SHIGUEYUKI YOSHIKUNI: Discurso proferido na Igreja do Cristo-Rei dos 26 Mártires do Japão”, na Missa anual realizada em 10 de novembro de 2013.

 

INTRODUÇÃO: Meus agradecimentos à presença de todos, e a todos que de alguma maneira contribuíram nesta minha caminhada de quase duas décadas em prol da “Igreja do Cristo-Rei”. É com intensa emoção que celebro, hoje, os meus 80 anos de vida, na minha Promissão, justamente aqui no Bairro de Gonzaga onde nasci e recebi o batismo. Na época, como morava em frente ao Santuário, pude acompanhar a construção da Igreja do Cristo- Rei. Embora não pudesse entender a verdadeira importância da obra que estava sendo erguida.

Lembro como se fosse hoje, a obra concluída. Numa visão frontal da majestosa Igreja, o Coreto e a Casa Paroquial. Vislumbrava, também, a escadaria de acesso aos jardins da Igreja, tinha ao seu lado, uma frondosa paineira lindamente florida, onde às vezes o silêncio do Santuário era quebrado pelas algazarras das maritacas. Do lado oposto da estrada do Santuário, situava a escola primária dos filhos dos imigrantes e o campo de esportes, este utilizado também para lazer e para as comemorações da comunidade. Serpenteando o local havia um ribeirão, cujas águas movimentavam uma roda d’água do moinho, utilizado para fabricação de fubá. Lembro-me, também, dos vizinhos mais próximos, com os quais passei a minha infância como os Tanamati, os Aoki, os Watanabe e os Hirata…

Obrigado SENHOR! Por este dia, e de sempre. Foi nesta Igreja que, relembrando a minha infância, voltei para orar e LHE pedir a minha cura, quando acometido de um câncer. Voltei juntamente com minha mulher Issuzu, e os meus filhos Reinaldo e Fernando. Foi quando vi que Ela precisava urgentemente do nosso trabalho para a sua recuperação e da preservação.

 

 

SANTUÁRIO DO BAIRRO DE GONZAGA: PORQUE DEVEMOS PRESERVÁ-LO?

Entre as grandes realizações dos imigrantes japoneses, está o Santuário de Gonzaga. Este majestoso conjunto, não somente pelo aspecto religioso, mas, representada pela sua origem, pela sua beleza, pelas suas dimensões, pelo trabalho comunitário, pela fé e sacrifício dos seus autores, um dos grandes símbolos da imigração, cujas obras devemos preservá-los como “MEMÓRIA VIVA DA IMIGRAÇÃO JAPONESA NO BRASIL”.

O Santuário tem como monumentos principais: a Igreja do Cristo- Rei dos 26 Mártires do Japão, e a Gruta em louvor a Nossa Senhora de Lourdes, construídas inteiramente pelas mãos dos imigrantes católicos pioneiros da Província de Fukuoka do Japão. O projeto da Igreja é de origem japonesa e, o da Gruta é inspirado na Gruta de Nagasaki erguida por São Maximiliano Kobe, em1931. Ainauguração da Igreja deu-se em 15 de agosto de 1938, com Missa Solene celebrada por Monsenhor Nakamura e a Gruta em 19 de setembro de 1934.

 

O Projeto Pastoral Nipo – Brasileira─PANI O Centenário da Imigração Japonesa incluía entre as sua metas, a complementação das obras de restauração da Igreja e seus anexos, a construção do Museu da Imigração, o asfaltamento da Estrada de Acesso ao Santuário e plantio de ipês e cerejeiras ao seu longo. O Projeto que teve como um dos focos principais a Igreja do Cristo- Rei dos 26 Mártires do Japão e o Santuário de Gonzaga, foi um dos maiores e mais significativos das comemorações do CENTENÁRIO DA IMIGRAÇÃO JAPONESA NO BRASIL. O “PROJETO” foi levado para o VATICANO pelo representante do Papa Bento XVI na CNBB.de 2008.

 

Por iniciativa do Bispo Diocesano Dom Irineu Danelon e apoiado pela Comissão de Restauração, sob coordenação do Pároco Aparecido Cândido, pelo Prefeito de Promissão Marcos Simões, e pela generosa população de Promissão, a Igreja foi restaurada nas suas partes mais críticas, e reinaugurada em 25 de novembro de 2001.

Desde então os principais eventos ocorridos no Santuário, liderada pela Diocese de Lins, com participação da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, da Prefeitura Municipal e das comunidades de Promissão, foram:

  • Santa Missa para reinauguração da Igreja, em 25 de novembro de 2001, presidida por Bispo Diocesano Dom Irineu Danelon;
  • Santa Missa de Ação de Graças pelo Centenário da Imigração Japonesa no Brasil em 23 de novembro de 2008, presidida por Bispo Diocesano Dom Irineu Danelon;
  • Santa Missa do Cristo -Rei e benção da “Árvore da Paz” em 20 de novembro de 2011, presidida por Bispo Diocesano Dom Irineu Danelon;
  • Santa Missa do Cristo- Rei, Nossa Senhora Aparecida e Nossa Senhora Estrela da Manhã em 14 de outubro de
  • 2012, presidida por Dom Júlio Endi Akamine Bispo Auxiliar de São Paulo, primeiro Bispo Nikkei do Brasil.

 

Futuro do Santuário de Gonzaga: Com o objetivo de perenizá-lo juntamente com outras importantes obras da Imigração, foi realizada uma reunião na Prefeitura Municipal de Promissão no dia 13 de setembro próximo passado, cuja pauta era além de detalhar a programação do evento do dia 10 de novembro, solicitar ao Senhor Prefeito Hamilton Luís Foz e ao Pároco Padre Francisco Arcanjo Silva em nome da Diocese de Lins, a construção de uma Cruz e um Torii na rotatória e o plantio de ipês e cerejeiras ao longo da Estrada do Santuário e a viabilização do Museu da Imigração. Estas obras visam lembrar, mais uma vez, os laços que unem o Brasil e o Japão’, mas também, buscam o objetivo cívico – cultural e inter-religioso a integração dos povos e das religiões pela “PAZ”, e transformá-lo num local de peregrinação e turismo religioso da região.

 

Homenagens: Desejo neste momento, homenagear Monsenhor Domingos Nakamura o primeiro religioso que aqui chegou em 1923 do Japão para atendimento espiritual dos imigrantes e seus descendentes, construiu com a comunidade a primeira Capela e Inaugurou a Igreja do “Cristo- Rei” em 1938. Desejo, também, homenagear o Padre Emílio Kircher sj e o Padre Agostinho Utch que chegaram do Japão em 1929 e 1933, respectivamente, para atender a comunidade e que lideraram a construção da “Gruta” e da igreja do “Cristo Rei”.

Quero homenagear o Padre Guido Del Toro sj, que iniciou a evangelização dos filhos dos imigrantes na cidade de São Paulo, e fundou o Colégio São Francisco Xavier para a educação deles.

Quero homenagear os “Professores e Senseis” que cuidaram da nossa educação. Em especial as professoras brasileiras que apesar das dificuldades da língua e dos costumes não mediram esforços para nos educarem. Representando-as cito Professora Leonor Vieira Barbanti, nascida em Agudos, Professora do Colégio São Francisco Xavier.

Finalmente quero homenagear meus pais: Sentaro. meu pai, emigrou para o Brasil aos 16 anos como “Yoshi” juntamante com os seus tios da família Tanamati. Doou o terreno onde foi construído o Santuário de Gonzaga e, trabalhou arduamente com os seus companheiros imigrantes na construção da Igreja do Cristo- Rei. Minha mãe .Hissako “Yamaguti Sensei”, que se formou no Japão, onde iniciou o magistério. Casou-se e emigrou para o Brasil em 1925 ao encontro do marido. Por 15 anos lecionou cultura japonesa aos emigrantes e a seus descendentes nos bairros de Gonzaga e Barra Mansa. A partir de 1939 passou a lecionar no Colégio São Francisco Xavier na capital de São Paulo.

A Professora Hissako Yamaguti “Sensei” foi homenageada pelos relevantes serviços prestados à Comunidade Nipo- Nipo Brasileira pelo ISEC – Instituto de Solidariedade Educacional e Cultural e pelo SBPN Instituto Brasil Japão de Pesquisadores, na cerimônia realizada na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo em 05 de maio de 2009. Sua biografia e dos depoimentos dos seus ex-alunos constam no livro “Professores e Senseis” editada pelas mesmas entidades promotoras da homenagem.

 

Mensagem de gratidão e pleito: Quando propus o tema “Paz e Meio Ambiente”, para o evento do Culto Inter – religioso do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil, ocorrido no Anhembi na cidade de São Paulo em 2008 e, também, quando vim trazer a “Arvore da Paz”, benzida na Igreja do Cristo- Rei dos 26 Mártires do Japão, e plantada na Praça Shuei Uetsuka, tinha em mente celebrar os ensinamentos do “Deus nosso Pai”, amor ao próximo e à natureza, a Sua criação.

O meu grande desejo é que as entidades religiosas e a sociedade em geral, se una em nome da Paz e na defesa e preservação da Natureza.

Completando, gostaria ver ainda em vida os ipês e as cerejeiras florindo no Santuário de Gonzaga, para o encantamento e alegria dos peregrinos que aqui virão.

 

Hermiro (Emílio) Yamaguti (novembro de 2013)  

 

 

Shigueyuki Yoshikuni

 jornalista e reside em Lins, também colunista do jornal Correio de Lins, colaborador do Jornal da Colônia de Araçatuba e do Jornal das Nações de Àguas de Prata, e diretor de comunicação do Bunkyo de Lins.

 

 

 

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