SAMURAI DA REVOLUÇÃO: Filme sobre Freddy Maemura deve ser lançado ainda este ano

Em breve, os brasileiros poderão conferir a incrível trajetória de Freddy Maemura, boliviano de ascendência japonesa que participou da guerrilha comandada por Che Guevara. Inspirado no livro “Samurai da Revolução – Os sonhos e a luta de Freddy Maemura ao lado do Che”, lançado no Brasil em 2009 pela Editora Record, a história deve ganhar as telonas em setembro. O projeto é do advogado Héctor Antonio Solares Maemura. Sobrinho de Freddy, Héctor Maemura assina a coautoria da obra com sua mãe, Mary Maemura Hurtado, irmã do personagem.

 

O advogado Héctor Solares Maemura: “Não se trata de um filme político”. Foto: Aldo Shiguti

 

Para apresentar o filme, Héctor Maemura está no Brasil no país desde março. Segundo ele, a ideia é relançar o livro juntamente com o longa. Dirigido pelo cineasta japonês Junji Sakamoto, que tem em seu currículo “A Chorus of Angels” (2012), “Children of the Dark” (2008) e “Human Trus” (2013), o elenco conta com o ator e cantor nipo-americano Joe Odagiri, protagonista da série Kamen Rider Kuuga e com participações em filmes como “Azumi” (2003), Shinobi: Heart Under Blade (2005), “Sakebi” (2006) e “Yureru” (2006).

A produção é centralizada na passagem de Freddy por Cuba, onde foi estudar Medicina e período em que conheceu Che. Ele viveu em Cuba entre 1962 e 1966 e morreu aos 25 anos, em setembro de 1967, numa emboscada no rio Grande, já de volta à Bolívia, num grupo liderado por Joaquin. Morreu dias antes da captura e morte de Che, que liderava outro grupo.

“Não se trata de uma história política. Desde o início, o objetivo é mostrar a vida de um nissei que viveu e morreu por seus ideais”, diz Héctor, acrescentando que seu tio “foi idealista e muito leal aos seus pensamentos”. “É claro que ele acreditava no comunismo”.

 

Freddy Maemura (centro) com bolsistas em Cuba. Foto: reprodução

 

Igualdade social – Nascido em Trinidad, capital do departamento de Beni e distante cerca de 500 km de Santa Cruz de la Sierra, Freddy era filho do japonês Junkichi Maemura, que chegou à Bolívia via Peru atraído pela exploração da borracha – ou látex.

“Ele teve cinco filhos, sendo Freddy o terceiro e único com essa consciência de buscar a igualdade social”, conta Héctor. “Na época, era comum os jovens quererem ser comunistas e o sonho do Freddy era ser médico e levar atendimento gratuito às pessoas. Ele não entendia porque muitas pessoas morriam por não terem acesso à saúde”, diz, destacando que a ilha de Fidel estava em ascensão e foi justamente na época em que a Embaixada de Cuba estava oferecendo bolsas para estudantes”. “Todos os jovens que tinham esse espírito de mudança iam para lá”, afirma Héctor, lembrando que no Colegial seu tio ingressou na Juventude Comunista Boliviana e chegou a ser preso. “Desde muito cedo ele sempre foi muito íntegro”.

 

Guerrilheiros cozinhando um leitão na véspera do Ano Novo. Foto: reprodução

 

Não à toa, em pouco tempo se destacou em Cuba. “Ele era muito solidário com seus companheiros”, diz Héctor, afirmando que a família não sabia que ele havia retornado para Bolívia.  “Eles pensavam que ele estava em Cuba. Mesmo depois de 50 anos, a família nunca desistiu de encontrar seus restos mortais porque o Exército boliviano nunca dizia onde havia enterrado o corpo. Foi uma luta muito dramática, mas minha mãe nunca se deu por vencida”, diz Héctor, garantindo que, dos filhos, “Freddy era o único como o pai: convicto”.

“E por isso todos os respeitavam”, conta Héctor, explicando que o livro, lançado na Bolívia em 2006, “mudou a sua vida”. “Eu era uma pessoa fria. Tinha outros ideais, não havia dentro de mim um coração. Até então nunca tinha pensado em escrever um livro, mas o tema é fascinante”, afirma Héctor, que considera Che Guevara “um idealista” e Fidel Castro, “um pragmático”. “Ambos manipularam os jovens”, comenta.

 

ALDO SHIGUTI

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Redator-chefe
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