SILVIO SANO: Não há mais vagas!!

 

Depois de certa idade, com a vida cada vez mais sedentária, o ideal à saúde é provocar autos exercícios, quaisquer que seja. Como há tempo não pratico esporte algum, sempre que tenho alguma chance forço caminhadas. Por exemplo, para comprar remédios. Apesar de uma farmácia a poucos metros de casa vou à outra que fica a duas estações de Metrô só para ter de ir a pé. E não por economia já que tenho direito ao benefício do transporte coletivo… com a vantagem de, se me cansar na ida, retornar de Metrô… rsrs.

Como sou curioso, procuro sempre fazer itinerários diferentes, mesmo a lugares repetidos. Há vantagens nessa atitude porque as novidades são uma constante. Mesmo assim, algum detalhe sempre nos passa despercebido.

Mesmo em trechos onde passamos constantemente, como os próximos de casa ou do local almejado, como quando reparei num cartaz fixado no portão de uma escola que, pela época, com aulas já iniciadas e pelo que estava escrito já estava lá há algum tempo. Dizia: Não há mais vagas!!

Ao ler aquilo fui remetido, imediatamente, a uma Nipônica que tinha escrito há vinte anos e cujo título era: Matrícula e humilhação. Tinha até ilustração, que trago de novo aqui. Nela, contei sobre como meu filho fora matriculado na primeira série do primeiro grau, no Japão.

Sintetizando: ele estava no segundo semestre do jardim de infância quando a subprefeitura nos enviou um aviso comunicando que já estava matriculado na escola primária do bairro e que deveria ir até a mesma em uma determinada data para… exames médicos! O objetivo era, para o caso da constatação de algum problema mais grave com a saúde, ter tempo para tratamento do mesmo até o início das aulas. Alguma semelhança com o Brasil?

Mas fui remetido também à outra situação nos ocorrida naquele país, para quando tivemos de nos mudar de cidade. Lá, quando um cidadão chega ou sai de uma cidade ou mesmo jurisdição diferente, tem a obrigação de comunicar à subprefeitura o fato… assim como às escolas, no caso de filhos.

Ao comunicar à diretora da escola do filho à época de que nos mudaríamos de cidade em pleno período letivo, pediu-nos apenas o novo endereço, localizou a escola mais próxima e nos tranquilizou em relação à transferência. Deu-nos o nome dela e nos informou que enviaria toda documentação para lá. Não precisaríamos fazer nada… a não ser nos apresentarmos ao novo diretor! Pode? Quer mais? Pois bem… ao chegarmos na nova escola o diretor nos recebeu e chamando nosso filho pelo nome. Alguma semelhança com o Brasil?

Aquele cartaz no portão da escola seria inimaginável ao japonês!! Né, não?! Quiçá, inacreditável! Como a Educação Básica é um direito… de verdade, nenhuma criança fica sem escola naquele país! Simples assim!

 

À Educação

Vale a pena implantar!

E com urgência!

 

SILVIO SANO

SILVIO SANO

é arquiteto, jornalista e escritor.

E-mail: silvio.sano@yahoo.com
www.nikkeypedia.org.br/index.php/Silvio_Sano
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