SILVIO SANO > NIPÔNICA: Corrupção, lá e cá… eis a questão!

“Tempos atrás, quando nossos políticos recebiam salários… justos, como qualquer trabalhador, um deles, ao visitar um parceiro inglês, em sua residência, ficou admirado com a mansão onde morava, mesmo sendo político. A explicação veio ao ser levado até a janela, pelo anfitrião, que lhe pediu para que olhasse um lindo viaduto bem à frente: ’10% estão em meu bolso! Faça o mesmo! Tão logo retornou ao Brasil tratou de aplicar o aprendizado. Ficando bilionário convidou o inglês para lhe mostrar o quão bom aluno foi. Igualmente admirado com o palacete onde o brasileiro morava, também foi levado à janela para explicações. ‘Mas não estou vendo nada!’, afirmou o inglês. ‘Pois é, 100% estão em meu bolso!’, respondeu o brasileiro, estufando o peito.”

Esta piada, acima, já a contei aqui e a tenho repetido em conversas de roda quando o assunto é corrupção… inda mais da brasileira que, em minha modesta opinião, só é escandalosa por duas únicas razões: impunidade e omissão da população. Se bem que pode ser única, pela correlação. Mas reconheço que um novo cenário começa a se descortinar no país, conforme já começam a demonstrar as manifestações de rua, nas redes sociais e nos resultados da Lava Jato. Vamos aguardar.

O escopo da piada, lógico, por seu próprio conceito, está exagerado… mas nem tanto… rsrs (outra piada?). Até porque, daí, surgiram bordões do tipo, “ponte que vem do nada para ir a lugar nenhum”, mas que podem ser vistos, concretamente, em vários lugares do país, e cujas comissões, com 100% de certeza, sendo devidamente embolsadas por seus autores políticos. Né, não?!

Esse exemplo, agora, diante das revelações da Lava Jato, tornou-se apenas um mui pequeníssimo exemplo. A operação da República de Curitiba até já se transformou num divisor de águas à História do país relativo ao tema, mas ainda deixando a desejar, por evidências óbvias a nós leigos, visto que determinados políticos e grandes empresários ainda não foram devidamente punidos, e certos delatores “premiados” obtiveram reduções estranhas.

Culpa do passado, mal acostumados com impunidades? Por isso alguns políticos, mesmo descaradamente acusados, insistem em negar, e sarcasticamente; e dois, afastados de suas funções (Dilma e Cunha), não estão nem aí por mordomias indevidas que ainda usufruem. E o povo… nem aí!… por enquanto. Se bem que, aos poucos vai se levantando, sim. Eu acredito.

Mas que dá inveja ler certas notícias afins vindas de fora, lá isso dá.

Como a da recente renúncia do governador de Tóquio, Naoki Inose, acusado de receber 50 milhões de ienes (R$ 1,14 milhão) de uma rede de hospitais para cobrir os gastos de sua campanha eleitoral de 2012, via deputado Takeshi Tokuda, filho do presidente do grupo Tokushukai, maior operador privado de instalações médicas do Japão.

Veja as desculpas dele à população: “Decidi que não há outro caminho a não ser deixar o governo de Tóquio para encerrar o impasse. Eu não posso ficar no caminho de preparação para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos (2020), em que o orgulho nacional estará em jogo.”

 

Sem impunidade

Sem apoio popular

Como avançar?

 

SILVIO SANO

SILVIO SANO

é arquiteto, jornalista e escritor.

E-mail: silvio.sano@yahoo.com
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