SILVIO SANO: Jeitinho, levar vantagem, descaso, dolo, etc… e impunidade, os males do Brasil!

A tragédia do rompimento da barragem da mineradora Samarco, em Minas, remeteu-me ao que sempre tenho comentado aqui de como acho que as coisas, quaisquer, são encaradas no Brasil, diferentemente dos países desenvolvidos, desde os mais simples atos, como “jogar bitucas de cigarros na rua”, até aos mais complexos, como construir, por exemplo… uma barragem de mineradora, e neste caso nem tão complexo assim.

Quem me acompanha deve se lembrar do sem número de exemplos que já dei aqui, dessa forma de agir, na relação com o Japão, país onde vivi longo período. Aliás, razões que me levaram a criar esta coluna e lhe dar o nome de Nipônica para justifica-la nessa comparação de posturas diante de uma mesma situação.

O primeiro exemplo da série, em 1996, quase 20 anos atrás!, com o título de ”De pazinha e saquinho na mão…”, abordei a questão dos passeios de cães pelas ruas da cidade, cujos donos não se preocupavam com as lembranças deixadas pelos mesmos por onde passavam e que, por isso, distraídos como eu, sempre acabavam pisando nelas seguidos de palavrões! Hoje, nem todos os donos fazem mais isso e grande número já sai com seu cão… e com esse meu título… rsrs.

Depois, abordei o jogar lixo nas ruas; a explosão do shopping de Osasco devido a um vazamento de gás… por negligência; a pressa no trânsito… em contradição às atividades do dia-a-dia… vagarosas; as “tortas” filas de espera (bancos, metrôs, etc.); os serviços públicos, e às vezes até os privados, da forma como são executados – vide desmoronamento do Palace II (Rio) e mesmo dessa barragem (Minas); os atos deste desgoverno, como a transposição do Rio São Francisco; etc.

Mas não me restringi apenas às ocorrências porque, se trágicas ou prejudiciais a outrem há que se fazer trabalhos de recuperações e socorros às vítimas. Como estão, por exemplo, os daquelas tragédias de Angra dos Reis (deslizamento) ou da cidade de São Luiz de Paratinga, que nem das piores do Brasil foram? Não tenho informação precisa, mas desconfio.

E, dentro deste escopo, quem não se lembra do pós-tragédia ocorrida no Japão (terremoto seguido de tsunami no nordeste japonês), das posturas exemplares dos sobreviventes que perderam tudo e das autoridades responsáveis pela reconstrução, causando admiração por todo o planeta?!

Pois é. Pretendia, neste tema, me restringir apenas ao caso da tragédia da barragem, mas em virtude da ocorrência de mais um acidente trágico de trânsito provocado pelo álcool, ocorrido domingo passado, e levando embora uma colega do karaokê, amplio o alcance específico para lembrar a questão da responsabilidade que abordei em “Motorista de Aluguel”, uma profissão que surgiu no Japão devido às inevitáveis bebedeiras. Ou seja, se inevitável for mesmo, melhor deixar o carro em casa como fazem os japoneses porque com muito álcool na cabeça nem os 50 km/hora do Haddad é capaz de impedir tragédias como essas. Aliás, nem nossa passividade diante do “Jeitinho, levar vantagem, descaso…”, enfim, do título desta Nipônica. Né, não?!

 

O Brasil tem jeito!

Basta combater jeitinhos,

Afins e puni-los!

 

 

SILVIO SANO

SILVIO SANO

é arquiteto, jornalista e escritor.

E-mail: silvio.sano@yahoo.com
www.nikkeypedia.org.br/index.php/Silvio_Sano
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