SILVIO SANO: Desde Garotinho?! Não, filho… desde Cabral!!

Pois é, foi a piada da semana e que, de tão difundida, nem precisa ser destrinchada por inteiro. Todos a conhecem. Trouxe-a apenas para ilustrar minha abordagem sobre a “extraordinária” criatividade do brasileiro… apesar de tudo.

E foi o que me remeteu a outra (piada) que ouvi em 1980, quando da morte de Vinícius de Moraes. Pela data dá para perceber que ainda não tínhamos internet e nem redes sociais para alastrá-la de imediato e, no entanto, o compositor faleceu de manhã e na hora do almoço já ouvi de um amigo: “Sabe do que o Vinícius morreu? Tropeçou no Toquinho!” Queria mata-lo! Mas eu é que morri de rir… apesar da má notícia… ou, apesar de tudo.

Até por isso sempre fiquei intrigado com essa criatividade brasileira… bem como com sua irresponsabilidade em alguma atividade coletiva ou mesmo individual, quando necessário sincroniza-las. Por isso não somos campeões de futebol ad eternum. Né, não?!

E comecei a deduzir as razões, por minha conta, a começar pela questão da criatividade, a partir de minha primeira temporada no exterior, 40 anos atrás, quando fui ao Japão como bolsista-estagiário, mas também como extremamente curioso com a cultura diferente com a qual conviveria. Até me criei um provérbio para isso: “Em mundo estranho, coisas estranhas não deverão ser estranhas para mim”. Funcionou! Até hoje como arroz com ovo cru… rsrs.

Então tá! Mas… e daí?

Bom, o que me impressionou naquele país, na época, foi a estabilidade econômica, os salários condizentes e a formação cultural e educacional que dispensava o “jeitinho” ou o “levar vantagem”, ao menos, ao cidadão comum, bem entendido. Ah! Além do marketing nacional do se reconhecer como um dos países mais avançados do mundo.

Foi o que captei lá. Com tudo na mão e despreocupados com a sobrevivência cotidiana, bastando japoneses, portanto, apenas “tocar” a vida… aquela… sem graça… sem “pepinos” para se resolver no dia-a-dia, deduzi que, ao contrário dos brasileiros, eles eram pouco criativos. Lógico que há exceções, ainda bem. Sem contar que a compensam com muita dedicação e aplicação em tudo que fazem. Por isso, por exemplo, os programas de TV mais populares do país, que dão Ibope, são os do tipo “pastelão”… além dos musicais.

Mas ainda não fora conclusivo para mim até que… finalizado meu estágio, em vez de ao Brasil, fui para os EUA, onde passei duas semanas e percebi mesmas causas e efeitos ao cidadão comum americano, o que me fez chegar à conclusão de que à criatividade, país desenvolvido deve fazer mal!… rsrs

Ou seja, de que a explicação à do brasileiro está no dia-a-dia de muita garra e luta pela sobrevivência, mas fazendo uso do jeitinho e do levar vantagem… que formam a tal “malandragem”, inerente em nós e, por conseguinte, a irresponsabilidade àquelas atividades. Aliás, também à política que gerou o título desta. Né, não?!

Há outras razões, lógico, mas por mim, por já me reconhecer como criativo… rsrs, e nessa altura do campeonato, a preferência é por país desenvolvido. Eu, héim!!

 

Somos criativos,

Mas irresponsáveis.

E vamu que vamu!

 

SILVIO SANO

SILVIO SANO

é arquiteto, jornalista e escritor.

E-mail: silvio.sano@yahoo.com
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