SILVIO SANO > NIPÔNICA: HIROSHI ITSUKI, pela amizade a MÁRIO IKEDA

Quando escrevi Sonhos Que De Cá Segui (1997), até criei um personagem japonês para mostrar o quão difícil é fazer amizade com um, mas que após essa conquista a relação de confiança da parte dele seria extrema. Quando estive no Japão, em 1985, por um curso extracurricular na Universidade de Nagoya, com minhas próprias expensas, com esposa e filho, acabei tendo de fazer “bicos”, como maquetista em escritório de arquitetura e professor em escola de línguas (Berlitz), onde ensinava português e… espanhol, que aprendera nos três meses como mochileiro pelas Américas.

Como um de meus últimos alunos viria ao Brasil a trabalho e eu já estaria de volta, combinamos de nos encontrar por aqui. E tratei-o tão bem em sua estada no país que me confessou que, além do calor humano, gostava também do Brasil porque a relação superior/inferior (senpai/kouhai) não existia como no Japão. Explico. Lá, culturalmente (?), o inferior tem de “servir” ao superior, e este, mostrar claramente essa diferença. Isso, em todas as áreas profissionais. É difícil explicar. Ou seja, o superior “pisa” no subalterno que “pisa” no seu próprio…  e assim sucessivamente. Para ficar claro, meu amigo adorava poder falar “Bom dia, chefinho!”… sem perder o respeito e nem a hierarquia, enquanto lá, às vezes, nem só “bom dia” podia dar. De minha parte, num dia de festa, apelidei-o Biro-biro, por ter tomado muito beer (biro, pronúncia deles) e por um jogador do Timão estar em evidência. Por essas e outras, adorou o Brasil… e ainda trocamos correspondência.

Quando o cantor Saburo Kitajima esteve no Brasil, há cerca de duas décadas, não fui ao show, mas soube, por um dos responsáveis, que tinha adorado a forma calorosa como foi recebido, mas principalmente, por ter podido comer mangas com as mãos e se lambuzado todo, coisa que jamais faria naquele país das aparências!

Agora é a vez de Hiroshi Itsuki, pela terceira vez! A primeira (1980) para shows e a segunda (1998), como staff da emissora NHK que transmitiu um programa, ao vivo, ao Japão. Dessa vez, virá pela alegação da comemoração dos 120 Anos do Tratado de Amizade Brasil-Japão. É verdade, mas a principal razão está na íntima relação com Mário Ikeda, delegado-federal aposentado, responsável por sua vinda. Soube que algumas pessoas, no início, tiveram até a petulância de duvidar de sua intenção… alguns até com ironias. Por isso fiz a introdução acima. Na primeira vez de Itsuki, Ikeda acompanhou-o a maior parte do tempo em sua estada por aqui, ou melhor, como amigo, fez-lhe companhia. Na segunda, fez até questão de cantar em português e em japonês, a música Amigo (Roberto Carlos e Erasmo Carlos). Alguma dúvida em relação à escolha da música? Pois bem, agora, em sua mensagem aos brasileiros, pelas mãos de Ikeda, fez nova referência ao verbete e acrescentou que o Brasil é seu segundo país! E ao próprio delegado contou que, pelo amigo, cortou de sua agenda, lotada o ano todo, as atividades que faria no período que estará no Brasil. Alguém mais duvida?

 

Amigo de fé

Meu bom companheiro,

Basta acenar.

 

SILVIO SANO

SILVIO SANO

é arquiteto, jornalista e escritor.

E-mail: silvio.sano@yahoo.com
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