SILVIO SANO: 2014, ano da Copa em ritmo de trote

 

Bom, na prática, esta é a primeira Nipônica do ano já que a de abertura foi escrita no ano passado, há 3 semanas, período longo demais a quem se pretende atualizado. Nesta condição e espírito, pois, para escrevê-la o que vem à cabeça é vislumbrar algum destaque ao ano que entra. E o que vem à mente? Sem dúvida, a Copa do Mundo de Futebol! E em seguida… por culpa do passado? Estádios inacabados e turistas estrangeiros sendo “abordados” achikochi (lá e cá)! Fracasso?! Nem tanto se basearmos em nossa outra Copa, a de 1950. Lógico que a perda para o Uruguai pode ser considerado como tal, mas durante toda a competição, mesmo com um Maracanã inacabado, repleto de andaimes sustentando a cobertura e ameaçando o público presente, tudo foi festa por todo país, em ritmo de “vai da valsa”, gíria muito usada na época.

Não vai ser diferente este ano. Ou alguém duvida de que não teremos estádios inacabados? E não apenas os próprios. Por inacabado entenda passar por qualquer desconforto relativo aos mesmos pelo preço do ingresso. Por exemplo, o quesito mobilidade urbana que pode fazer boa parte do público chegar muito atrasado aos jogos. Mais de 75% dessas obras estão atrasadas e algumas não mais serão entregues à competição. Sem contar nossos precários aeroportos, primeiros indicadores aos turistas do que terão pela frente de desconforto com o Brasil anfitrião.

Mas no final, tudo será festa!… ainda mais se formos campeões. Quiçá, até mesmo se não formos. Afinal, quem ainda se lembra de como foi fácil liberar verbas públicas para construções de alguns descarados “elefantes brancos” e de como é difícil liberá-las para escolas, hospitais, segurança pública, saneamento, enchentes, etc.? Isso, quando não tem outros destinos mesmo após liberadas. Mas isto é outra história.

Pois é, não era bem assim que pretendia iniciar o ano, mas fazer o quê, né. Se bem que, não confunda meu introito com pessimismo porque, pelo contrário, como já afirmei aqui, eu mesmo me chamo de ingênuo por ainda acreditar, ter esperança, ver aquela chamazinha no fim do túnel de que… agora, vai!!

Vai? Bom, em ano de eleição, se cada um realmente contribuir com um pouquinho, vai. Né, não?!!

 

 

Vai, com jeito vai

Se não um dia a casa cai…

E 2014, banzai!

 

 

Silvio Sano

é arquiteto e escritor. E-mail: silviossam@gmail.com

 

 

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