SILVIO SANO > NIPÔNICA: Assistencialismo… com Educação

O PT ainda se gaba de algo que não foi bem o partido que criou (Bolsa-Família) e por ter tirado milhões de brasileiros da miséria… segundo critério que determinaram como miséria. Escrevi sobre isso na Nipônica passada. Sem contar que ainda se orgulham pelo aumento gradativo do número de beneficiados quando deveria ocorrer o contrário. Né, não?!

Segundo dados do governo, em 2014 o Bolsa-Família contemplava mais de 14 milhões de famílias, ou cerca de 52 milhões de pessoas ou… um quarto da população brasileira!! O original também tinha caráter assistencialista, mas dentro daquele provérbio do “ensinar a pescar”, até porque a índole dos sem formação é a da acomodação diante da certeza de que o “pão” virá!

Não me restrinjo essa afirmação apenas a brasileiros. Com as invasões de imigrantes na Europa, vindos da Síria, do Afeganistão e de outras regiões de conflito, constatei em debates sobre essa questão, por todo mundo, afirmações afinadas com essa, da acomodação. Como em uma fala recente de Januzs Korwin-Mikke, representante polonês no Parlamento Europeu, afirmando que muitos desses imigrantes não querem ficar na Polônia, justamente porque é um dos países que menos benefícios sociais dão. Ou seja, que preferem outros países da Europa por não quererem trabalhar, chamando-os até de lixo humano por isso, e enfatizando que a América cresceu porque recebeu imigrantes que queriam trabalhar.

Isso até me remeteu a quando passei naquele país, em 1976, em minha andança como mochileiro, mais precisamente em New Jersey, vizinha de New York, não por sua ênfase à América, mas apenas para pegar o mote do não se querer trabalhar, mesmo lá… por certos imigrantes. Naquele tempo, e ainda, um reduto de latino-americanos legais e ilegais naquele país. Quando lá estive, ou seja, 40 anos atrás, ouvi muitas coisas sobre o cotidiano deles, mas uma me chamou a atenção por não existir no Brasil e por nem ainda brotar na cabeça de sindicalistas no Brasil, que era o salário desemprego!

Como para fazer jus a isso era preciso trabalhar, ao menos, sete meses seguidos, os brasileiros… e também alguns de outras nacionalidades naquela condição, completado o período, provocavam suas demissões. Não me recordo quanto tempo poderiam ficar parados recebendo o benefício, mas a maioria com quem conversei ia até o limite!

Qual é o busílis? Bem… se saíram do Brasil porque não tinham emprego e foram para lá em busca do pé-de-meia, há aí uma contradição no que se refere a ficarem parados de propósito. Né, não?! Pois é, assistencialismo sem contrapartida, ainda mais para brasileiros dá nisso desde sempre, o que justifica o aumento anual de beneficiados pelo Bolsa-Família.

Na verdade, o provérbio não basta em si nem como intenção, ainda mais em se tratando dos sem formação. Por se tratar de algo cultural inerente, há que se fazer trabalho árduo, de forma a mudar a cabeça dos beneficiados para “quererem aprender a pescar”… tarefa, aí sim, a uma Pátria Educadora que poderia ter se iniciado treze anos atrás…

 

Com educação

Não preciso de provérbio

Eu mesmo me faço.

 

SILVIO SANO

SILVIO SANO

é arquiteto, jornalista e escritor.

E-mail: silvio.sano@yahoo.com
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