SILVIO SANO > NIPÔNICA: E as mulheres e os negros do presidente?

Desde que tomou posse e anunciou seu ministério, o presidente interino, Michel Temer, tem sofrido uma saraivada de queixas, principalmente da parte dos ativistas das causas sociais e de defesa das minorias, pela não indicação de uma única mulher, ou de um único negro, nesse primeiro escalão. Até porque, desde o governo de João Figueiredo, todos os presidentes sempre contaram com, ao menos, uma mulher e nos de Lula e Dilma com, ao menos, um negro.

Toda essa discussão remeteu-me à outra que sempre fiz dentro da comunidade nipo-brasileira em relação aos seus políticos… nikkeis. Sempre deixei claro que não considerava que todo nikkei devesse votar em políticos nikkeis pela obviedade de que a escolha devesse privilegiar, antes, competência, honestidade, transparência e cidadania. Simples assim.

Mas nem tão simples, não!, porque, convivendo no meio, sempre ouvi reclamos de que… “temos pouco representantes”, ou de que… “nossos políticos nikkeis pouco fazem”, ou ainda, de que… “só aparecem em épocas de eleições”. Isso, na verdade, mais da parte das lideranças e associações comunitárias, porque atreladas às necessidades de recursos aos seus eventos culturais durante o ano.

Pois é, sempre deixei claro que o nikkei… individualmente, não tem essa obrigação, mas não as lideranças e associações comunitárias, pela também obviedade de que, se precisam deles que trabalhem para que sejam eleitos. Até porque é uma forma para se criar uma forte relação de dependência mútua com eles. Se bem que não haveria essa necessidade se, durante todo ano, trabalhassem de maneira agregada e eficiente como atraentes contrapartidas às empresas multinacionais nipônicas e, daí, mesmo às não. Mas isso é outra história.

O mesmo, acho, vale à escolha dos nomes feita pelo presidente Temer. Não sei que critério usou, apesar de bem desconfiar… rsrs, mas considero que não deveria ser a principal discussão do momento, preferindo aguardar mais um pouco pela definição dos demais, além de atento às primeiras medidas, às quais considero boas até o momento.

Particularmente, também não gostei de alguns nomes, nem pelas questões de gênero ou cor, além de achar que deveria ter sido mais rigoroso em relação a nomes envolvidos com a Lava Jato, ou algum indício de corrupção no passado político deles, mas devido à emergência do momento e do processo político brasileiro, que o tornaria ingovernável, é preferível aguardar a criticar. Ou alguém duvida que Picciani, Kassab, etc., não são provas do que se têm de engolir para governar? Aquele que se recusou a isso, Jânio, não voltou.

Ou seja, devido às condições que Lula e Dilma, governos anteriores, deixaram o Brasil por conta de “outros interesses” (vide Olimpíadas, como herança mais imediata ainda a ocorrer), o momento é de apoiar o novo, advindo de forma legal e rigorosamente constitucional, mas sem deixarmos de nos descuidar, e até mesmo desconfiando, por culpa do nosso próprio histórico passado. Né, não?!

Ah! Contar mentiras “lá fora” são facilmente justificáveis.

 

Quer eficiência?

Escolha só competentes,

Não amigos do rei.

 

SILVIO SANO

SILVIO SANO

é arquiteto, jornalista e escritor.

E-mail: silvio.sano@yahoo.com
www.nikkeypedia.org.br/index.php/Silvio_Sano
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