SHIGUEYUKI YOSHIKUNI: Ó N G Á E S H I

O Crisântemo e a Espada de Ruth Benedict (foto: divulgação)

Há um livro “O Crisântemo e a Espada” da antropóloga Ruth Benedict, já bem antigo, editado de um estudo para entender o espírito japonês, implementado quando os USA viam que a vitória estava prestes a ser conseguida e o que fazer para efetivar a ocupação sem muitas perdas humanas. E para isso, era preciso constatar qual seria a reação do povo invadido.

No estudo em questão, o que mais surpreendeu a autora é o ON, sentimento de gratidão, a retribuição do favor recebido. Considerou uma virtude.

Transcorridos 70 anos, com tantas mudanças na sociedade, será que tal sentimento ainda persiste? Acho que não. Até aqui no Brasil, existem cidades que tal costume foi abolido. Em Araçatuba, segundo o Kazoshi Shiraishi, Presidente da Federação das Associações Nipo-Brasileiras da Noroeste, os nikkeys resolveram não adotar essa prática.  E acredita que há muitas outras. Acha contrassenso, por exemplo, você receber um auxílio de R$100,00 e seja obrigado a  devolver R$200,00.

Aqui, em casos como esses, as famílias costumam dar o ón gáeshi às associações, já que elas representam todos os componentes do círculo da amizade. Dizia-nos um tesoureiro de uma dessas entidades: se morrem cinco patrícios em um mês, o problema das nossas finanças estaria resolvido.

Vamos nos modernizar e acabar com mais essa figura  estranha à sociedade brasileira?

 

 

 

Shigueyuki Yoshikuni

 jornalista e reside em Lins, também colunista do jornal Correio de Lins, colaborador do Jornal da Colônia de Araçatuba e do Jornal das Nações de Àguas de Prata, e diretor de comunicação do Bunkyo de Lins.

 

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