SILVIO SANO > NIPÔNICA: Após a contribuição à nossa Educação, uma reflexão… polêmica

Quando, há um mês, escrevi a Nipônica referente à Educação (Outra contribuição à nossa Educação) tive uma grata surpresa graças ao advento da internet. Postada também no Portal Nikkei, coloquei o link em minha rede social, no caso, o Facebook, onde tive como retorno, comentários apenas favoráveis, com alguns até surpreendentes, além de 37 curtidas e mais de 60 visualizações, o que não são muitos em relação à rede, mas que considero razoável pelo que é, um artigo… hoje em dia.

Desde então me animei a escrever outro, mas fui postergando em relação a temas mais relevantes do momento, visto que semanal. Mas, dessa vez, conforme o título, já prenunciando algo polêmico, apesar de procurar dar uma “amaciada” para justificar minha opinião, adquirida no que testemunhei sobre formatos da Educação no Japão desde 30 anos atrás.

Começo pelo sistema da progressão continuada nas escolas, criado na França em 1989 e adotado em nossas, a partir de 1996. Como assim, se afirmei que meu testemunho foi de 30 anos atrás, mais precisamente de 1985 a 1992, quando meu filho estudou no Japão? Pronto! Comecei a polêmica! Explico. A progressão continuada como metodologia de ensino foi criada naquela data, mas o Japão já a aplicava, em parte, ao menos, como no caso da não repetência. Ao menos, meu filho e outros, de brasileiros de meu círculo, sempre foram matriculados nos anos correspondentes aos de suas idades.

Apesar dos prós e contras ao sistema criado (?) na França, eu o aprovei… ao Japão e a países onde os corpos docentes são devidamente preparados. Ou seja, ao Brasil, antes de implantá-lo seria preciso melhorar a qualidade, e como!, dos nossos educadores. Como ainda são muito fracos, para compensar, com o sistema de aprovação e repetência, os alunos, ao menos, teriam também de estudar e pesquisar por si só para não repetirem de ano e, como consequência, aprenderem de verdade. Por isso, sou favorável, sim… mas não ainda ao Brasil.

Da mesma forma, a escola de tempo integral. Não descobri quem o implantou primeiro, mas também já o tinha testemunhado na época, no Japão… e o aprovado… para lá!!… assim como a qualquer outro país… com estabilidade econômica! No Japão, praticamente 100% das famílias não têm problemas financeiros ao básico necessário e podem deixar os filhos, o dia todo, nas escolas. No Brasil, mesmo sendo ideal aos alunos, muitas famílias contam com a “ajuda” dos filhos (mesmo proibidos por lei) ao sustento familiar, o que complica ao sucesso do sistema no país.

E por que ideal aos alunos? No caso do Brasil, além de tirá-los das ruas e das influências criminosas de que bem conhecemos, querendo ou não, melhora suas formações intelectuais e de sociabilidade. No Japão, por exemplo, até para ser atraente, criaram um sistema de “clubes” (futebol, basquetebol, atletismo, natação, música, teatro, rádio e comunicação, etc.) onde no período vespertino, os alunos praticam suas opções apoiados, de modo geral, pelos próprios professores, cujos salários são condizentes até a essas funções.

Dá para não gostar?

 

Há coisas ideais

Que dependendo do lugar

São impraticáveis.

 

SILVIO SANO

SILVIO SANO

é arquiteto, jornalista e escritor.

E-mail: silvio.sano@yahoo.com
www.nikkeypedia.org.br/index.php/Silvio_Sano
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