SILVIO SANO: AINDA SOBRE MATRÍCULAS NAS ESCOLAS

Pois é, conforme bato muito na mesma tecla, em se tratando de Brasil tudo pode se esperar. E o assunto do momento, sem dúvida, vem do Maranhão, da penitenciária de Pedrinhas, suas consequências e a pacata reação do país… que já se banaliza!

E já que banal vou, pois, ignorá-la em prol de outro assunto que também me chamou a atenção, novamente, mas por considerar que é a partir daí que, um dia, quem sabe, possamos acabar com tudo aquilo, acima: Educação! Refiro-me às filas de pais à frente das escolas, em Manaus, para matrículas de seus filhos ao curso fundamental. O fato, escandaloso, ocorreu lá no Amazonas, mas sabemos que não é muito diferente em todo o país, Daí porque fui remetido a um caso que me ocorreu diretamente, quando no Japão com minha família, muito antes do boom dekasegi, há mais de 25 anos e nosso filho frequentava a pré-escola naquele país.

Morávamos em Nagoya porque frequentava a universidade local. Matriculado, portanto, no jardim de infância, nosso filho ia “muito bem, obrigado” até que, em agosto, inesperadamente, chegou-nos uma carta da Regional da Prefeitura informando-nos de que no ano seguinte ele seria matriculado em uma escola primária próxima do local onde morávamos. Ou seja, a vaga dele estava garantida… meio ano antes!!

Como a Prefeitura sabia que ele já estava em idade escolar? Simples: no Japão, todo cidadão é obrigado a fazer o Registro de Residência imediatamente após a chegada ao município de modo que esses órgãos têm as fichas completas das famílias em seus arquivos. Da mesma forma, cancelá-lo em caso de mudança.

Mas outra informação importante completava a carta. Pasmem: ele deveria comparecer à futura escola em outubro, para exames médicos! Para que, se constatado algum problema, já fosse providenciando o devido tratamento a fim de estar em plenas condições de saúde no início das aulas!

Isso ocorreu há mais de um quarto de século e ainda fico pasmo. Não mais por isso, lógico, mas porque é tão fácil de implantá-lo no Brasil e continuamos tendo de ainda conviver com essas notícias de pais se madrugando para conquistar aquilo que já lhe é de direito enquanto cidadão. Né, não?!!

 

 

Soluções baratas.

Simplificar é prover.

É só decretar

 

 

 

Silvio Sano

é arquiteto e escritor. E-mail: silviossam@gmail.com

 

 

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