SANTOS: Cidade de Santos recebe bonde doado por Nagasaki: ‘o imigrante japonês do século 21’

Uma cerimônia realizada no último dia 2, na Estação do Valongo, no centro de Santos, na Baixada Santis, marcou oficialmente a entrega bonde elétrico doado por Nagasaki a Santos, cidades que mantém acordo de irmandade. O evento contou com as presenças do prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB); do secretário municipal de Turismo, Luis Dias Guimarães e do cônsul geral do Japão em São Paulo, Takahiro Nakamae, além de representantes de associações Japonesas de Santos e Nagasaki Kenjin do Brasil.

 

A ideia é colocar o bonde doado pela cidade de Nagasaki em funcionamento ainda neste semestre (Foto: Nikkey Shimbun)

A ideia é colocar o bonde doado pela cidade de Nagasaki em funcionamento ainda neste semestre (Foto: Nikkey Shimbun)

 

“Este é um grande presente em comemoração aos 470 anos da cidade, que fortalece ainda mais os elos com Nagasaki, cidade-irmã desde 1972”, afirmou o prefeito ao receber a chave do bonde, com a qual acionou o controle do veículo e o pedal da buzina. Em função das boas condições gerais, o elétrico – que trouxe uma figura de dragão feita em tecido, personagem de danças e festas típicas japonesas – deverá circular ainda este semestre.

Tanto o prefeito como o secretário de Turismo destacaram a participação de vários colaboradores e apoiadores como Associação Nagasaki Kenjinkai do Brasil, na figura do ex-presidente Hiroshi Kawasoe e o empresário Masahiko Sadakata, presidente do Conselho de Administração da Yakult, que viabilizou os recursos da logística.

 

A figura do dragão, muito usada nas danças típicas de Nagasaki (Foto: Nikkey Shimbun)

A figura do dragão, muito usada nas danças típicas de Nagasaki (Foto: Nikkey Shimbun)

 

Emoção – Para Takahiro Nakamae, a entrega do bonde marca os 108 anos do início da imigração japonesa no Brasil, que começou em 1908 com a chegada do navio Kasato Maru a Santos. “Ele também chegou à cidade por mar, como os imigrantes, para o desenvolvimento econômico e social do País”, lembrou, explicando que o dragão é um símbolo característico de Nagasaki.

Trata-se, na verdade, de um gesto que ilustra, na prática, para que servem os inúmeros acordos de irmandade assinados entre cidades brasileiras e japonesas. No entanto, para que a história tivesse um final feliz, foi de suma importância a participação do atual prefeito, que manteve e apoiou decisivamente essa iniciativa da gestão anterior, que redundou nesta cerimônia.

Já o cônsul geral do Japão em São Paulo,Takahiro Nakamae, no seu pronunciamento em língua portuguesa, deixou de ler o discurso escrito e o fez de improviso para transmitir a emoção que sentia em visualizar estas duas doações da cidade de Nagasaki. Chamou o bonde e o dragão como os novos “imigrantes” do Japão, pois o homem japonês deixou de imigrar para o Brasil, de avião, na década de 70. Mas esses novos “imigrantes” como os primeiros imigrantes do Kasato Maru, vieram de navio. O bonde representará condignamente, Nagasaki e o Japão. E o dragão, alegoria fundamental da dança dos dragões, dança folclórica típica de Nagasaki, que teve influencia da China, deverá contribuir para a difusão de mais esta faceta da cultura japonesa, pelo território brasileiro.

 

O cônsul geral do Japão, Takahiro Nakamae: “Novos imigrantes” (Foto: Nikkey Shimbun)

O cônsul geral do Japão, Takahiro Nakamae: “Novos imigrantes” (Foto: Nikkey Shimbun)

 

 

Sushi Bonde – Este bonde doado, construído em 1950, circulou pela cidade de Nagasaki, sendo retirado em 2014, para ser doado à Santos, sendo a sua chave entregue ao secretário de Turismo, Luiz Guimarães, simbolicamente na época, que foi utilizado para ser ligado neste evento. Deverá sofrer as devidas adaptações para entrar novamente em circulação, agora na cidade de Santos. Este trabalho de adequação, que será realizado pela equipe da CET de Santos, levará aproximadamente 6 meses.

Luiz Guimarães disse que a ideia é criar o Sushi Bonde, oferecendo degustação de sushi e sashimi, a princípio às sextas-feiras. Ele estima em R$ 50 mil os serviços de preparação do elétrico, recursos que deverão ser obtidos junto à iniciativa privada.

Em 30 de julho do ano passado, a Prefeitura baixou decreto criando o Programa de Apoio ao Museu do Bonde, que autoriza as empresas que contribuírem com a recuperação ou manutenção dos elétricos a inserção de sua logomarca no veículo por um prazo de dois anos.

Atualmente, há seis elétricos em circulação na Linha Turística do Bonde: dois escocês (aberto e fechado), um português (Bonde Pelé), um italiano (Bonde Café) e dois reboques (um com capacidade para 30 e outro para 40 passageiros).

Quando o bonde entrar em circulação, ou da apresentação da dança do dragão, o Jornal Nippak comunicará aos seus leitores.

 

(Luis Hanada, especial para o Jornal Nippak)

 

 

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