SHIGUEYUKI YOSHIKUNI: Catadora de papel

 

Jornais e revistas, depois de lidas, jogava-os na lixeira. Daí uma catadora pediu-me que reservasse a ela. Duas vezes por semana, passaria e os levaria. Assim o fez. Ela não só pegava os jornais, mas também varria a frente da casa e recolhia o lixo num saco plástico que fornecia.

Após uns dois meses, pensei em recompensá-la pelos serviços. Iniciei dando-lhe R$10,00 semanais. Isso já faz uns três anos. Outro dia, pediu-me para aumentar-lhe a gratificação para R$15,00. Disse que não, uma vez que o único que a auxiliava. Ela insistia e isso me incomodava. Proibi-a então de continuar a varrer a calçada. Os jornais colocaria na lixeira, diariamente. Se ela quisesse que os apanhasse. Não disse nada.

Algumas semanas depois, ei-la que surge. Trazia uma intimação das Pequenas Causas. Não é que ela denunciou-me?

Compareci à audiência e fiz a proposta de reconciliação: R$300,00 e mais nada. Ela, mais que logo, aceitou.

Na saída, ela estendeu-me a mão. Fiz de conta que não vi. Nem disse até logo.

Ela ficou com a mão estendida, olhando-me meio surpresa.

 

 

 

Shigueyuki Yoshikuni

 jornalista e reside em Lins, também colunista do jornal Correio de Lins, colaborador do Jornal da Colônia de Araçatuba e do Jornal das Nações de Àguas de Prata, e diretor de comunicação do Bunkyo de Lins.

 

 

 

 

 

 

 

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