RIO 2016: ‘É como se tivéssemos conquistado uma medalha’, conta Luciana

Se é verdade que em tempos de crise as empresas devem apostar na criatividade, a Birdo Produções, estúdio de animação com sede em São Paulo, faz uma grande diferença. Comandada por Luciana Eguti e Paulo Muppet, a empresa está trabalhando a todo vapor mesmo em tempos bicudos. Também, não é para menos. Com vários prêmios nacionais e internaconais no currículo e considerado um dos estúdios de animação mais criativos do mundo, a Birdo é a responsável pela criação dos mascotes dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, que foram batizados com os nomes de Vinicius e Tom,  respectivamente, uma homenagem a dois dos maiores compositores da música popular brasileira.

 

Criadores dos mascotes dos Jogos deixam legado para as novas gerações. Foto: Aldo Shiguti

Criadores dos mascotes dos Jogos deixam legado para as novas gerações. Foto: Aldo Shiguti

 

Formada em Arquitetura pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, a paulistana Luciana Eguti até escolheria outro par de nomes – Oba e Eba –, que acabou em segundo lugar na preferência do público – mas não tem do que reclamar. Por conta do projeto, ela já pode se considerar com uma medalha no peito, mesmo sem praticar esportes. Afinal, sua equipe já faz parte da história dos Jogos Olímpicos e se a Birdo já era reconhecida internacionalmente, passou a ser uma referência. Como parte do prêmio, o estúdio produziu uma série animada inspirados nos mascotes para o Cartoon Network. E para 2017, a Birdo está produzindo sua própria série, “Oswaldo”, também em parceria com o Cartoon.

 

Rio 2016

Rio 2016

 

O crescimento pode ser notado também no número de funcionários. Em novembro de 2014, quando o Comitê Olimpíco Brasileiro anunciou a proposta vencedora, a Birdo contava com dez funcionários. Hoje já são trinta.

No úlitmo dia 19, Luciana recebeu a reportagem do Jornal Nippak e do Nikkey Shimbun, na mesma mesa em que a empresa foi criada, em 2005, para falar um pouco mais sobre Vinicius e Tom.

 

ALDO SHIGUTI

ALDO SHIGUTI

Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
ALDO SHIGUTI

Últimos posts por ALDO SHIGUTI (exibir todos)

     

     

    A arquiteta Luciana Eguti e o publicitário Paulo Muppet: “É muito legal ver a reação das pessoas”. Foto: Aldo Shiguti

    A arquiteta Luciana Eguti e o publicitário Paulo Muppet: “É muito legal ver a reação das pessoas”. Foto: Aldo Shiguti

     

     

    Jornal Nippak: Para vocês, os Jogos Olímpicos Rio 2016 já começaram há algum tempo, não é mesmo?

    Luciana Eguti: Já, na verdade a gente está neste projeto dos mascotes há quase dois anos. A primeira chamada [para o concurso] foi no final de 2013.

     

    JN: Como foi esse processo?

    LE: Esse concurso foi divulgado entre agências de publicidade e mais especificamente entre os estúdios de animação. E foi aí que nós decidimos tentar a sorte. O processo durou quase oito meses, com um total de três etapas. Inicialmente foram 15 empresas até se chegar as três finalistas e aí a nossa proposta foi a escolhida. O anúncio aconteceu em 20 de novembro de 2014.

     

    JN: Qual a sensação de ficar entre os três finalistas e depois ser escolhida como a proposta vencedora?

    LE: A gente entrou nesse concurso sem expectativa que fôssemos sair vencedores, embora estivéssemos com uma proposta criativa. Quando chegamos na terceira etapa a gente já tinha trabalhado bastante na proposta e estávamos todos ansiosos. Quando ficamos sabendo do resultado foi muito legal. Não dá para explicar. É como se tivéssemos ganhado uma medalha. Mas também não podíamos contar para ninguém.

    JN: Tiveram que manter sigilo?

    LE: Foram oito meses sem contar nada para ninguém. Tivemos que desenvolver várias coisas relacionadas ao projeto em absoluto sigilo.

     

    JN: O desenho sofreu alguma mudança desde o projeto inicial?

    LE: Infelizmente, a gente não pode divulgar as etapas anteriores mas posso dizer que são bem parecidos com o que a gente desenhou primeiro, especialmente o conceito. Obviamente teve um trabalho especial de ajuste de desenho e cor porque o projeto da Rio 2016 tem um cuidado grande na parte visual e eles queriam que os mascotes também conversassem com a identidade visual dos Jogos. Então ficamos um bom tempo adaptando a proposta para ela casar com tudo. Quando foi anunciado, o desenho já estava bastante lapidado nesse sentido.

     

    JN: Qual foi a preocupação ao elaborar o desenho?

    LE: O concurso tinha um briefing que era bem específico com relação ao que eles queriam que os mascotes transmitissem, especialmente em relação aos valores. Aqui no estúdio, nós temos um processo que é coletivo, todos trazem ideias e todos desenham juntos. Ou seja, todos  participaram da elaboração do conceito. Dos conceitos que tínhamos, a gente elegeu trabalhar com a diversidade porque a gente sempre enxergou o Brasil como uma diverisdade. São Paulo é uma prova disso, tem japoneses, italianos, árabes, portugueses, negro, índio… Enfim, uma mistura de cultura e povos. A gente achou esse conceito legal e decidimos trabalhar essa mistura nos mascotes já agregando os valores olímpicos e paralímpicos como parte do projeto.

     

    JN: Você gostou dos nomes que foram dados?

    LE: Particularmente, gostamos mais de outra proposta mas como tudo que é submetido a votação popular…

     

    JN: Você pode falar qual que te agradou mais?

    LE: Pessoalmente tinha um par que era “Oba” e “Eba” que a gente gostava mais, mas no fim até acostumamos com Vinicius e Tom. Hoje ninguém discute mais isso.

     

    JN: O que mudou para vocês de lá para cá?

    LE: Na verdade, o nome do estúdio ficou mais conhecido em alguns lugares, mas não foi uma diferença assim… O que aconteceu é que esse projeto acabou ajuntando com outros projetos. Agora, por exemplo, nós estamos fazendo uma série de animação dos mascotes, que está passando no Cartoon Network, e tivemos que aumentar o estúdio meio que em função desse projeto.

     

    JN: Quando você diz aumentar o estúdio quer dizer o que?

    LE: Aumentar o pessoal. Quando a gente ganhou o concurso, éramos em 10 pessoas. Hoje a gente tem 30. Não foi só o projeto dos mascotes, mas ele também ajudou a divulgar bastante o nome do estúdio.

     

    JN: Você disse que vencer o concurso foi como se tivesse conquistado uma medalha. Você pratica esportes?

    LE: Não sou nenhuma esportista, mas gosto de esportes, como a corrida.

     

    A dupla Vinicius e Tom no Aeroporto Santos Dumont, no Rio. Rio 2016

    A dupla Vinicius e Tom no Aeroporto Santos Dumont, no Rio. Rio 2016

     

    JN: Esportes praticados pela comunidade nenhum….

    LE: Não, nunca tive talento para isso (risos).

     

    JN: Vocês já pararam para pensar o que representa ter vencido o concurso, ou seja, que vocês já fazem parte da história dos Jogos Olímpicos?

    LE: Tem momentos que isso fica mais evidente. Quando teve o anúncio mesmo, muita gente viu e acabou comentando – seja falando bem seja falando mal –a gente percebeu que era algo que realmente chamava a atenção e que era um projeto bem maior que qualquer um de nós pudesse imaginar. Essa primeira sensação, que era um legado da gente foi bem bacana. Aí teve esse tempo entre o anúncio e os Jogos que ficou diluído no trabalho, no dia a dia. Mas agora que os Jogos estão se aproximando essa sensação volta porque tem muita exposição mesmo, dos próprios mascotes. É muito legal ver a reação das pessoas, principalmente das crianças.

     

    JN: Como voces lidaram com as críticas, se é que elas existiram?

    LE: Todo mundo que trabalha na área criativa, que escreve, está sujeita a crítica. Às vezes, a gente fica meio chateado com certas críticas porque nem sempre você está lá para rebater. Também fazia parte de entender que era muito maior que só um desenho que a gente criou, tem muitos significados relacionados aos Jogos que geram reações e causam impactos. No início até fícávamos chateados, de achar que a pessoa não entendeu, mas tudo faz parte de um aprendizado de lidar com isso.

     

    JN: Já se imagina assistindo a abertura das Olimpíadas?

    LE: Das vezes que fui para o Rio de Janeiro já dá para sentir o clima, com os mascotes presentes em todos os lugares, como no aeroporto. A gente não cria muitas expectativas, mas acho que terá um momento que será o ápice

     

    JN: E dá vontade de sair falando “fomos nós que fizemos?”

    LE: Foi um processo de desapropriar, mas é interessante ver os mascotes atingindo vários públicos e ver  que eles estão associados a algo muito forte como os Jogos Olímpicos. Ainda é muito emocionamente para todo mundo.

     

    JN: Hoje, vendo os mascotes prontos, vocês mudariam algo?

    LE: Honestamente não. Por conta de ter um direcionamento muito específico, acho que atingimos um resultado que a gente queria dentro do conceito original. Qualquer coisa que fosse outra coisa não seria algo que a gente criou aqui.

     

    JN: E qual a mensagem que os mascotes passam?

    LE: De sempre passar valores positivos, principalmente para as crianças, que são nosso público-alvo, especialmente nesse momento conturbado que estamos atravessando.

     

     

     

    Related Post

    SAUDE: Webconferência médica aborda relação da Doe...   Em 10 de fevereiro, das 20h às 21h, no auditório da Associação Paulista de Medicina (APM), acontece a webconferência entitulada “Doença ...
    Osaka Naniwa-Kai realiza Bazar Beneficente neste d... A Associação dos Provincianos de Osaka Naniwa-Kai realiza neste domingo (12), a partir das 9 horas, em sua sede (Rua Domingos de Moraes, 1581 – Vila M...
    JIU-JITSU: Ato solene homenageia Associação Kihon ...   Por iniciativa do deputado Orlando Morando (PSDB), a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo realizou no último dia 11, ato solene em ...
    ARTES: Sergio Yashima expõe na estação Santana do ... “Sustentação” é o título da exposição do artista plástico Sergio Koiti Yashima que acontece até o próximo dia 30 na estação Santana do metrô (linha Az...

    Faça seu comentário

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *