SILVIO SANO: Amigo de jurado e jurado… mui amigo

Vamos lá! Já abordei o tema aqui e até dei título quase idêntico. E vou repeti-lo para atender a pedidos, visto que dificilmente o faço por apenas um para evitar que se torne pessoal. E como da outra vez, por neutralidade, associarei a exemplos de fora do meio para evidenciar que “ajudar amigos” faz parte da natureza humana… desde que não de forma exacerbada a ponto de prejudicar outrem, de qualidade muito superior, no caso de disputas mútuas.

Naquela, citei o exemplo de um ministro do Superior Tribunal Federal (STF) contemplado com uma viagem ao exterior (com toda família)… pela empresa cujo processo estava julgando! Questionado sobre influenciar no julgamento, refutou com veemência alegando que o princípio de justiça lhe era inerente. Outro ministro não duvidou dessa postura ilibada, mas não achou ético e afirmou que na hora do veredito final aquele “agrado” acabaria pesando, sim, na balança.

Dessa vez evocarei o assunto em pauta no país, Petrolão!… pela expectativa de como se portarão esses mesmos ministros do STF, baseado em suas performances no do Mensalão. Nem preciso dar “nomes aos bois” que mais se encaixam ao tema em questão desta Nipônica. Né, não?!

Aos concursos de karaokê isso não deveria ser uma preocupação por se tratar de disputas entre simples mortais que participam dos mesmos por lazer. Mas não! Há, aí, o quesito… EGO, também inerente na natureza humana, que atrapalha. É onde começam as artimanhas para alcançarem seus objetivos e que acabam envolvendo os… jurados!!

Quando comecei a frequentar o meio, não imaginava que isso pudesse ocorrer em ambiente tão cordial e propício a se fazer amizades, e que me fascinou a ponto de escrever que o boom do karaokê foi deveras prodigioso ao introspectivo nikkei. Mas a convivência e o tempo também fazem aflorar ouras coisas. Né, não?!

Pois é, já escrevi elogios ao boom, mas também críticas. E na época do Paulistão 2014, devido às preocupações com a diminuição de cantores em concursos comuns, abri um debate nas redes sociais que resultou em 13 páginas, já repassadas à entidade maior do estado, UPK. Dentre as razões, muitas contemplavam as posturas de jurados, mas também de organizadoras. É comum ouvir de cantores, que não participam de “certos” concursos por não valerem a pena, por já estar claro quem vencerão. Isso, eu próprio testemunhei.

E se isso ocorre, é porque passa pela caneta dos jurados. As maneiras e a reciprocidade é que são diferentes. Muitos deles, inclusive dos mais badalados, em autodefesa, já me afirmaram, até com veemência, serem o mais justo possível… Acreditei.

Uma coisa é preciso deixar claro aos jurados, repetindo o que já escrevi: ajudar amigo é até aceitável… no caso de equivalência, mas não aceitável se implicar na derrubada de outrem, muito superior. Isto se chama: injustiça!, postura não cabível nesse ambiente quase fraternal. Em relação a “concursos que não valem a pena”, basta que membros-cantores da comissão organizadora se portem apenas como anfitriões. Né, não?!!

 

Jurado amigo

Não é quem me privilegia

Mas quem me “julga”

SILVIO SANO

SILVIO SANO

é arquiteto, jornalista e escritor.

E-mail: silvio.sano@yahoo.com
www.nikkeypedia.org.br/index.php/Silvio_Sano
SILVIO SANO

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