SILVIO SANO > NIPÔNICA: 64º lugar e… zero medalhas de ouro?!!

“Foi inesperado. Tenho certeza de que nossos atletas se esforçaram ao máximo, mas infelizmente não pudemos satisfazer aos anseios de nosso povo. Nossa meta era ganhar ouros, mas fracassamos por diferenças pequenas”, foi a afirmação de Mitsunori Torihara, presidente do Comitê Paralímpico Japonês, ao final dos Jogos Rio 2016. Caramba! Se ele ficou atônito com o resultado, imagine nós, olhando de fora, sem conhecimento de algum problema interno. Mas parece que, nesse aspecto, nada houve.

Essa reação, eu já estava tendo ao longo da competição, mas em certo momento supus que pudesse ser devido a não ter ainda chegado a vez, na programação, de seus melhores atletas. Mas não! Ao final da competição, sem conquistar uma única medalha de ouro, ficaram na 64ª posição na contagem geral e 15ª na do número de medalhas (10 de prata e 14 de bronze)… ainda assim fraca se considerarmos performances passadas e a recente 6ª colocação nas Olimpíadas do Rio. Parece que foi a pior da história deles.

Matutei! O que teria ocorrido? No meio da semana final, cheguei a comentar com minha esposa sobre a possibilidade de ter a ver com o fato de o Japão ser um país de alta qualidade de vida, atenta à Saúde Pública, vivendo em tempo de paz desde a segunda guerra e, principalmente, não tendo o estado de violência urbana que temos. Ou seja, que a razão poderia estar no número ínfimo de deficientes físicos, naturais ou provocados (mutilados), em relação aos outros países.

Daí… fui conferir o tamanho de sua delegação de atletas, até porque os próximos Jogos serão lá: apenas 132!! Bingo? Não ainda. Fui conferir as demais. China, primeira no quadro de medalhas: 310 atletas; Grã Bretanha, segunda, 252 atletas; Ucrânia, 169 e EUA, 280. O Brasil, oitavo colocado, tinha 288 atletas.

Apenas por esses números, não é possível concluir, apesar de dar para entender o caso da China, país continental e de maior população do planeta, cuja qualidade de vida e saúde pública é incomparável com o Japão, até por sua extensão territorial… e “otras cositas más”, bem entendido, mas que investe muito no esporte e é rigorosa na seleção de seus atletas. O caso da Grã-Bretanha tem a ver com o fato de ter realizado os últimos Jogos, mas também pelo apoio que sempre deram aos deficientes. Desde sempre estão entre os top 3. Da mesma forma, a Ucrânia, apesar dos conflitos internos advindos da questão separatista pró Rússia, também colhe frutos de um planejamento rigoroso que se impôs, há 24 anos, em prol dos deficientes físicos nas escolas. Por isso seus resultados anteriores foram: 6º (Atenas), 4º (Pequim), 4º (Londres) e, agora, 3º (Rio).

E o Japão, também conhecido como país do planejamento e que será o próximo anfitrião? Qual seria a razão de seu baixo rendimento? Torihara encontrou uma na comparação com Londres-2012, quando ficaram em 24º lugar (5 ouros, 5 pratas e 6 bronzes). “Mais atletas ganharam medalhas de ouro naquele, além das pratas e bronzes.”

Não entendi! Prefiro ficar com minha suposição inicial.

 

Razão sempre há

Pra explicar imprevisto.

Sem fazer rodeio.

 

SILVIO SANO

SILVIO SANO

é arquiteto, jornalista e escritor.

E-mail: silvio.sano@yahoo.com
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