conselho Deliberativo com a posse de Masato Ninomiya – que também preside o Ciate (Centro de Informação e Apoio ao Trabalhador no Exterior) – no lugar de Akihiro Ikeda.

Renato Ishikawa, conhecido por ser um “apagador de incêndios”, assume a direção do Santa Cruz em meio a uma crise que já vem se arrastando há alguns anos e que culminou com a renúncia do ex-presidente Kenji Nakiri em setembro de 2010 após uma série de denúncias de irregularidades apontadas pela Associação dos Médicos do Santa Cruz.

Em seu lugar, assumiu Renato Nakaya, que ficou um ano e seis meses no cargo. Após um período de trégua, o corpo clínico do hospital voltou a mostrar seu descontentamento com a administração ao divulgar, em novembro, de 2011, uma carta aberta em que manifestava sua preocupação com o futuro da instituição. Entre outras críticas, a associação criticava a não realização de uma auditoria e investimentos na ordem de R$ 17 milhões para a construção de uma nova torre anexa.

Conforme apurou o Jornal Nippak, tanto Renato Ishikawa como Jun Sakamoto foram indicados pela Associação dos Médicos do Santa Cruz. Em entrevista coletiva concedida na manhã desta terça-feira (20), um dia após sacramentar sua posse, Ishikawa disse que o convite foi feito pelo próprio Renato Nakaya no início deste ano.

“Já conhecia o hospital, pois tive uma passagem pelo Santa Cruz como diretor na gestão do Paulo Yokota”, lembra Ishikawa, acrescentando que, para se “familiarizar, trabalhei como voluntário até ontem [segunda] para entender os resultados e conhecer o pessoal”.

Apesar de afirmar que “já tinha uma ideia” da situação, o novo presidente admite que ficou assustado ao conhecer a realidade mais de perto. “Aceitei esse grande desafio sabendo das dificuldades financeiras, mas a situação é um pouco assustadora em função da dívida, que hoje está em R$ 32 milhões”, espanta-se Ishikawa, que considera o valor “alto para o tamanho do hospital”.

Plasac – Por isso, ele já definiu suas prioridades. A primeira será aumentar a receita, que atualmente é de R$ 130 milhões/ano para R$ 180 milhões/ano, ou R$ 15 milhões por mês. O resultado, como ele mesmo disse, não virá sem trabalho. Ou no caso do hospital, “buscando mais receitas e reduzindo os custos fixos, que são incompatíveis”.

Uma das soluções deve ser a venda do Plasac, o plano de saúde do Santa Cruz. A autorização para que a diretoria apresente uma destinação ao Plasac foi dada pelo Conselho Deliberativo na assembleia desta segunda. “Hoje, o Plasac é um ônus para o hospital pela quantidade de vida. Cabe a diretoria redireciona-los e uma das alternativas é a venda ou atuar com outras operadoras já que não conseguimos operar sozinhos. Temos que aumentar as receitas para atender todas as despesas e o Plasac não traz resultados positivos”, explicou Ishikawa, afirmando que não é possível fazer um prognóstico de quanto tempo será necessário para estancar a dívida do hospital.

Para ajudá-lo nesta difícil tarefa, Renato Ishikawa conta com uma ajuda especial. Para compor a diretoria, “recrutou” os amigos Herberto Macoto Yamamuro, atual presidente da NEC do Brasil, para o cargo de 1º Diretor Financeiro; além dos diretores Rafael Teruko Kanki, Sergio Takamitsu Nakada, Silvio Rubens Michelman e Antonio Yoshiaki Sakaguti. Sua expectativa é dar expediente no hospital pelo menos três vezes por semana no primeiro ano. “Não existe milagre, só muito trabalho. Em 1983, quando assumi a NEC do Brasil, a empresa também estava em situação difícil e não só financeira como também pela quantidade de sócios já que na época o governo brasileiro, que tinha resquícios do governo militar, obrigava todas as empresas de informática a ter um controle nacional, o que com a NEC se deu através do Mario Garnero, da Brasilinvest. Para sairmos da crise, foi preciso investir no mercado. A diferença é que na NEC a gente trabalhava com produto e aqui, no Santa Cruz, trabalhamos com gente”, diz Ishikawa, acrescentando que é atento aos detalhes. “São os detalhes que fazem o sucesso”, ensina, ele, que acredita ter sido indicado pela Associação dos Médicos do santo Cruz por ser uma “pessoa neutra” e um “executivo de sucesso”.

“Vamos trabalhar em unidade. Na NEC, trabalhava com engenheiro, aqui, trabalhamos com médicos. No fundo, são pessoas e a convivência pacífica é primordial para trabalharmos. Mas sei que tudo vai depender de mim”, admite Ishikawa, que prefere não lembrar do passado. “Aqui, viramos a página. Não quero entrar no mérito do que aconteceu. Quero gastar minha energia produzindo”, diz ele, que como segunda missão espera resgatar a credibilidade do Hospital Santa Cruz. “Não quero apenas pintar o prédio. Primeiro, precisamos arrumar a casa. E, trabalhando, a comunidade reconhecerá o esforço de todos”, conta Ishikawa, para quem “será uma grande honra reerguer o Hospital Santa Cruz”.

Diretoria

Presidente: Renato Ishikawa

1º Vice-Presidente: Renato Kenji Nakaya

2º Vice-Presidente: Leonardo Jun Sakamoto

3º Vice-Presidente: José Luiz Cuono

1º Diretor Financeiro: Herberto Macoto Yamamuro

2º Diretor Financeiro: Gerson Kunii

1º Diretor Administrativo: Nagato Hara

2º Diretor Administrativo: Leo Sussumu Ota

Diretor: Itiro Suzuki

Diretor: Oridio Kiysohi Shimizu

Diretor: Paolo Mracello Ré

Diretor: Rafael Teruki Kanki

Diretor: Sergio Takamitsu Nakada

Diretor: Silvio Rubens Michelman

Diretor: Tochi-ichi Tachibana

1º Diretor Suplente: Antonio Yoshiaki Sakaguti

2º Diretor Suplente: Sandra Hiroko Watanabe

3º Diretor Suplente: Paulo Roberto de Mello Gomes

4º Diretor Suplente: Wilson Mendes da Veiga

5º Diretor Suplente: Abílio Augusto Fragata Filho

6º Diretor Suplente

Conselho Fiscal

Titulares: Mauro Ito, Nabor Bernardes Ferreira, Ronaldo Rezende Xavier

Suplentes: Ricardo Bernardes Ferreira, Roberto Yoshihiro Nishio, Waldemar Massuo Takeda

Conselho Médico

Titulares: Tony Kiyoshi Furuie, Paulino Salin Vasconcelos, André Bezerra de Menezes Reiff, Domingos Alberto Fernandes, Jorge Miyazato, Yuwa Ishara

Suplentes: Edi Cabral, Julio Shoiti Yamano, Roberto Otsubo, Antonio Monteiro Fonseca Neto, Ricardo Limongi Fernandes, Carlos Henrique Froner Souza Góes

Reportagem: Aldo Shiguti

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4 Comments

  1. Ao observarmos a lista da Diretoria do Hospital Santa Cruz vemos que os nomes, em sua maioria, não são médicos. Muitos desses nomes aparecem em listas da Diretoria de outras entidades ou associações da comunidade nikkei. Parecem ser verdadeiros colecionadores de cargos. Diante disso, não vejo nenhum futuro para esse hospital, afundado em uma enorme dívida, graças às más gestões. Acho fundamental que a Diretoria de um hospital deva ser composta por médicos, inclusive os de renome.

  2. Caros,

    Acredito que a nova diretoria irá reeguer o hospital, não concordo com o comentário do Carlos Alberto, pois qualquer hospital de grande porte há diretores com diversas formações.Basta verificar

  3. O Hospital Santa Cruz é uma instituição renomada, o presidente atual junto a sua diretoria e superintendência devem ser respeitados pois o dia a dia é muito complexo e cheio obstáculos. Fui funcionário nos últimos 3 anos e acredito na força e perseverança de todos. Parabéns ao Sr. Renato Ishikawa e Dr. Leonel Fernandes pelo resultado já alcançado. Boa sorte e sucesso a todos…

  4. Foi nesse hospital que houve um grave erro médico com um paciente amigo meu. E um diretor do próprio hospital tentou abafar o caso. Lamentável esta atitude..

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