SHIGUEYUKI YOSHIKUNI: O Vendendor

 

Estava lá no calçadão fotografando a turma da Zeladoria do Planeta em ação.  Nisso aproxima-se um patrício, já idoso, falando baixinho, como que desculpando, mostra-me alguns bilhetes de loteria. O senhor está vendendo? Ele diz sim, acenando a cabeça, tímido. Quantos o senhor tem? Dez. Fico com todos, digo-lhe, para surpresa dele. Dei-lhe R$100,00 e falei-lhe, carinhosamente, que ele não precisava envergonhar-se. Era uma atividade lícita como qualquer outra e só faltava ele ser mais atirado, mais otimista. Fatiei o bilhete e distribui aos amigos para que cotizassem o prejuízo.

Não conhecia o vendedor. Mas disseram-me que é seu ganha pão. Nem sempre consegue vender a cota. Ganha uns R$10,00 por dia, quando tem sorte.

O que me intriga é a insensibilidade dos meus patrícios. Poucos se dispõem a estender as mãos, mesmo tratando-se de um patrício. 

 

 

 

Shigueyuki Yoshikuni

 jornalista e reside em Lins, também colunista do jornal Correio de Lins, colaborador do Jornal da Colônia de Araçatuba e do Jornal das Nações de Àguas de Prata, e diretor de comunicação do Bunkyo de Lins.

 

 

 

 

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