SAÚDE/CRACK: Milton Osaki coordena projeto para conscientizar sobre os malefícios do Crack

Os dados são alarmantes. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), apenas no Brasil existem hoje cerca de 6 milhões de usuários de crack. Estudos da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), somente 30% dos viciados submetidos a tratamento obtém a cura. Outros 30% mantém o uso e o restante evoluem para o óbito devido as diversas complicações. Do grupo de usuários de crack, 85% estão relacionados à violência.

Até 2014, o Ministério da Saúde deve investir, em todo o país, R$ 2 bilhões na implantação e ampliação dos serviços aos usuários da droga, incluindo a criação de mais de 13,5 mil novos leitos. Para a capital paulista, o recurso em 2012 é de aproximadamente R$ 6,4 milhões. Além disso, há mais R$ 23,7 milhões destinados ao teto financeiro de média e alta complexidade visando aumentar o financiamento de CAPS, investimento 68% a mais do que foi destinado em 2011. Na capital, o recurso permitirá o custeio de 150 leitos – em três anos, a quantidade deve ultrapassar 1,6 mil. Além disso, haverá o custeio de 16 consultórios de rua.

Recentemente, o Ministério da Saúde também anunciou a ampliação em mais R$ 62 milhões os recursos extras destinados a melhorias e à reestruturação dos 46 hospitais universitários federais do país. Os recursos fazem parte do Programa de Expansão e Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais (REHUF) e devem ser empregados na aquisição de equipamentos, reformas e na ampliação do atendimento à população.

Números que, para o diretor técnico do Hospital Santa Mônica, Milton Osaki (ex-Santa Cruz e HC), encorajaram e estimularam a necessidade de enfrentar o problema de frente e de mostrar que a epidemia não escolhe cor nem classe social.

Milton Osaki (divulgação)

Para isso, Osaki desenvolveu o Projeto Consciência, que, como o próprio nome sugere, tem o objetivo de mobilizar  a comunidade através da conscientização sobre os malefícios da droga. “Trata-se de uma ação social integrada a outras ações sociais. Através desta conscientização, será possível almejar um enfrentamento do crescente número de doenças e advindas do uso de drogas”, explica Osaki, lembrando que o projeto vem de encontro com a proposta do Santa Mônica, que desde 2010 tem se dedicado ao atendimento de internações psiquiátricas, sobretudo ligados à dependência química.

“A necessidade de se criar um projeto nesse sentido surgiu através de discussões com os diretores da instituição, que decidiram se engajar no assunto, até porque parece fácil ficar tratando os dependentes. Mas a ideia é chamar a atenção principalmente para o crack, que consideramos a pior das drogas”, esclarece Osaki.

O projeto consiste em apresentar palestras de cerca de 60 minutos em associações comunitárias por médicos psiquiatras do Santa Mônica onde são abordados os efeitos sobre a saúde do uso de drogas. Além do crack, são abordados a maconha, cocaína, o álcool e o fumo.

Segundo Osaki, nas palestras os médicos psiquiatras orientam como os pais devem discutir com os filhos a prevenção do envolvimento com drogas. “O perigo está mais próximo do que imaginamos. O crack é algo que não pega de uma só vez, vai afundado o indivíduo aos poucos”, alerta Osaki, acrescentando que hoje o Santa Mônica conta com 120 leitos para tratamento de dependentes químicos, sendo que 80 estão ocupados por viciados em geral.

“O tratamento de dependente químico exige certos protocolos, como o isolamento da própria família. Localizado em uma região estratégica, em Itapecerica da Serra, o Hospital Santa Mônica possui uma ala especializada e conta com uma equipe médica que inclui mais de 150 colaboradores diretos, incluindo um consultor em dependência química, que nada mais é do que um ex-viciado, médicos psiquiátricos e um médico clínico 24 horas por dia”, explica, acrescentando que, por mais paradoxal do que possa parecer, a intenção do projeto é fazer com que o hospital não tenha nenhum paciente.

“A dependência química é uma das doenças que mais cresce no país. Tanto que o DORT (Distúrbio Osteo-muscular Relacionado ao Trabalho) e LER (Lesões por Esforços Repetitivos) deixaram de ser as doenças campeãs absolutas de afastamento do trabalho para dar lugar à dependência química”, justifica Osaki, afirmando que “ainda existem muitas dúvidas e perguntas para serem esclarecidas”. Afinal, diz Osaki, a informação ainda é o melhor remédio.

 

Serviço – Associações comunitárias e entidades nipo-brasileiras que desejarem a realização de palestras gratuitas sobre os malefícios da dependência química podem telefonar para: 11/4667-1455.

(Aldo Shiguti)

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