SILVIO SANO: ESTUDAR, APESAR DE TUDO

A coluna da colega Erika Tamura (Frequência escolar no Japão não é obrigatória para os brasileiros), da edição anterior deste JN, remeteu-me ao que já tinha escrito em janeiro de 1998 (Notícias do Japão) e que reproduzo, abaixo, para reforçar o apelo dela aos dekasseguis em relação à importância da Educação aos filhos e bem como a si próprios… independentemente de leis. Segue, aí:

Uma das piores conseqüências das crises econômicas e injustiça social, em um país, é descobrir que currículos, muitas vezes, servem apenas para tomar tempos de leitura de diretores dos RH das empresas. “Não posso pagar o que você merece”, costuma ser, até com certa ironia, alguma das respostas. Alguns candidatos acabam tendo de aceitar o que podem pagar; Outros mudam de profissão. “Engenheiros chegam até a virar sucos”. Alguns apelam para o comércio informal, outros, clandestinamente, buscam subempregos em países desenvolvidos. “Lá, ao menos, os salários são melhores”. Dentistas até tentam legalizar (com óbvias dificuldades) suas profissões em país irmão (Portugal). E outros mais, como nikkeis e afins, vão ser dekasseguis em país ancestral.

Mais melancólicas são as conclusões de alguns pais em relação aos filhos porque partem deles os incentivos para que deixem os estudos. “Já que não vai servir pra nada mesmo, melhor trabalhar”. Como ocorreu, por exemplo, a muitos jovens dekasseguis brasileiros no Japão, alguns dos quais, pouco idealistas, ainda partiram para a Terra do Sol Nascente, prometendo retomar os estudos quando voltar. Só que depois de enorme lacuna longe do ambiente escolar, somado à realidade nacional e indiferença dos próprios pais, a volta à escola acaba ficando na promessa.

O resultado disso tudo, é que o país, além de já ter perdido especialistas de alto gabarito, ainda deixa de formar outros mais, imprescindíveis para o engrandecimento de qualquer nação.

Mas não é só o país que perde sem estudo. Perde também o próprio, que ao buscar um país estrangeiro para fazer o pé-de-meia e depois retornar, sem nenhuma formação profissional, acaba encontrando dificuldades de readaptação e quase sempre parte de novo. Apesar de retornar com certo capital, a crise que ainda envolve o país, desincentiva-o a arriscar qualquer empreitada. Alguns até tentam, devido à enorme vontade de querer permanecer na pátria amada. Em país de instabilidade econômica, como numa loteria, uns acertam, outros perdem quase tudo que conquistou com muito esforço lá fora. E, às vezes, de maneira até violenta. Sair do país, novamente, acaba sendo a alternativa mais fácil e garantida. É o que temos testemunhado ao longo desses dez anos de dekasseguis, em que muitos vão, retornam e vão novamente. Alguns, até, já afirmam desejo de fixar residência no Japão, mas a maioria que quer retornar esbarra naquele tipo de incerteza.

É preciso se conscientizar de que, o estudo é ainda o melhor investimento em qualquer país, com ou sem crise econômica… “sério ou não”. Se por dificuldade financeira foi tendo de ser deixado de lado, a retomada do fôlego (financeiro), agora, em país estrangeiro, tem de ser aproveitada, em parte, nessa direção… do estudo. Ou de si próprio através de alguma especialização, lá ou aqui, ou se sacrificando, para investir na boa formação dos filhos.

Com estudo e capital, não há crise fatal.

 

É pra investir?

Opte por Educação!

Onde só há ganhos.

 

SILVIO SANO

SILVIO SANO

é arquiteto, jornalista e escritor.

E-mail: silvio.sano@yahoo.com
www.nikkeypedia.org.br/index.php/Silvio_Sano
SILVIO SANO

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